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Olá, bem-vindos a mais um "Terapia de Casal". Como é que estão? Como é que estes dias de verão vos estão a tratar? Esperamos que bem. Comigo está o meu marido Guilherme Fonseca.

Estou escaldado nas pernas. Estes dias de verão não me estão a tratar muito bem. Apanhei um escaldão na parte de trás das pernas.

Os dias de verão não te estão a tratar bem ou tu não estás a tratar bem a tua pele, Guilherme?

Não, eu ando a tratar bem a minha pele.

Não pôr protetor solar na dobrinha das pernas atrás não é muito boa ideia.

Põe não, fico mesmo vermelho. E sabes qual é o problema? Há sítios que quando escaldas...

Lembras-te que existem, não é?

São piores. Eu agora não consigo estar sentado ou deitado, porque o fundo da minha coxa atrás, a dobra do joelho e o topo do meu gémeo.

Está tudo queimadinho.

Está queimado. E isso quer dizer que cadeiras, cama, sofá, sempre que eu me sento, eu lembro-me do erro que cometi.

Espero que aprendas com os teus erros, Guilherme, e que reapliques creme solar quando estamos na praia e não ponhas só quando chegas e depois adeus.

Tens toda a razão. Nós chegámos à praia era meio-dia.

Um bocadinho mais cedo, 11 e pouco.

11:45. Pode ser? Fechamos? 11:45. E saímos da praia às 18:10. E eu pus muito creme solar ao meio-dia quando nós chegámos.

E o que é mais engraçado é que eu que estive sempre ao sol.

Ya, porque tu reaplicaste creme solar.

Aí está. Mas vamos começar o episódio de outra forma. Eu tenho um facto para ti.

Ok.

Não combinado contigo, mas eu sei que vai fazer a perfeita ligação a uma coisa de que tu queres falar.

Ok.

Tu sabias, Guilherme, que a mãe do Justin Timberlake

Ok, isto é bom

...foi a guardiã legal do Ryan Gosling durante seis meses, porque eles os dois estavam na Disney e a mãe do Ryan Gosling teve de ir ao Canadá trabalhar.

Ok.

E então a mãe do Justin Timberlake foi a guardiã legal do Ryan Gosling.

Olha, eu não fazia qualquer espécie de ideia. Primeiro, eu não sabia que o Ryan Gosling tinha feito parte do mundo da Disney.

Sim.

Não estava por dentro desse.

Queres ver uma foto dos dois?

Eu agradecia.

Não é uma foto, é um vídeo.

Olha que giro.

Sendo que aqui neste site diz errado, diz que "Justin Timberlake's mom was actor Ryan Reynolds", mas depois tu vês a foto, vês o Ryan Gosling.

Então nós estamos a basear o que nós sabemos nesse site que confundiu o Ryan.

Eu fui verificar.

Ok.

E o verdadeiro Ryan é o Gosling e não o Reynolds.

Até porque nesse vídeo o Ryan Gosling é muito pequenino.

Ryan Gosling era da Disney com o Justin Timberlake, com a Britney, etc.

Não fazia ideia que o Ryan Gosling estava metido nesse mundo. Já viste a quantidade de celebridades que vem da Disney? Sabrina Carpenter, Olivia Rodrigo, Justin Timberlake, Ryan Gosling, Britney Spears.

É uma fábrica.

Sem dúvida.

O mesmo com a Nickelodeon e com essas coisas do gênero.

É como os nossos "Morangos com Açúcar". Repara a quantidade de celebridades que os nossos "Morangos com Açúcar" fizeram.

Por acaso estou a falhar, porque acho que já saiu uma temporada nova de verão e eu ainda não vi.

Olha, mas isso é contigo, que eu já desisti dos "Morangos com Açúcar". Obrigado, até à próxima.

Está bem. Então fala lá do Justin Timberlake, que estás tão entusiasmado para falar.

Adoro. Estou a adorar esta cena do cara dar concertos e cantar só uma palavra a cada 17. Adoro. Eu não sei se as pessoas estão no TikTok ou não. Eu no TikTok descobri recentemente que esta tour que o Justin Timberlake está a fazer, acho que até começou na Roménia. Na Románia?

Na Roménia.

Estou para ver. Na Roménia foi onde a primeira rapariga disse: "Olha, eu saí do concerto porque isto está a acontecer". E depois as pessoas disseram: "Não está nada, tu és doida, é o Justin Timberlake". E ela: "Ah, é?" Então começou a chover vídeos de todas as pessoas que foram aos concertos do Justin Timberlake. E ele faz uma coisa muito gira, que é, ele não está a cantar. Estão-lhe a chamar a karaoke tour.

Adoro. Karaoke tour para mim é muito giro.

Só há uma coisa que me chateia nesta história toda, que é em todos os TikToks de pessoas que foram ao concerto e gravaram que o Justin Timberlake não anda a cantar, diz só: "Não sei o que dizer mais, vai!" E aponta o microfone, depois fica um minuto sem cantar e são as pessoas que têm de cantar.

É o "I got this feeling".

E depois ya.

Ya.

E depois são dois minutos com o microfone esticado para as pessoas, ele não está a cantar.

Ya.

Em todos os TikToks sobre este tema, há uma pessoa que escreve, uma ou várias, mas há sempre uma pessoa que escreveu: "Este show podia ter sido um e-mail" e tem 50 mil likes. É a mesma piada dita por 500 pessoas em todos os TikToks. "This show could have been an email".

Eu acho muito mais graça aqueles TikToks de pessoas de "se eu trabalhasse como o Justin Timberlake".

É muito mais giro. E são as pessoas no seu emprego.

Só a fazer um bocadinho.

A fazer um bocadinho e depois a parar. Sempre que ele canta, trabalham.

Ya.

