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A seleção portuguesa entra em campo daqui a pouco. O mote para convidarmos para o "Tira-Teimas" desta terça-feira, dois atores políticos que não sei se são bons de pés, mas tenho a certeza que gostam de futebol. Não tivesse o socialista João Paulo Correia sido secretário de Estado do Esporte e João Almeida, do CDS-PP, integrado aquela seleção de deputados que defrontou um grupo de parlamentares do Reino Unido em 2004. Bem-vindos a este "Tira-Teimas". E João Almeida, fique descansado que não vamos aqui dar conta do resultado desse encontro.
É prudente.
Tão-pouco o fato de não ter feito parte da equipe titular, não fossem os nossos ouvintes fazerem uma consideração menos benévola das suas aptidões para a prática da modalidade.
Ao contrário, o resultado explica-se muito por eu ter sido titular.
Precisamente. Olha, já vamos falar de temas que potencialmente vos divide, mas comecemos em tom de concórdia e por esta estreia de Portugal no Europeu da Alemanha. João Paulo Correia, boa tarde. Que expectativa para esta participação de Portugal?
Eu conto que a nossa seleção faça uma prestação histórica. É sempre difícil pedir novamente o título europeu, porque pode-se ler que faço parte daqueles que metem pressão máxima na seleção, mas a nossa seleção não só é recheada dos maiores talentos do futebol mundial, como também já tem uma experiência muito alargada de participação em campeonatos europeus e campeonatos do mundo.
Aquela derrota frente à Croácia em jogo de preparação não abala a sua convicção?
Em nada. Os jogos de preparação estão muito longe de serem jogos a valer. Quem anda no futebol, quem anda na competição, quem já jogou, já praticou, sabe que existe uma grande diferença. A pressão é outra, o foco é outro, o próprio selecionador também tomou opções, fez experiências, o número de substituições não é o mesmo de um jogo oficial, a pressão das bancadas não é a mesma, portanto, é um ambiente completamente distinto e há muitas seleções que começam mal e acabam campeãs da Europa. E na história dos Europeus viu-se isso acontecer, desde seleções que foram repescadas, que não tinham sido apuradas, como é o caso da Dinamarca, que foi campeã da Europa, por causa da crise na Iugoslávia, até Portugal, no último Europeu, que pela sua fase de grupos não era olhada como uma seleção que pudesse ser campeã europeia no último Europeu, perdão, quando fomos campeões europeus em 2016, e fomos campeões da Europa. E a nível da Liga dos Campeões, também já tivemos várias prestações assim. Eu confio muito na experiência do treinador. O nosso selecionador tem experiência nestas provas. Provou também que sabe gerir o grupo. O grupo está unido, parece-me unido, e também tem jogadores com muita experiência, como Cristiano Ronaldo e Pepe, que vão liderar a equipa dentro de campo. E isso também vai fazer a diferença, como fez quando fomos campeões da Europa. E a própria estrutura da federação, que dá estabilidade e a experiência dos dirigentes também é fundamental neste tipo de torneios.
João Almeida, partilha deste otimismo? Acredita na reedição do feito de 2016, na conquista do Euro?
Partilho da confiança, eu acho que mais, e foi isso também que o João Paulo aqui transmitiu. Mais boa tarde a todos. Da confiança, porque é evidente que nós temos, ninguém pensou dizer ao contrário, uma das melhores seleções de sempre ou a melhor de sempre. Eu diria que se calhar é a melhor de sempre enquanto grupo. Nunca tivemos um grupo, neste caso com 26, noutros casos com 23, de jogadores com nível tão próximo uns dos outros e nível elevado, isso é indiscutível. Temos também um treinador que tem bastante experiência de treinar, não faltava dizer isso também, é verdade, de treinar seleções em fases finais. E eu digo treinar em fases finais porque um selecionador nacional, durante as fases de apuramento e mesmo os jogos particulares, não treina, seleciona, escolhe os jogadores e põe-os a jogar. Quer dizer, pouco mais escolhe do que o 11 inicial e algumas opções táticas que também não tenta inventar muito. As fases finais são completamente diferentes. As seleções têm um período em que estão juntas e que podem efetivamente preparar os jogos que vão ter, sabendo quais vão ser os adversários e podendo preparar assim também de uma forma completamente diferente do que fazem nas fases de apuramento ou nos jogos particulares. E portanto, tenho confiança que tudo isso junto possa resultar. Agora, as fases finais também têm o outro lado, que é o fato de terem poucos jogos em pouco tempo e correndo mal um jogo, isso pode condicionar uma participação. Vamos esperar que isso não aconteça. E tenho essa confiança também de que com o conjunto de jogadores que temos, com o treinador que temos, com o ambiente que eu sinto que é provavelmente o melhor, aí não direi o melhor de sempre, mas o melhor das últimas fases finais. Temos um Cristiano Ronaldo, se calhar, numa forma e com uma motivação que seria difícil de imaginar no final do Mundial do Qatar, que ainda pudesse ir a este Europeu e que chegasse a este Europeu com esta forma e com esta motivação. E portanto, acho que isso são bons indícios de que podemos ter um grande resultado.
