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Quando o calor aperta, há um gesto quase automático: ligar a ventoinha. Mas sabia que em dias de calor extremo, a ventoinha pode deixar de ser uma aliada e até favorecer a desidratação? Doutora Vanessa Mendes, bom dia.

Bom dia.

Afinal, a ventoinha refresca-nos ou pode, em determinadas situações, tornar o calor ainda mais difícil de suportar?

Aqui há um ponto importante. A ventoinha não arrefece o ar, o que faz é movimentá-lo. E esse movimento facilita a evaporação do nosso suor, que é o principal mecanismo que o organismo utiliza para perder calor. É por isso que quando transpiramos, sentimos uma sensação de frescura ao ligar a ventoinha. Mas esse efeito depende muito das condições do ambiente.

Então em que situações pode deixar de ser eficaz? Pode deixar de ser a aliada que nós temos?

Quando a temperatura ambiente é muito elevada, sobretudo acima da temperatura da nossa pele e o ar é muito seco. Nestas condições, a ventoinha pode aumentar a evaporação do suor e consequentemente a perda de água. Se essa perda não for compensada com hidratação adequada, o risco de desidratação aumenta. Ou seja, a ventoinha continua a dar uma sensação de conforto, mas nem sempre consegue reduzir eficazmente a temperatura corporal.

Isso quer dizer que devemos deixar de usar ventoinhas quando está muito calor?

Não, é isso mesmo. Sempre o meio-termo é sempre o melhor caminho. Aqui a ventoinha continua a ser útil em muitas situações, sobretudo quando existe alguma humidade no ar e quando é utilizada em conjunto com outras medidas. O problema é confiar apenas na ventoinha durante uma onda de calor, permanecendo num espaço fechado, muito quente e sem renovação do ar. Nestas circunstâncias, é importante abrir janelas quando a temperatura exterior o permite, procurar locais climatizados e, naturalmente, reforçar a hidratação.

E há pessoas que devem ter um cuidado especial?

Sim, mais uma vez os nossos idosos. As crianças também pequeninas, as pessoas com doenças cardiovasculares e quem toma diuréticos, que também já falamos, têm maior dificuldade em regular a temperatura corporal. Além disso, por exemplo, idosos transpiram menos e sentem menos sede, por isso podem desidratar-se mais facilmente sem sequer se aperceberem.

Sem darem conta.

Isso mesmo. E nestes grupos, a ventoinha por si só não deve ser considerada uma estratégia suficiente durante episódios de extremo calor, por exemplo.

Então vamos lá à melhor forma de utilizar uma ventoinha. Um tutorial.

Devemos utilizá-la como parte de uma estratégia que diria mais completa: manter uma boa hidratação, renovar o ar da divisão sempre que a temperatura exterior seja mais baixa, fechar os estores durante as horas de maior calor, utilizar roupa leve e, sempre que possível, recorrer a ambientes climatizados durante as ondas de calor. A ventoinha ajuda, mas não substitui todas as outras medidas de proteção.

Ou seja, basicamente a ventoinha continua a ser muito útil, mas não faz milagres.

É isso mesmo. A ventoinha pode ser uma excelente aliada nos dias quentes, mas o seu efeito depende muito da temperatura, da humidade e da capacidade também do nosso organismo dissipar o calor. Em situações de calor extremo, não devemos confiar apenas nesta sensação de frescura que ela proporciona. O mais importante continua a ser manter uma boa hidratação, evitar ambientes sobreaquecidos e reconhecer precocemente os sinais de desidratação ou até de doença relacionada com o calor. No verão não basta sentir-se mais fresco, o importante é mesmo que o organismo esteja realmente a perder calor de forma mais eficaz.

Foi mais um "Tratar da Saúde" com a doutora Vanessa Mendes. Doutora, obrigada.

Obrigada.