E qual é a minha ideia? E eu acho que as pessoas vão aceitar isto. É, eu vou fazer a tour de terapia de casal ao vivo, como o Justin Timberlake. Ou seja, eu só vou falar de três em três palavras.

Acho muito bem.

Queres fazer um pequenino exemplo neste momento entre nós os dois?

Está bem.

Eu agora vou fazer este podcast como o Justin Timberlake a partir de agora.

Tenho uma coisa para te dizer, que é: entretanto vi um TikTok a dizer: "O que é que diz deste ano que as músicas do verão sejam esta do Justin Timberlake cantada só por um bocadinho e o 'Nothing Beats a Jetto Holiday'? O que é que diz deste verão?"

Eu acho

Então, este ano ainda não temos um grande hit musical, não achas?

Não.

Exato. Aliás, eu não noto muita diferença. Tu estás a notar muita diferença? Não noto.

Tu estás a ser...

Muito engraçado. Agora já podes voltar.

Já fiz o podcast como o Justin Timberlake está a cantar nos seus concertos.

Estás a ser muito divertido.

Ele já veio pedir desculpas, mas eu não sei bem o que ele veio fazer. Ele disse: "As pessoas estão a ser más e a gozar comigo." Isso eu não confirmei, não vi, mas acho que veio falar de: "Porque morreu a minha avó e eu estou a passar uma fase má." Então cancela os concertos ou canta a música toda do início ao fim.

Ya, cancela os concertos.

O teu luto é: "Preciso que as pessoas cantem para mim as minhas próprias músicas na minha tour"?

Sim.

Isto não faz sentido nenhum. Está-me a divertir muito e eu estou a ponderar fazer tour de terapia de casal.

Acho que fazes muito bem.

Como o Justin Timberlake está a fazer a sua tour. É mais divertido.

É mais giro as pessoas completarem o que tu vais dizer.

Sim. E a semana passada nós falámos do concerto da Billie Eilish e houve diversas pessoas que me disseram, até tiveram muita sorte porque podia ter acontecido isto, e são pessoas que ficaram sentadas ao lado de pitas histéricas que gritam o concerto todo da Billie Eilish.

Isso foi o que nos aconteceu em Lisboa.

Sim, verdade. Quando nós vimos o concerto em 2019 em Lisboa, foi isso que aconteceu.

Concertos esses, vi um TikTok no outro dia, que nos custou €26. €26.

Quanto é que nós pagámos? Vamos abrir o jogo.

Cento e poucas libras, por pessoa.

Por pessoa. Portanto, vamos arredondar para 250 libras. Se calhar é muito, mas os bilhetes foram 225 libras. 225 libras para nós vermos os dois, arredondado deve ser €240. Portanto, repara, é 10 vezes mais. Não é 10 vezes mais, porque não foi €20 o outro. €20 o bilhete, passa para 100. É cinco vezes mais.

É assustador.

Nós pagámos cinco vezes mais. A Billie Eilish valorizou.

Não só a Billie Eilish, mas ver concertos está muito caro.

E bem. Desculpa, mas bem, porque a maneira como a música mudou completamente, e eu acho que o entretenimento no geral vai mudar, é que são merdas ao vivo. Tu não queres estar a ver outra vez reels ou coisas que podem ser AI ou que podem ser manipuladas. A partir de agora, o entretenimento vai ser muito mais valorizado ao vivo. Queres ver uma comediante?

Mas também está muito mais caro e a vida das pessoas não está a acompanhar.

Sem dúvida nenhuma.

Isso não é justo.

Vai passar a ser um lixo. Isso depende do espetáculo que vão ver, mas vai passar a ser um luxo. Por exemplo, a nossa tour vai ser o quê? Lixo ou luxo?

Lixo.

Lixo ou luxo?

Vão-se dar ao luxo de ver um lixo. No fundo, é isso que vai acontecer.

Mas eu acho que é normal. Vais começar a valorizar ver os artistas ao vivo, porque primeiro, é a maneira como, principalmente na música, as pessoas têm maneira de fazer dinheiro, mas na comédia também.

Mas percebes que estás a afastar muita gente.

Estás. Os concertos são cheios.

Estás a afastar muita gente que se calhar gostaria de ver porque não pode financeiramente.

Agora é uma coisa de luxo.

Pois, eu acho isso triste. Porque a cultura tem de ser democrática.

Sem dúvida nenhuma, mas tu podes ouvir a música daquelas pessoas democraticamente.

Certo. Mas tu estás a dizer que a maneira de valorizares a cultura atualmente é ver. Eu percebo, mas também tens de entender que não é toda a gente que pode fazer isto que nós fizemos de ir ver a Billie Eilish ao vivo.

Eu não estou a dizer que não tenho noção do meu privilégio, mas se quiseres ir ao São Carlos ver uma ópera, pagas €80 por pessoa.

Está bem, se calhar não é uma coisa que tu fazes todos os dias.

Ver a Billie Eilish também não.

Está bem, mas há pessoas que não têm toda essa possibilidade.

Eu percebo, mas tu não podes dizer à Billie Eilish para pôr os bilhetes a €15 ou 20 outra vez.

Eu não estou a dizer para isso acontecer, estou só a dizer que embora eu entenda que os concertos estão mais caros porque se está a valorizar mais as experiências ao vivo, também acho que são um sintoma da sociedade em que nós estamos a viver, em que está a ficar mais inacessível às pessoas consumirem cultura, porque um: tens scalpers, tens pessoas a vender os bilhetes mais caros. É cada vez mais complicado, está complexo.

