Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Este podcast tem o apoio CUF. Nos Centros de Saúde CUF, encontra cuidados de proximidade com a qualidade e segurança de sempre, mesmo à sua porta. Quem tem CUF à porta, tem tudo. Centros de Saúde CUF SA. NPC 509925332.
Já ouviu, com certeza, dizer que o intestino é o nosso segundo cérebro. A expressão parece exagerada, mas a verdade é que a ciência tem vindo a demonstrar uma ligação muito mais profunda entre o intestino e o cérebro do que imaginávamos. Humor, ansiedade, energia, sono, imunidade. Até que ponto tudo isto pode estar relacionado com a saúde intestinal? Neste Dia Mundial da Saúde Digestiva, falamos precisamente sobre esta ligação cada vez mais reconhecida pela medicina. Doutora Vanessa Mendes, bom dia. Bem-vinda.
Bom dia. Obrigada.
Afinal, o intestino é mesmo o nosso segundo cérebro?
De certa forma, sim. O intestino possui um sistema nervoso próprio, o sistema nervoso entérico, com mais de 100 milhões de neurônios. Um número superior ao existente, por exemplo, na própria medula espinhal. Este sistema comunica continuamente com o nosso cérebro através do chamado eixo intestino-cérebro. E é essa comunicação que ocorre através das vias neurológicas, hormonais, metabólicas e imunológicas. Ou seja, o intestino não serve apenas para digerir alimentos, participa ativamente na regulação de múltiplas funções do organismo.
E a microbiota intestinal também parece ter aqui um papel central nessa ligação.
Sem dúvida, e cada vez mais se fala nela. A microbiota intestinal corresponde aos bilhões de micro-organismos que vivem no nosso intestino e hoje sabemos que influencia diretamente o sistema imunitário, o metabolismo e até a inflamação de baixo grau. Aliás, cerca de 70% das células imunitárias encontram-se associadas ao intestino e aproximadamente 90% da serotonina, que é o neurotransmissor associado ao humor e ao bem-estar, é produzida também no trato gastrointestinal. E isto ajuda-nos naturalmente a perceber porque é que alterações intestinais podem ter impacto muito para além da digestão.
E isso ajuda também a explicar porque é que o estresse se sente no intestino.
Exato, é isso mesmo. Aqui o estresse crónico ativa mecanismos hormonais e inflamatórios que alteram diretamente a motilidade intestinal, a permeabilidade da própria barreira intestinal e o equilíbrio da microbiota. E por isso muitas pessoas desenvolvem sintomas digestivos em períodos de maior ansiedade, como distensão abdominal, alterações do trânsito intestinal, a dor ou o agravamento, por exemplo, de pessoas que tenham a síndrome do intestino irritável, também sentem muito nesta fase. Mas a relação é também bidirecional. E quero dizer que alterações intestinais também podem influenciar o humor, o sono, o próprio cansaço e até a capacidade de concentração.
Mas, doutora Vanessa, esta ligação já está bem demonstrada cientificamente?
Sim, e é atualmente uma das áreas mais investigadas da medicina. Estudos recentes demonstram associações entre alterações da microbiota intestinal e doenças como ansiedade, depressão, obesidade e também doenças inflamatórias. Sabemos também que menor diversidade microbiana está associada a pior saúde metabólica e inflamatória. Existe ainda evidência de que determinados padrões alimentares conseguem influenciar positivamente a diversidade da microbiota. Contudo, ainda há muito por compreender, mas hoje a ligação entre saúde intestinal e a saúde global é inequívoca.
O estilo de vida influencia diretamente esta relação?
Influencia profundamente. A alimentação pobre em fibra e rica em ultraprocessados, o sedentarismo, a privação do sono, o estresse crónico e também o uso excessivo, por exemplo, de antibióticos, podem alterar significativamente o equilíbrio intestinal. Por outro lado, a alimentação rica em vegetais, fruta, leguminosas e alimentos fermentados parece favorecer uma microbiota mais saudável e diversificada.
Portanto, resumindo, estamos muito mais ligados ao intestino do que imaginávamos.
Sem dúvida alguma. Hoje é claro que as alterações intestinais têm repercussões sistémicas, afetando diretamente a nossa saúde física, psicológica, e esta evidência científica obriga-nos a redefinir o que é também a abordagem tradicional à saúde digestiva. O trato gastrointestinal superou a função de processamento de nutrientes. Atua hoje como quase um centro regulador do equilíbrio biológico e, portanto, a mensagem essencial é simples: cuidar da saúde intestinal é um pilar indispensável para o equilíbrio de todo o organismo.
Foi mais um "Tratar da Saúde" com a doutora Vanessa Mendes. Até segunda.
Até segunda. Obrigada.