O acesso ao SNS continua a degradar-se. Cerca de 60% dos utentes que aguardam primeiras consultas de especialidade hospitalares estão à espera fora dos Tempos Máximos de Resposta Garantidos (TMRG), enquanto a lista de espera para consulta hospitalar aumentou 12% no primeiro semestre de 2026, em relação ao semestre anterior, mostram os dados divulgados esta segunda-feira pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS). Também nas cirurgias cardíacas se registou um agravamento, com 62% dos utentes a aguardarem fora do período clinicamente adequado.

No final do primeiro semestre de 2026, aguardavam por uma cirurgia 202.560 pessoas, sendo que, destas, 17% esperavam já fora dos TMRG. A percentagem de utentes a aguardar cirurgia fora dos tempos máximos registou um agravamento, uma vez que, no semestre anterior, eram 16,3% do total.

Incumprimento dos tempos de espera na cirurgia cardíaca agrava-se

No que diz respeito às cirurgias cardíacas, estavam a aguardar, a 30 de junho, 1.744 utentes, sendo que, destes, 62,5% esperavam para lá dos tempos clinicamente recomendados. Também aqui se registou um agravamento do incumprimento dos TMRG relativamente ao segundo semestre de 2025, quando 58,6% dos utentes estavam na mesma situação. A exceção foram as cirurgias oncológicas, com a percentagem de incumprimento a diminuir ligeiramente para os 19,8%.

Segundo a ERS, havia 202.560 utentes em lista de espera para cirurgia no final do primeiro semestre de 2026, o que representa um aumento de 6,9% em relação ao semestre anterior, quando 189.444 utentes esperavam por uma cirurgia no SNS.

Entre as pessoas que esperavam por uma cirurgia, 8.004 utentes aguardavam por uma cirurgia oncológica, uma redução de 2,5%. Foi, contudo, nas cirurgias cardíacas que se registou uma melhoria substancial na lista de espera, com o número de utentes em lista de espera a cair 35,5% entre o segundo semestre de 2025 e o primeiro semestre de 2026 (passando de 2.703 para 1.744 pessoas).

Número de utentes a aguardar cirurgia cardíaca dispara 40%. Lista de espera para cirurgia oncológica também aumenta

Já no que diz respeito às primeiras consultas hospitalares, o cenário não é melhor. “Dos 1.190.445 utentes em lista de espera para primeira consulta de especialidade, 59,8% tinham tempo de espera superior ao respetivo TMRG”, destaca o relatório de monitorização dos tempos de espera da ERS. Trata-se de um agravamento significativo, uma vez que, no segundo semestre de 2025, a percentagem de incumprimento se cifrava nos 43,7%.

[Duarte Lima admite ter estado com Rosalina Ribeiro na noite em que a herdeira milionária desapareceu mas nega ter sido a última pessoa a vê-la com vida. Conta que, depois da reunião que tiveram, no Rio de Janeiro, levou a cliente até Maricá, para um encontro com uma mulher chamada Gisele. É uma versão que não bate certo com as primeiras provas recolhidas pelas autoridades brasileiras. Enquanto Duarte Lima se torna, para a polícia, o principal suspeito do homicídio, perde força a outra linha de investigação. Olímpia Feteira era inimiga assumida da antiga companheira do pai mas garante que nunca desejou a morte dela. E, ao contrário de Duarte Lima, disponibiliza-se para prestar todas as informações necessárias à polícia brasileira. Já pode ouvir o segundo episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]

Quase 70% dos doentes oncológicos prioritários não têm consulta no prazo adequado

No caso das primeiras consultas na área oncológica, 52% dos utentes em lista de espera já aguardavam, a 30 de junho, para lá do tempo máximo. O regulador diz ainda que a maior taxa de incumprimento nas consultas para doentes oncológicos se verificou nos “muito prioritários” (69,2%), que deveriam acontecer em sete dias — um agravamento em relação aos 57,5% do segundo semestre de 2025.

Já nas primeiras consultas na área da cardiologia, 65,8% dos utentes estavam à espera para lá dos TMRG. Quase 90% das primeiras consultas nesta área foram realizadas para lá do tempo máximo. A monitorização da ERS incidiu sobre 10.301 primeiras consultas oncológicas e 24.853 primeiras consultas no âmbito da doença cardíaca.

No que diz respeito às listas de espera para primeira consulta hospitalar, o cenário apresentado pelo relatório da ERS não é também positivo. Os 1.190.445 utentes em lista de espera para primeira consulta a 30 de junho representam um aumento de 12,7% em relação aos 1.056.223 utentes que estavam na mesma situação no semestre anterior, ou seja, a 31 de dezembro do ano passado.

Na oncologia, aguardavam por uma primeira consulta 5.631 utentes, uma diminuição substancial em relação aos 8.874 utentes em lista de espera no final de 2025. Quanto às primeiras consultas na cardiologia, estavam à espera 26.535 utentes, também menos do que 28.234 utentes que estavam na mesma situação no semestre anterior (o que equivale a uma redução de 6%).