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Começa agora mais um Tratado da Saúde da Rádio Observador com a Dra. Mariana Sobral, médica de família dos Centros de Saúde CUF. Doutora, bom dia, bem-vinda.

Bom dia, Joana.

Hoje vamos falar de um problema muito comum, sobretudo entre as crianças, mas que pode afetar pessoas de qualquer idade: piolhos. E começamos por esclarecer uma ideia muito importante. Dra. Mariana, ter piolhos significa falta de higiene?

Não. Ter piolhos não significa que a pessoa não tenha hábitos de higiene ou que a casa esteja suja. É uma ideia muito errada que pode provocar vergonha e constrangimento. Mas saber sempre, os piolhos podem aparecer em qualquer contexto, sempre que exista contacto com alguém que os tenha.

Como é que podemos suspeitar de uma infestação?

O sintoma mais frequente é comichão no couro cabeludo. Mais intensa atrás das orelhas ou na zona da nuca. E depois ao observar o cabelo, podemos encontrar piolhos, que geralmente são bichinhos pequenos e que se movimentam, ou lêndeas, que são mais claras e que são os ovos fixados ao fio de cabelo. Relembrar que mesmo sem sintomas, imagine, se formos informados de um surto na escola dos nossos filhos, devemos sempre fazer esta observação.

E como é que se transmite? É suficiente partilhar um boné, uma escova, uma almofada?

A forma mais frequente é mesmo o contacto direto entre cabeças, por exemplo, quando as crianças brincam muito próximas. A transmissão através de objetos, como escovas, almofadas, pode acontecer, mas é menos comum. Mais uma vez, se o nosso filho tem piolhos, desinfestar, informar a escola e voltar só quando já não existam sinais de infestação.

Quando encontramos os piolhos, o que é que devemos fazer?

Em primeiro lugar, não devemos entrar em pânico, nem sentir vergonha. É uma situação tratável e comum. Devemos confirmar quem é que realmente está infestado, observar os familiares e as pessoas que tiveram contacto próximo. A pessoa com piolhos deve ser tratada de acordo com as instruções do produto recomendado, quer pelo farmacêutico, quer pelo médico.

Muitas pessoas tentam primeiro aqueles tratamentos caseiros. Há assim algum que seja seguro e realmente eficaz?

Os métodos que envolvem maionese, azeite, manteiga, vinagre não têm eficácia comprovada. E atenção, que também não se deve aplicar álcool, inseticidas, produtos de limpeza no cabelo ou no couro cabeludo. E também ter atenção, porque existe cada vez mais a sugestão de um comprimido importado, mas em Portugal percebeu-se que o risco é superior ao benefício e não existem recomendações que sustentem este tipo de abordagem. E também não se devem usar desinfetantes recomendados para animais.

E é preciso desinfetar a casa inteira?

Não, não é necessário tornar a casa num ambiente assético. Podemos lavar, de acordo com as instruções dos tecidos, roupas, lençóis, fronhas e toalhas usadas frequentemente. Naturalmente limpar as escovas e os pentes. O importante, mais do que tudo, é efetivamente o tratamento correto do cabelo e a verificação dos contactos.

E quando é que deve ser procurada a ajuda do médico?

Em primeiro lugar, quando não temos bem a certeza se são piolhos. Também quando é um bebê, uma criança muito pequena ou durante a gravidez e amamentação. Também quando, apesar de já termos o diagnóstico, começam a existir feridas, eczema ou alguma outra doença no couro cabeludo. E também pedir orientação se continuarem a ser encontrados piolhos vivos depois de um tratamento corretamente realizado.

Dra. Mariana, para terminar, qual seria a principal mensagem para quem nos está a ouvir sobre este tema dos piolhos?

Ter piolhos não é motivo de vergonha e não é falta de higiene.

Muito importante.

É uma situação frequente, tratável. O mais importante é agir com calma, evitar métodos perigosos, procurar orientação e tratar.

Portanto, informar é melhor do que envergonhar. Se suspeitar de piolhos, é procurar aconselhamento na farmácia ou junto do seu médico. Dra. Mariana, muito obrigada por esta conversa.

Obrigada, Joana.

tratardasaude@observador.pt, para onde pode enviar as suas dúvidas. Se preferir, também pode enviar áudio por WhatsApp para o 91 002 41 85. A Dra. Mariana Sobral regressa na segunda-feira.