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Continuam as convocatórias das seleções que vão ao mundial. Há jogadores que não foram convocados por causa de fotografias e outros que não vão porque a idade pesa. Alguns vão apesar da provecta idade.

É porque a idade não pesa.

Ou pesa pouco, ou pesa menos. Vamos falar também de perdas de tempo, que a partir de agora passam a ser penalizadas, e finalizamos com um caso caricato de um jogador atropelado em pleno relvado. Também acontece. Há coisas estranhas a acontecer no mundo do futebol. Vamos olhar para a seleção do Irão. Há muita curiosidade acerca da participação do Irão por tudo o que está a acontecer no Médio Oriente e porque este mundial se realiza também nos Estados Unidos, para além de México e Canadá. O selecionador do Irão anunciou ontem os convocados para este mundial. Encontramos lá alguns rostos conhecidos dos portugueses, como Mehdi Taremi, que atualmente está no Olympiacos, mas passou pelo Futebol Clube do Porto, e outros jogadores como Payam Niazmand, que jogou no Portimonense, ou o guarda-redes Beiranvand, que passou no Boavista. Mas a polêmica na seleção do Irão prende-se com Sardar Azmoun, que é um avançado que joga no Dubai, já passou pela Roma e pelo Bayer Leverkusen. E a polêmica é que ele não foi convocado. Ele tem 31 anos, é o terceiro melhor marcador da seleção iraniana, mas foi alvo de muitas críticas por ter aparecido numa fotografia ao lado do primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos, que é um aliado dos Estados Unidos neste conflito, e isso, ao que parece, ter-lhe-á valido não ser convocado para o mundial.

Não me digas que se está a misturar desporto e política.

Eu não sei se o selecionador-

Onde é que isto vai parar?

Ele pode ter usado um argumento puramente técnico, mas parece que houve muitas críticas a este comportamento, e não são de agora. Mas também alguns meios de comunicação do Irão, claro, controlados pelo governo, vieram dizer que esta fotografia tirada com o primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos era uma traição ao país, mas também ele já tinha sido criticado por apoiar os manifestantes. Recordam-se das grandes manifestações que houve no Irão após a morte de Mahsa Amini. Este avançado, que tem 91 internacionalizações e marcou 57 gols, não irá por isso estar no mundial dos Estados Unidos, México e Canadá. E quem também não vai estar no mundial é Luis Suárez, não o do Sporting. O uruguaio, mais velhinho, 39 anos.

Mais velhinho, 39 anos.

Para o futebol é.

Eu sei. Mas é uma realidade.

São outras realidades. Agora imagina, o Messi está lá. E claro, o nosso Cristiano Ronaldo. Luis Suárez tinha anunciado a despedida da seleção do Uruguai em 2024. Entretanto, voltou atrás. Este ano disponibilizou-se novamente ao treinador, ao selecionador Marcelo Bielsa, argentino que está a orientar a seleção do Uruguai. Mas Bielsa, quando anunciou a lista, não incluiu o nome do craque. Continua a jogar no Inter Miami, nos Estados Unidos, mas agora nos Estados Unidos só mesmo de férias, porque não vai poder participar no mundial. Bielsa preferiu Darwin Núñez, Rodrigo Aguirre e Federico Vinhas, e disse que não tem problemas com Suárez, mas que no passado Suárez tinha justificado o seu abandono da seleção com o fato de querer também dar oportunidade aos mais jovens. E Marcelo Bielsa disse: "Olha, ainda bem que falaste isso, porque vais ficar em casa e vais ficar a ver o mundial pela televisão." Também não é mau. Na televisão ou então nas bancadas, não se sabe. Como Luis Suárez neste momento está nos Estados Unidos, é possível que apareça lá nas bancadas a torcer pelos seus companheiros de equipe. Há novas regras no futebol quanto às substituições. De certeza que tu te lembras, Carla, daquele célebre episódio.

Por causa da idade, porque tenho 37 anos.

Não é por causa da idade, Carla, é porque tu acompanhavas estas coisas. Nos anos 90. Não, mas lembras-te.

Já tinha o coração muito destroçado.

Já estavas noutras. Lembras-te daquela expulsão de Rui Costa num jogo contra a Alemanha no apuramento pro mundial de 1998, por um árbitro francês?

Sem dúvida.

Não.