E por falar em resultados, João Paulo Correia, uma eventual e desejável vitória da seleção portuguesa esta noite pode de alguma forma influenciar o apoio da República Checa a António Costa e a pretensão de chegar à presidência do Conselho Europeu?
Não conto que o futebol tenha tanta influência nas decisões políticas da República Checa, dos seus principais decisores. São assuntos completamente distintos, como é evidente. Pensei que ia perguntar se uma vitória de hoje abria ainda mais expectativas de que Portugal chegaria à final e pudesse ser de novo campeão europeu. Espero, como cidadão, como deputado, como responsável político também, que o processo da escolha do presidente do Conselho Europeu tenha como desfecho a designação do doutor António Costa. E ao mesmo tempo, Portugal continua a ganhar, não é só hoje, que ganhe os próximos jogos e que chegue à final. E assim poderemos festejar não só o sucesso político em nível europeu, mas também o sucesso desportivo com a vitória da seleção, vencendo mais um Campeonato Europeu.
Que Portugal ganhe em várias frentes. João Almeida, as dúvidas ontem manifestadas pelo primeiro-ministro da Polónia sobre o processo judicial em que António Costa está a ser investigado, tiveram eco junto do Partido Popular Europeu. Vieram criar obstáculos adicionais?
Eu tenho um princípio, eu não misturo futebol com política e a uma hora e meia das três de Portugal numa fase final de um Europeu, as únicas opções europeias que eu consigo falar são mesmo os 11 que o Roberto Martínez vai escolher para o jogo com a República Checa. Sinceramente, acho que estes processos europeus são normais. Estas escolhas têm estas noites longas dos jantares informais e portanto, acho que vamos esperar a ver como é que se conclui o processo. Fora de brincadeira mesmo, acho que neste momento, todo o processo europeu de formação dos principais órgãos, da escolha dos principais representantes da União Europeia está a correr como é costume. Também não é a primeira vez que Portugal tem políticos envolvidos nestas escolhas e, portanto, acho que é normal. Tudo isto é normal.
Nas últimas horas, e vou pedir aqui dois minutos, já vamos fazer uma pequena interrupção só para acompanhar o minuto final da Turquia e Geórgia, as outras duas seleções que integram o grupo de Portugal. Mas primeiro, nas últimas horas veio a público uma notícia que dá conta que foi António Costa que ordenou a demissão da ex-presidente da TAP, Christine Ourmières-Widener, em nome da sobrevivência do então governo. João Almeida, suscita-lhe algum comentário, alguma dúvida em torno destas revelações agora feitas?
Suscita e obviamente que é muito difícil não fazer algum comentário político à questão política, mas há um comentário prévio a esse que eu tenho de fazer. Eu acho que o país ou reflete rapidamente sobre o que se passa com a nossa Justiça e com o funcionamento do Ministério Público, ou nós temos o nosso Estado de Direito posto em causa, porque do que estamos a falar é da revelação de uma escuta, para além de ser ilegal em qualquer processo, como é evidente, é de uma escuta que nada tem a ver com o processo em que foi obtida e que, portanto, pelas regras normais, não só nunca deveria ter sido tornada pública, como teria que ter sido imediatamente destruída. Eu sei que não é popular dizer isto a um partido que obviamente está nos antípodas daquilo que foi a governação de António Costa, que critica muito severamente a gestão que foi feita da TAP, que critica especificamente a questão da nomeação e demissão de responsáveis em entidades públicas. Eu não posso ficar por essa crítica e não ver aquilo que é gravíssimo num Estado de Direito como é o Estado português, em que todos os dias, quase, as regras mais básicas do funcionamento do Estado de Direito são postas em causa. E portanto, o Ministério Público tem que se dar ao respeito e deixar de ser parte de uma destruição dos equilíbrios de um Estado de Direito. E isso, sinceramente, é aquilo que eu acho que é mais importante dizer neste momento, porque tem a ver com os alicerces do funcionamento do nosso país.
João Paulo Correia, o Chega anunciou esta tarde que quer chamar com caráter de urgência António Costa ao Parlamento. Quer perceber quais as razões que de facto motivaram o despedimento da CEO da TAP. Justifica-se a audição, o PS admite viabilizar?