Eu acho que tem que haver regras mais apertadas, principalmente nos Estados Unidos, porque senão acontece o que aconteceu com os bilhetes da Taylor Swift. Não sei porque é que viemos parar aqui. Isto de repente é um podcast da Blitz. Mas acho que é isso. Acho que tem que haver regras mais apertadas, mas a partir de agora as pessoas marquem as minhas palavras. Eu já falei das influencers de extrema-direita e avisei, para quando acontecer as pessoas mandam mensagens. Agora o que eu estou a avisar é: de hoje em diante, por causa da manipulação da maior parte das merdas, basta irem ler o que está a acontecer com as bandas da AI no Spotify. A partir de agora, vai acontecer cada vez mais, o que se valoriza são os espetáculos ao vivo. As pessoas querem ver merdas a acontecer no palco à sua frente, porque isso é que é real e genuíno e no momento. E é isso que as pessoas vão valorizar a partir de agora. Está dito, depois daqui a dois anos as pessoas vêm aqui dizer: " eu tinha razão. Aquele gajo estúpido que interrompe a mulher, tinha razão."

Por que é que as pessoas falam assim?

Não sei porque é que as pessoas têm esta voz.

Bem, seguimos. Tens mais alguma coisa para dizer às pessoas desta semana?

Tenho. Eu tenho dois temas que eu gostava de trazer. Um é uma discussão contigo, outro é uma observação.

É um observador? Parecia que ias dizer.

Não, do Observador é tudo o que nós dizemos aqui porque nós estamos em parceria com o Observador. Não, mas eu tenho uma observação que me inquieta.

Eu quero começar pela observação.

E uma discussão.

Eu quero começar pela observação.

Então.

Quero deixar a discussão para o fim. Eu hoje venho em paz.

Tu vens em paz? Ok.

Eu hoje não quero muito discutir.

Mas podemos deixar para setembro. Isto é o último episódio antes das férias de agosto. Podemos deixar para setembro.

Não, vamos deixar a discussão para setembro.

Por que não?

Se é para estirar é agora.

Está bem. Então vou fazer primeiro a minha observação. Eu ando a ficar muito desconfortável com pessoas que dentro de aviões não põem o telefone em modo de avião. Deixa-me genuinamente desconfortável. Eu não sei como é que funciona a ciência por detrás de

Não está em modo avião, o que acontece?

Não está em modo avião, o que acontece? Nós fizemos vários voos recentemente, fomos à Escócia e voltámos, e depois fomos a Londres e voltámos, e nesses quatro voos, em três deles, eu fiquei desconfortável com pessoas à minha volta que não...

Num deles, então, foi ridículo.

Uma pessoa falou ao telefone durante a descolagem.

Sim. E o Guilherme estava tipo, sabem aqueles miúdos que quando alguém estava a fazer asneira na turma, começavam a olhar para a professora como quem: "Professora, professora!"

E atenção.

"Professora!" O Guilherme a olhar para as hospedeiras.

Eu procurei as hospedeiras, mas as hospedeiras estavam sentadas, eu estava-as a levantar. Elas estão lá com aqueles seus banquinhos, com os seus cintos cruzados.

Sim.

Mas aquela senhora já tinha, quando se sentou, falado com o filho, que estava três filas atrás, e eu olhei para o filho e apontei para a mãe dele e disse assim: "Desculpe, o que está a acontecer aqui?" E ele ficou assim: "Sorry, o quê?" Ele ficou assim em pânico. Mas está tudo maluco? Esta senhora foi a falar ao telefone enquanto o avião levantava. "Estou? Então? Mas é verdade, estou aqui, vou viajar." E agora, em mais dois voos, eu vi pessoas com o avião a levantar, já está naquela aceleração, já tens os flaps a subir e a descer, tudo sentado, já está tudo não sei o quê. Pessoas no WhatsApp. Mas é para pôr no modo voo ou não é para pôr no modo voo? O que acontece quando não se põe no modo voo?

Primeira é essa. O que acontece quando não se põe no modo voo? Porque eu acho que não acontece nada.

Mas se os telefones têm um modo voo, tu metes em modo voo. Desculpa lá, eu disse que ia ficar enervado e eu peço desculpa, mas de que maneira é que as pessoas não cumprem o modo voo quando claramente é uma coisa que é importante? Ou é só um proforma? Porque o que eu ouvi é que pode prejudicar as comunicações do piloto, pode interferir com a comunicação do piloto.

É isso que acontece.

Isto se calhar na descolagem não é importante, ele pode gritar pela janela, pode ter o controlo.

Não vai causar uma queda de avião.

Não causa queda de avião. Então para que é que eu ponho o modo voo?

A única coisa que pode acontecer é que é irritante para os pilotos, porque pode potencialmente interferir com a comunicação dos sistemas.

Mas é que cada vez mais as pessoas estão a ficar super mal comportadas. Cada vez mais eu noto pessoas que vão com o telefone sem estar em modo voo. E no outro dia estava a ver um talk show que gosto muito, que é o do John Mulaney, e o sidekick dele, que é o Richard Kind, estava a dizer que uma vez discutiu no avião porque tinha o telefone sem ser em modo voo, porque ele sabe que aquilo é tudo uma palhaçada. E eu gosto muito do Richard Kind, eu fiquei: "Não, mete em modo voo."

Tu é que és um palhaço.

O que está a acontecer? Que falta de respeito é esta agora, que ninguém respeita o modo voo?

Eu acho que o que acontece é que os pilotos depois nas comunicações começam a haver interferências, porque os telefones estão em busca de rede.

Sim, o senhor que ia ao meu lado neste voo, não estava a conseguir bem conversar, porque ele tirava do modo voo e aparecia-lhe o satélite e ele não estava com 5G, mas às vezes ele tinha 5G e depois uma barrinha. Ou seja, lá em cima...

Tinha?

Ya, ele tinha uma barrinha só. Lá em cima não deve ser fácil arranjar rede. Mas mesmo assim.

Mas o teu telefone vai estar à procura e isso interfere.