Porque ele demorou um bocadinho mais a sair do campo. Portugal estava em vantagem e demorou um bocadinho mais a sair do campo.

Lembro.

Foi uma das poucas vezes que eu me lembro disso ter acontecido, de um jogador ter sido expulso por demorar muito tempo.

Estado ali a comer um bocadinho de relva.

Em Ganhar.

E a verdade é que estava.

Ia para a saída de campo, mas ainda foi expulso.

Estava cansadíssimo.

Ainda tinha os pés dentro das quatro linhas.

Das quatro linhas, precisamente, mas já não a tocar no esférico, Paulo. E esse episódio ficou célebre. Não me lembro de um jogador, num jogo tão importante, ser expulso por não sei.

Por estar a arrastar o tempo.

Mas agora há uma nova regra.

Há uma nova regra. Agora vai ela estrear neste mundial?

Que já está em vigor e já fez vítimas em jogos de preparação, mas neste mundial é preciso ter atenção a isso. É que se um jogador demorar muito tempo, o árbitro pode expulsá-lo. Aquele jogador vai sair, mas não pode ser substituído de imediato. Ou seja, só pode ser substituído na próxima paragem de jogo, depois de passar um minuto. Ou seja, a equipe fica a jogar.

Não percebi. Então mas fica com 10?

Ele não é expulso. Ele não pode ser logo substituído.

Fica com 10.

Fica com 10.

Durante um minuto.

Durante um minuto.

Um minuto, em jogo de futebolÉ absolutamente irrelevante.

Não, porque só pode ser substituído na paragem seguinte, depois de passar um minuto.

Então depois de um minuto mandam a bola para fora e fica.

Se a bola não sair de campo.

Então, mas espera lá, não é um cartão vermelho.

Não é um cartão vermelho.

Portanto, lançar o complicómetro.

Ou seja, ele vai ser substituído e vai entrar o jogador para o lugar dele, só que esse jogador não entra logo.

Ou seja, o selecionador decide que há uma substituição. O jogador arrasta-se a sair do campo.

Exatamente.

Essa substituição só é efetivada na próxima paragem de jogo.

Só entra o outro jogador um minuto depois. É um pouco como naquelas suspensões, mais no andebol, em que o jogador fica suspenso durante dois minutos. Aqui, obviamente, aquele jogador que está a ser substituído não volta a entrar em campo, mas o outro também não o pode substituir logo. E então tem de passar pelo menos um minuto até que ele possa entrar em campo, mas só depois de haver uma paragem de jogo.

Isto já aconteceu?

Já aconteceu num jogo agora entre a Islândia e o Japão. Um jogador islandês estava a queimar tempo e o companheiro de equipa que o ia substituir só entrou em campo para o seu lugar e, curiosamente, nesse período de tempo, aconteceu um golo do Japão. Lá está. Às vezes estas coisas podem acontecer. A equipa fica reduzida a 10 jogadores e nesse momento o adversário pode marcar.

Enfim, isso é complicómetro. A questão da perda de tempo é compensada pelos descontos.

Claro, com o tempo de compensação.

Perdeu um minuto a sair do campo, dá-se mais um minuto. Mas a malta de futebol lá sabe.

Não, é mais lógico. É mais lógico que depois o período de compensação seja esse.

Há tantas formas de queimar tempo.

Mas vê uma coisa, imagina, isso até pode beneficiar a equipa, o infrator. Imagina que eles estão a queimar tempo, naquele momento estão a ganhar. Entretanto, há uma reviravolta, por assim dizer. Acontece mesmo uma reviravolta no marcador, como se diz em futebolês, e no final ele vai beneficiar do tempo extra, dos descontos, por ter perdido tempo.

Estás a justificar então esta regra? Estamos bem.

Pode ser uma das justificações. Não tenho a certeza. É chamar o Pedro Henriques.

Deixamos o outro pelo menos para amanhã.

Vamos deixar. Do jogador que foi atropelado.

Agora que já resolvemos um dos grandes problemas do futebol.

Eu estou a precisar da intervenção do Pedro Henriques.

Até vimos o Paulo Ferreira interessado nisto.

E agora como é que eles vão cronometrar aquele minuto? Isso também é interessante. Será que vai aparecer no placar?

Pedro Henriques aparece.

Ainda põem uma mulher a arbitrar e depois aquilo vai ser elas.

Isso é que não pode ser.

No futebol.