Em primeiro lugar, quero fazer minhas as palavras de João Almeida e também chamar a atenção que essa fuga de informação, que não devia ter acontecido, parece completamente desenquadrada, exatamente para deixar uma margem muito alargada de interpretação política sobre esse possível contacto feito entre o anterior primeiro-ministro e o então ministro da pasta. Agora, repare, o Chega habitua-nos diariamente a isto, a tentar aproveitar-se daquilo que devia protestar e contestar, como nós estamos aqui a fazer, e a tentar explorar aquilo que, do nosso ponto de vista, devia ser censurado, mas um partido que tem uma postura populista, permanentemente populista, radicada no ataque e no desprestígio das instituições, seja o governo, seja a Assembleia da República, seja a Presidência da República. Basta olhar para aquilo que tinha acontecido nesta legislatura, nesta ainda curta legislatura, para se perceber que não pode ser levada a sério essa proposta do Chega.
Como tínhamos aqui prometido, vamos dar conta dos instantes finais do jogo entre a Turquia e a Geórgia no Euro 2024. Duas seleções Que fazem parte do grupo de Portugal. Peço que continuem conosco, João Paulo Correia e João Almeida. É rápido. O José Rafael está a acompanhar este jogo. Zé, está mesmo a terminar.
Está mesmo a terminar, menos até de um minuto, como dizia aqui o Miguel Vilela, até porque faltam 40 segundos para o fim dos seis minutos de tempo extra. Neste momento pressiona a Geórgia à procura de conseguir chegar ao empate. O próprio guarda-redes da Geórgia está na área turca à procura de conseguir fazer um desvio e quase que marca e vai marcar mesmo, não marca a Geórgia de uma forma incrível. É um corte incrível por parte do defesa turco Akaydin, numa altura em que o guarda-redes estava batido, após uma primeira bola que vai ao poste, é o jogador turco, central, capitão de equipa que consegue fazer quase um milagre, diria eu, porque é com a cabeça, numa altura em que a baliza estava completamente aberta.
O guarda-redes estava no chão. A bola ia mesmo para a baliza.
O guarda-redes no chão, porque o primeiro desvio, o guarda-redes tenta fazer-se à bola, não consegue, a bola bate no poste e o guarda-redes está no chão batido, mas é o Akaydin. Realmente fico quase sem palavras. A qualidade deste corte, porque foi de cabeça que evitou o empate por parte da Geórgia.
E agora um canto que será, porventura, o último lance do encontro.
Já passou o tempo regulamentar, já mesmo descontos sobre os descontos. A Turquia consegue recuperar a bola, não há guarda-redes na baliza da Geórgia. Vai ser o 3 x 1, vai ser golo da Turquia a fechar, em definitivo, este encontro. A Geórgia deu tudo por tudo, tentou, o guarda-redes subiu à área adversária, acabou por virar-se o feiticeiro contra o feiticeiro. Marca a Turquia, faz o 3 x 1, minuto sete, além do minuto 90. Já deveria ter acabado o jogo. O árbitro deu uma última tentativa à Geórgia para chegar ao golo. Não foi capaz, acabou por aproveitar a Turquia, que faz assim o 3 x 1, vai vencer este encontro e colocar-se na frente do grupo Portugal, que joga mais daqui a pouco, a partir das 20h.
Obrigado, Zé, por esta descrição dos minutos finais deste encontro das duas seleções que estão também no grupo de Portugal. E retomo, para finalizar, o contacto com João Almeida e João Paulo Correia. Agradeço-lhes este mais de minuto que estiveram a acordar e vamos terminar como começamos, com a estreia de Portugal no Euro e sem querer ser muito invasivo, como é que vão acompanhar este jogo? Com a família e amigos, com amigos de diversos espectros ideológicos, sendo o futebol um desporto que une?
Da minha parte, irei jantar com colegas deputados do grupo parlamentar do PS e vamos acompanhar o jogo e tentar fechar a vitória, à procura da vitória.
João Almeida.
Com amigos de espectros diferentes. Em grupo nem discutimos, não há espaço para discussões políticas. Hoje é mesmo focar em Portugal e discutir só os lances do jogo.
O futebol une.
Exatamente, o futebol une. E parabéns ao relator.
Completamente.
Parabéns ao relator. E por coincidência, relatou um episódio muito caricato deste Euro, mas que acima de tudo mostra que o futebol também tem momentos decisivos de poucos segundos e os nervos de aço da seleção turca fizeram a diferença.
Precisamente, com essa vitória da seleção da Turquia, 3 x 1 frente à Geórgia, na estreia da Geórgia, em fases finais do Campeonato da Europa. João Paulo Correia, João Almeida, muito obrigado pela vossa disponibilidade, pela vossa presença neste "Tira-Teimas" com contornos especiais.
Obrigado.