Pois, parem quietos. Que merda! Mal comportados do caralho. Devia haver uma coisa dentro dos aviões que bloqueava o sinal dos telefones, mas sem prejudicar a comunicação do piloto.

Pois.

Não sei como é que é possível. Mas resolvam isto. Nenhum avião vai cair, isso me garantes. O piloto não consegue comunicar.

Não cai. E depois, se acontece uma coisa tipo em setembro, que as pessoas estão-se a despedir da família, não pode bloquear porque as pessoas precisam-se despedir da família.

Está bem, eu também quero mandar um voice para aquelas pessoas que eu genuinamente amo.

Ou seja?

Não vão estar no avião comigo, ao meu lado, ali. Isso não vão. Eu quero dizer, às pessoas que: "Pronto, despedir-me, não sei o quê." Por acaso, o que eu diria para me despedir? Não sei bem, tinha que me despedir com uma piada. Vou ter que escrever isso para ter isso pronto. O que eu quero dizer é que...

E tu não vais ter rede lá em cima. Para quê?

Sabes o que vai acontecer? O piloto não vai conseguir comunicar porque nós estamos todos a comunicar. O piloto tem que vir dentro do avião dizer assim: "Alguém com 5G empresta-me o telefone, porque eu não estou a conseguir com a minha comunicação, que é suposto ter a comunicação desta merda, estar a falar para a torre, porque vocês estão todos a falar."

Agora já perdemos a nossa janela para aterrar. Agora estamos a chegar a Lisboa.

O gajo ao meu lado estava num grupinho que era Comporta 2025. Let's go, guys, vamos todos para a Comporta, porque ele estava a vir para cá e estava a receber fotos da malta que já estava na Comporta num barco, todos contentes, e o gajo ao meu lado a dizer: "I'm on the plane right now." Tu estás no plane, põe em modo voo, caralho! Desculpa lá, vou buscar água.

Está bem. Não, é assim, eu percebo a irritação, eu percebo a preocupação, mas também acho que tu estás, vou dizer isto que tu não estás aqui agora e depois também se vê a tua cara, acho que te estás a irritar com mais facilidade.

Eu acho que estou numa fase de mais irritação, sem dúvida absolutamente nenhuma.

Tu ficaste aborrecidíssimo quando nesse mesmo voo dizem que não se pode comer nada, nem abrir embalagens de coisas com amendoins, com frutos secos, porque havia alguém com uma alergia muito severa a frutos secos.

Eu tinha comprado uma barrinha antes do voo, porque o voo era uma hora estranha, porque apanhava refeições e nós não tínhamos comido, mas já tínhamos tomado o pequeno-almoço, mas íamos aterrar às 16:00, então a hora de almoço, e eu não quero estar a comprar merdas à EasyJet. Não quero comprar aquelas tostas de merda que foi o que acabamos por comprar. Aquelas tostas péssimas, está mais tostada em cima do que embaixo, que aquilo está tudo mal embalado. Mas pronto. E a mim chateou-me, porque eu comprei uma barrinha e eu disse assim: "Esta barrinha eu vou guardar."

Tu estiveste para aí 10 minutos a escolher a barrinha.

Escolhi a barrinha, pus a barrinha no bolso, entrei no voo e de repente o piloto diz assim: "Estamos com problema a sair de Londres, a nossa slot de saída atrasou para daqui a uma hora. Portanto, vamos ter que estar sentados no avião uma hora, peço imensa desculpa." E eu: "Ok, não tem mal."

Eu tenho a minha barrinha.

Tenho a minha barrinha, eu vou comer a minha barrinha. Segunda merda que aparece é a puta da hospedeira, coitada, não tem culpa nenhuma. A hospedeira a dizer: "Pedimos imensa desculpa, mas há uma pessoa com uma severe nut allergy neste voo, portanto não se pode abrir nada remotamente com frutos secos, porque esta pessoa pode ter uma reação e morrer aqui no voo." E eu: "Foda-se, pá. Então mas eu tinha comprado esta barrinha de propósito."

Parecias uma criança. Eu juro, quando tu pegas na barrinha...

Não fiz aquele vídeo todo ofendido para me pôr a divulgar o episódio.

Tu viras a barrinha E diz lá em letras garrafais: "Peanuts".

Gigante. Deve ser mesmo para avisar: "Olha, em caso de deitar, não vou, não podes abrir esta puta desta barrinha."

A tua cara.

Foda-se.

Tu és aqueles meninos que ficavam: "Mas eu quero".

Eu estava com raivinha.

Estavas bué assim.

Estava com raivinha. Quando afeta a fome, eu fico com raivinha. Parece-me que desculpas tudo menos tu quando tens fome.

Exatamente, já sabemos.

Mas...

É muito engraçado e percebo a tua irritação, mas acho que estás a ficar mais irritadiço.

Estou a ficar mais irritadiço.

É muito divertido para mim. Eu divirto-me imenso-

E para mim

...com pessoas irritadas, porque eu rio-me muito.

Eu estou a descobrir coisas no mundo da irritação que eu não conhecia e que me diverte muito.

Bem-vindo.

A irritação é um mundo espetacular. Não pode ir longe demais. É como o sal. Tens de pôr só um bocadinho de irritação. Ficar um bocadinho irritado é divertido e deixa a energia sair. Uma pessoa não pode pôr para dentro, como os padres com a sexualidade. Isso é muito grave, porque depois quando rebenta, o que é que dá? Pedofilias. Portanto, eu acho que uma pessoa não pode guardar a irritação, porque senão, o que é que dá? Serial killers e incels. Portanto, ir soltando um bocadinho de irritação.

Não é mau, é até bastante divertido.

A mim diverte-me, porque eu depois consigo me divertir com a irritação.

Tu és muito divertido, irritado.

Diverte-me estar irritado. E eu estava irritado com a barrinha, estava irritado com o gajo ao meu lado no Comporta 25, na despedida de solteiro de um dos cabrões ricos ingleses que ia para um barco e estava no 5G. E eu estava irritado com tudo. Pronto, era assim.

Então ainda bem que o chateámos para ir à casa de banho.

Pois é, o gajo teve que acordar. Mas essa é outra. Essa é outra em aviões. Isto parece humor de aviões hoje. Mas eu estava no lugar do meio, tu estavas no lugar da janela. Tu preferes o lugar da janela, a mim é-me indiferente o lugar em que eu vou, até prefiro estar na aisle, junto ao corredor, no avião.

Cochia.

Na coxia, exatamente, obrigado. Porque eu sou do estrangeiro. Eu e a Rose misturamos muito linguagens. O que é que se passa? Se a pessoa que vai na coxia quer dormir, tem que estar preparado para ser acordado, porque as outras duas pessoas não têm que estar a aguentar a bexiga e a ficar incontinentes aos 60 anos, porque o senhor que vai no corredor quer dormir e pôr o hoodie ao contrário. Foi o que ele fez.

Ya, pois foi.

Ele pôs o capuz do hoodie ao contrário.

Na cara.

E pôs o hoodie como se fosse uma espécie de um onesie, uma mantinha para dormir. E eu disse: "Ó Rita, tu queres ir à casa de banho? Acorda este gajo". Primeiro, são 16h, ele não tem nada que estar a dormir. E segundo, ele está no lugar da coxia, ele tem que estar predisposto a que as pessoas querem sair e entrar. E o que é que aconteceu?

Depois foi para o 5G.

Eu dei-lhe um toquezinho no ombro. Pois é, ele acordado, depois ia ao telefone e nós caíamos. "Rita, aguentas os xixis?" Mas eu dei-lhe um toquezinho no ombro e ele tirou o capuz e eu disse: "Olhe, desculpe, mas nós queremos ir à casa de banho." "Desculpe, desculpa."

Não, ele era simpático.

Não, foi super correto, até porque ele ia para um barco na Comporta, ele estava super motivado para se levantar.

Claro.

Mas pronto. É isto.

Soube-te bem tirar cá para fora.

Soube-me bem tirar cá para fora, mas eu estou muito preocupado com isto do modo voo. Alguém tem que ou ser mais ostensivo a dizer: "É importante pôr em modo voo", ou as pessoas andam muito mal criadas.

Andam. As pessoas andam completamente-

Andam mesmo mal criadas.

Completamente. As regras, o que é isso?

As pessoas estão a desrespeitar regras de avião. E sabes por quê? Primeiro, porque não cai um há muito tempo na Europa. Porque se eu acho que se caísse aqui um, as pessoas andavam com o cuzinho apertado. Porque os aviões quando caem lá na Índia e na Malásia ou lá o que é que é, e as pessoas dizem: "Não, isso é noutros países e com outras cores, as pessoas têm outra cor", não me interessa. Quando cair aqui um na Europa, tu vais ver se as pessoas não se assustam como deve ser.

Eu sonho bué de vezes que cai um na Segunda Circular. Eu no outro dia sonhei. Caiu, depois deu a volta, mas toda a gente sobreviveu.

Nós tivemos quatro voos e isto tudo aconteceu nestes quatro voos. Eu não estou a mentir, que está aqui a minha mulher, não me deixa mentir. Estamos sentados no voo e a hospedeira diz: "Vamos ligar agora os sinais de ficar sentado, por favor, de se pôr o cinto, porque não sei o que, não sei o que mais". Uma mulher tira o cinto, levanta-se.

Anda lá no meio a passear.

Começa a andar no corredor, anda cá para trás e vem falar com uma amiga. E as pessoas todas: "Olhe, desculpe, tem que ir sentar." E ela assim com a mãozinha: "Está bem". A hospedeira volta a falar lá no microfone, no alto-falante. "Relembramos que com o sinal é preciso estar sentado." E a senhora foi falar, falou com uma pessoa que estava quatro filas atrás e nós: "Olhe, desculpe." E ela: "Está bem".

Tives de ir lá a senhora.

Depois a hospedeira levanta-se e diz: "Desculpe, tem que ir sentar." E ela: "Está bem". Uma senhora de 60 anos, mas está tudo parvo? Vocês querem que os aviões caiam, caralho. Eu não consigo perceber, as pessoas andam mal criadas.

Andam mal criadas.

As pessoas andam mal criadas.

Viajar no verão também não é muito bom.

E também ninguém lhes manda andarem de jeto.

Também há essa.

Se nós fôssemos na primeira classe.

Nothing beats a jet 2 holiday.

Exatamente. Se eu te contasse a quantidade de vezes que eu ouço isso sempre que vou ao TikTok. Mas atenção, eu divirto-me.

And right now you can save £50 per person.

That's up to 200.

No, that's £200 for a family of four.

Eu adoro, porque há sempre pessoas a magoar-se neste TikTok.

Adoro.

As pessoas andam mal criadas. A minha observação, como sociólogo que sou, porque os humoristas são um bocadinho sociólogos.

São.

A minha observação é: as pessoas andam profundamente mal criadas. E eu não sei o que é que se passa. Vocês precisam que os vossos paizinhos vos puxem pela orelha. Onde é que estão os paizinhos desta senhora de 60 anos?

Se calhar existem ainda, é possível.

Ou existem ou estão dentro de uma caixa, mas mesmo dentro de uma caixa, então puxa a orelha. As pessoas andam desafiadoras da autoridade de uma maneira muito mal criada.

Acho muito isso. Desnecessariamente, em coisas que não são mesmo necessárias.

As pessoas andam embirrentas e mal criadas e não têm qualquer respeito por figuras de autoridade. E eu não sei se a culpa é das figuras de autoridade, se é destas pessoas que se acham mais do que figuras de autoridade.

Portanto, vota Chega.

Eu não sei se o Chega não é-

Estou a brincar.

Espera, mas eu estava a pensar, porque isso sem dúvida, mas eu não sei se o Chega não é a representação política da falta de respeito por figuras de autoridade, porque o Chega é a representação política de um pensamento profundamente antipolítico, que os políticos são todos iguais, que querem é gamar.

Sim, e tu vês como eles se comportam na Assembleia

Exatamente. Olha, mais um bom exemplo. O Chega é sintomático do que eu acho que as pessoas andam malcriadas e desrespeitosas.

E até não sei se as pessoas não olham para aquela representação na Assembleia, e quem diz Chega diz outros partidos do gênero que andam um pouco por toda a Europa, e ficam: "Ya, se eles podem ali, por que eu não posso aqui?"

"Ya, se eu posso ser racista, por que é que eu não...? Eu agora quero ser racista, vou colocar aí todos. Voltem para a vossa terra." É exatamente isso.

Acho que uma coisa legitima a outra.

Pusemos o dedo no buzilis da nossa sociedade, Rita. Em que outro podcast em que irritações por causa de uma barrinha no avião nos leva à profunda reflexão sobre a nossa sociedade em 2025?

Provavelmente em muitos.

É possível que em vários.

Sim. Aquele do Manuel Cardoso sobre política, provavelmente.

Esse é excelente. Mas aí só se fala sobre o buzilis de interpretação da sociedade em 2025. Aí não se fala da barrinha no avião. Barrinha no avião.

E do 5G no avião.

É aqui. E nós temos bilhetes à venda para vocês virem isto ao vivo. Temos na Ticketline, no site.

Não se esqueçam que o que as pessoas agora querem é a experiência ao vivo.

Exatamente. Nós temos tempo para um e-mail. Não, nós vamos de férias, se calhar eu vou de férias.

Já não vamos discutir?

Queres discutir? Eu tenho uma discussão para ter contigo.

Então.

E eu estou on fire neste episódio.

Vou me irritar.

Rita, vais te irritar. É o seguinte: Rita da Nova.

Já vou ser acusada.

Quando nós saímos de casa. Estamos para sair de casa. Combinamos uma hora para sair de casa. Na tua opinião, eu ou me estou a despachar muito devagar-

Foi uma vez.

São várias. Eu vou contar o que aconteceu. Posso acabar?

O muito devagar, o muito depressa, foi uma vez. Muito devagar é quase sempre.

O que acontece? Tu disseste-me assim: "Olha, nós combinamos sair às 16:00. Tu despachas-te, nós vamos sair de casa." E eu: "Ok". Levantei-me, vesti-me, despachei-me muito mais depressa do que tu, que estavas a secar o cabelo ou o que era, e venho aqui à nossa sapateira e tiro os sapatos para pôr à porta de casa, porque escolhi os sapatos e tu: "Já te estás a calçar? Não te calces já, que ainda não vamos sair já." Portanto, no espaço de três minutos, eu passei de estou muito atrasado porque vamos sair de casa, para já te estás a calçar, estamos a sair de casa muito depressa.

Primeiro, estás a exagerar, porque o que aconteceu foi eu dizer-te: "Olha, eu vou secar o cabelo e depois estou bem para sair."

Ok.

Essa é a primeira, nós não tínhamos combinado uma hora. Eu disse: "Eu vou secar o cabelo e a seguir estou bem para sair."

É verdade.

É verdade ou é mentira?

É verdade, mas não. Nós não tínhamos combinado uma hora.

A segunda coisa é que quando eu estava a secar o cabelo, percebi que as minhas amigas também estavam atrasadas.

Essa era a informação que tu tinhas que me dar logo.

Está bem, mas ouvi-te a calçar e fui dizendo: "Olha, não te calces já."

Mas é que alguma vez tu achaste que eu me estava a despachar na quantidade certa de tempo?

Não. Achei estranhíssimo. Pensei: "Logo agora que não dá jeito." Achei estranhíssimo, nunca. Nunca acontece. Noutro dia tínhamos combinado sair às 18:00, 17:55 está sentado, está de pijama a jogar PlayStation e eu já despachada.

Em quanto tempo é que eu me despachei depois disso?

É porque a ele não interessa.

Pois, é que eu sou muito rápido a sair de casa.

Não interessa, eu não tenho que te avisar, porque se eu não te avisasse...

Não, sem dúvida nenhuma.

Se eu não te avisasse. Isso é que me irrita. É porque se eu não te aviso, se eu não te digo: "Olha, não te lembras das horas a que nós combinamos."

Lembro perfeitamente.

O tempo para ti é uma realidade que tu podes moldar, não é?

Não, eu deixei de chegar atrasado às merdas.

Não, não deixaste.

Primeiro ficas a saber essa. Então diz a última coisa que eu cheguei atrasado. Pois, eu deixei de chegar atrasado, que eu agora estou a respeitar as pessoas que estão à minha espera e os horários marcados. Eu deixei de chegar atrasado às merdas. Portanto, agora engole essas palavras, como engoliste há bocado o almoço que eu te fiz. Agora a segunda questão.

O almoço que eu te fiz.

Eu estive a fazer o nosso almoço.

Está bem, mas não é o almoço que eu te fiz, é o almoço que eu fiz para nós.

Exatamente. Agora engole essas palavras como o almoço que eu fiz para nós. Segunda questão: eu nunca estou certo na velocidade em que eu estou a sair de casa. Ou eu estou muito atrasado-

Eu só não quero é ter de te avisar.

Está bem, então vamos concordar com isso. Há muito tempo que não discutíamos uma coisa de casais aqui.

Só não quero estar sempre: "Olha, tínhamos combinado às 18:00."

E eu às 17:52 levanto-me e estou pronto às 15:52.

Não é às 17:52, Guilherme. Eu às vezes estico. Penso: "Não, ele não vai mudar." "Não, ele está a ouvir o secador, ele já percebeu."

Tu sabes quanto tempo tu estás a secar o cabelo? Quando tu dizes: "Vou secar o cabelo", tu tens noção?

São 20 minutos.

É mais, acho eu.

Não, são 20 minutos.

25.

Uau!

Estavas a achar--

Sim, fez-te muita diferença, não é? Porque assim são mais cinco minutinhos que tu jogas.

Desses cinco, três dá para jogar, dois é o tempo que eu preciso para me preparar para sair de casa.

Não é. É que tu estimas mal o tempo para sair de casa.

Ai estimo, então porque é que depois eu ouço: "Mas já te estás a pôr os sapatos?"

Foi uma vez, Guilherme.

Pronto, então vamos ver quantas é que vão, até setembro, porque este podcast vai de férias agora em agosto. Nós paramos sempre em agosto, as pessoas já sabem isto, mas não vão mandar mensagens chateadas. Podem mandar tristes, chateadas não podem.

Não, podem mandar o que quiserem. Vamos respeitar. Não, vamos ser como a senhora que se levanta no avião. Até vir alguma figura da autoridade mandar-nos sentar, nós estamos na nossa vida.

Mas até lá vamos ver quantas mais vezes é que isto acontece. Vamos ver.

Espero que muitas, vou apontar todas.

Ok, então aponta. Aponta nesse caderno que tens aí.

Onde temos também o nome do e-mail que vamos ler.

Que é Terapia de Casal Podcast.

Então não vamos ler um e-mail?

Pensei que era para dizer a nossa...

Não, que vamos ler.

Então vamos ler um. Então vamos a um.

Ovo, a sério, eu peço desde já desculpa pela bandalheira que é fazer o podcast com esta pessoa.

Não há bandalheira nenhuma, eu trouxe temas, trouxe uma discussão, trouxe uma observação. Digo-te já, triple threat. Trouxe um tema de atualidade que é o Justin Timberlake no TikTok.

Timberlake.

Trouxe um tema de observação, de humor, de observação, uma irritação. Trouxe aqui uma coisa sobre irritações.

Por acaso eras bom para irritações.

Diz isso. Alves R. Que nunca me convidou e não quer saber de mim no "Irritações". E agora também estamos a dizer isto aqui publicamente, ele agora se me convidar, eu já vou achar que é porque eu disse aqui e já não quero ir.

Eu quero.

Tu eras excelente no "Irritações". E terceiro: trouxe uma discussão para nós, que este podcast é de casal e é uma discussão entre nós. Eu preparei este podcast com atualidade, humor de observação e humor de relações, que é o que nós estamos aqui. Agora diz-me se não faço isto bem.

Fazes muito bem. Então vamos lá. Ele não diz "amo-te" e eu já fiz três dramas e meio só esta semana. Olha, estás como o Guilherme.

Do Nat King Cole.

Da Nat King Cole.

Da Nat King Cole. Então bora. Está aqui.

Não, isto era sobre aquela música do "L is for the way you look at me".

Eu não estou por dentro das músicas.

Já não me lembro porque é que chamámos o Nat King Cole, foi a semana passada quando achávamos que íamos ler este e-mail, mas depois o Guilherme não se cala e foi muito difícil. "Queridos terapeutas, mantenham o meu anonimato, por favor."

Agora já dissemos que és Nat King Cole.

"Vou direta ao assunto. O meu namorado é tranquilo, trata-me bem, mas não diz coisas queridas, não manda mensagens fofas, não faz questão de me levar ao aeroporto se eu for de viagem e evita conversas emocionais e profundas sobre a vida e a nossa relação como quem evita faturas do IRS."

Boa piada.

Mas incorreta.

Incorreta, mas eu acho que já estamos a ver dois problemas diferentes aqui.

Calma.

Estou só a dizer.

"Eu, por outro lado, sou uma criatura sensível, carente e claramente marcada por traumas da infância que me transformaram num poodle emocional com alma de drama queen."

Excelente. Bom e-mail, tem graça, está a explicar bem o problema com boas pausas. Estou a adorar.

"Este tema já foi falado entre nós mais de 50 vezes, basicamente monólogos meus, visto que comunicar com ele é um desafio. E nunca vi um esforço do lado dele que durasse mais do que três dias."

Ok.

"Nenhum de nós tem culpa, somos só muito diferentes."

Ok.

"Mas visto que não sinto grande esforço da parte dele, estou só a adiar o inevitável? Será que as relações felizes são de pessoas que simplesmente aceitam o outro como ele é ou de pessoas que realmente evoluem e se transformam para fazer resultar?"

A resposta é a segunda.

"Ou ainda há esperança de que ele possa melhorar com o tempo? Temos dois anos de namoro. Gostava de me rir um bocado com este assunto, visto que deixo as respostas mais sérias para o meu psicólogo."

Excelente. Eu, por acaso, gostava de tentar imaginar o que é que o psicólogo lhe dirá.

"PS: eu com 28 anos e ele com 36, vivemos na casa da minha mãe, onde não pagamos contas."

Ok.

"Ele está completamente acomodado e eu sou a única que procura ativamente casa para podermos ser mais independentes. Isto pode querer dizer alguma coisa? Será que ele não gosta assim tanto de mim e está só a viver o sonho de qualquer pessoa acomodada, casa incrível, sem contas para pagar e sexo regular? Obviamente que poderia aprofundar mais, mas não vos quero cansar. Adoro o vosso podcast, visto que estou a enviar este e-mail, acho que se percebe, e adoro o "Livra-te". Já li todos os livros da Rita e amo quando os riscos cruzam. Beijinhos. Um beijinho para vozinha em casa, Rita e Guilherme para todos. Estou ansiosa para saber que nome me vão dar." Acho que era Nat King Cole por causa do "L is for the way you look at me".

Não faço ideia. Eu tenho várias coisas para dizer aqui. Primeiro, vocês terem love languages diferentes é normal. Ele pode não ser uma pessoa verbal. Há pessoas que são verbais na sua love language, ele pode ser muito mais de atos. Ou seja, eu não estou a dizer que ele é especificamente aqui, estou a dizer que vocês terem love languages diferentes não quer dizer que seja uma coisa necessariamente má. Só têm que descobrir e perceber qual é a love language de cada um e o que é que cada um prefere. Se ele percebe que tu preferes comunicação, a tua love language é comunicação, ele às vezes pode fazer esse esforço, de maneira que se tu perceberes que a dele é demonstrações de afeto, também vais fazer isso por ele. É assim que tu mostras que amas. Lá está, linguagens de amor é como falar outra língua e fazeres o esforço de falares na língua de outra pessoa. É tão simples como isso. Essa é a definição de línguas de amor.

Se é tão simples quanto isso, por que tu também não fazes?

Lambam a língua do amor um do outro. A segunda questão aqui é: este gajo parece-me completamente encostado à vida que tem e ele está numa posição em que pensa assim: "Se eu mexer um centímetro, isto vai-se estragar tudo".

Pois.

Ele tem zero contas para pagar porque está na casa da mãe.

Dela.

Da mãe dela, portanto ele nem tem que se preocupar, porque não tem que discutir com a mãe dele, é a mãe dela. Tem sexo regular, tem uma namorada que gosta dele e que está constantemente a dizer-lhe o que sente, portanto, o gajo não tem que imaginar o que está a acontecer, e tem uma vida perfeitamente calma e com as suas rotinas. Portanto, ele está que nem um rei.

Living the life.

Se ele mexe um centímetro, ele pensa assim: "Isto vai desmoronar tudo. Eu não quero que isto caia, este castelo de cartas que eu montei que está perfeito e como eu gosto assim". E tu estás infeliz. Desculpa lá dizer-te isto assim desta maneira. Tu estás profundamente infeliz. Estás tão infeliz como eu num avião, depois de ter comprado uma barrinha e não a posso comer.

Ela tem a barrinha, mas não pode abrir a barrinha.

Porque a barrinha não quer ser aberta.

A barrinha se calhar até quer ser aberta, mas também se não for aberta não lhe faz diferença.

Eu acho que esta pessoa precisa de um grande abanão, porque se tu conversas com ele, já tiveram 50 conversas, já lhe disseste exatamente o que tu sentes e o gajo durante três dias faz um esforço e depois caga, minha amiga, não sei se não está na hora de expulsar esse gajo da casa da tua mãe e da tua relação com ele.

Eu acho que ela devia dizer que está investida a procurar casa só para ela. Ver o que ele diz. Olha, eu não me vejo a viver na casa da minha mãe durante muito tempo.

Isso é muito giro, porque isso é uma maneira muito passivo-agressiva de dizer: "A minha vida vai continuar, se calhar com ou sem ti". E o gajo que está a dormir na casa da mãe dela vai dizer assim: "Então, mas não vamos morar juntos?" E ela pode dizer: "Não estou muito para aí virada ainda, se calhar. Eu preciso de espaço para mim e do meu tempo e tu claramente também."

"Não estás muito investida em vir morar comigo, como eu."

"E não me diz o que é que sentes, portanto, eu não sei. Eu estou a seguir as minhas vontades e se calhar tu não fazes parte delas no futuro." Epá, move-te. Eu estou farto de manchilds. Eu estou farto de homens que precisam que as-

És tu e a Sabrina.

Epá, Sabrina, filha, vamos embora. Ainda por cima eu gosto da capa do teu disco. Eu percebo o movimento feminista que tu estás a tentar fazer, apesar de algumas mulheres serem contra ele. Não sei se é a minha posição como homem estar aqui a criticar movimentos feministas em capas de discos e em capas, mas eu gosto daquela capa e percebi o que é que ela quer fazer naquela capa. Polémica. Agora, o que eu acho em relação a aqui? Estou farto de manchilds. Eu estou farto de gajos que tratam a namorada como se fosse a mãe deles, que lhes marcam consultas e que lhes limpam a casa e lhes fazem a comida e que eles ficam completamente acostumados e encostados à vida que têm porque as mulheres aceitam continuar a tratá-los como crianças e como filhos. E eu estou farto desses gajos. Levantem o cu e trabalhem-se emocionalmente e psicologicamente.

Olha, também vos digo já, aproveitem agosto. Aproveitem agosto para trabalharem vocês, porque nós quando voltarmos em setembro queremos problemas novos, não queremos problemas antigos.

Não, podem ser problemas antigos. "Há sete anos que isto me acontece." Manda e-mail: terapiadedecasalpodcast@gmail.com. Percebo perfeitamente.

Então se percebes o que é que eu quero dizer, porque é que me estás a...?

Era só para te pôr o e-mail lá pelo meio. Diz lá o e-mail.

terapiadedecasalpodcast@gmail.com.

Pronto, era só dizer isto. Eu estou fartinho de manchilds. E eu acho que há muitas mulheres que acham que não são boas o suficiente para arranjar outro homem.

Ai, são.

E que se encostam às relações de merda que têm.

Malta, vi os vossos namorados. Três em quatro são substituíveis.

Olha, o que é que é este sentimento que voltamos em setembro?

Olha, setembro é já amanhã também, como diz a minha querida Cristina Ferreira.

Não, mas eu agora só vou desligar isto depois de dizeres com a voz de Cristina Ferreira. Tu vais dizer e eu vou desligar.

Olha lá, setembro também é já amanhã. Não é lindo?