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Ontem não estiveste cá, Maria João, mas falámos de Sunil Chhetri. Sabes quem foi?
Ah, eu perdi.
Foi um dos grandes momentos do "Três Toques".
Tem nome de prato saboroso de comida asiática.
É uma dose.
Com picante.
Não, médio.
Com molho de soja.
Agridoce.
Sunil Chhetri é uma lenda do futebol indiano. Foi o Paulo que me disse esta informação.
Estava muito perto de tua.
Do Sunil, não foi?
Foi.
Não foi?
Claro.
Foi, acho que sim.
Senão sou eu a liar tarde nessas questões de futebol.
Esses pormenores jornalísticos tu é que descobres.
Ontem estávamos aqui a falar do jogador indiano que representou o Sporting. Eu, depois da Covid, tenho um problema.
Esqueceste muita coisa.
Não, tudo o que aconteceu antes, para mim foi exatamente antes da Covid. Eu pensava que ele tinha passado pelo Sporting por volta de 2018, e afinal já foi em 2012, 2013. Mas a passagem de Sunil Chhetri pelo Sporting é normal que não tenha deixado grandes marcas, porque ele jogou três vezes pelo Sporting B, não marcou nenhum gol e foi-se embora. Atualmente, ele tem 41 anos, ainda joga numa equipa da Índia, o Bengaluru. Está lá desde 2013, ou seja, foi praticamente depois de sair do Sporting que foi logo para este clube, onde, aqui sim, já ficou na história. Disputou 229 jogos e marcou 99 gols. Muito melhor do que a passagem dele pelo Sporting, que tinha aquele objetivo. Lembra-se do Paulo Futre naquela célebre conferência de imprensa ter falado dos charters do melhor jogador chinês da atualidade?
Era chinês.
Este é indiano, também são muitos os indianos.
Agora são mais até do que os chineses.
Até são mais.
A Índia já é o país com mais população do mundo.
Pronto, e o objetivo do Sporting na altura era chegar ao mercado indiano.
Mas deixa-me analisar esses números em profundidade. 299 jogos?
Não, 229.
E 29, 99 gols.
Isso dá uma média de-
Se só dava um para três, então se só lhe deram três hipóteses de cá para jogar, não está muito longe da mesma coisa.
Está bem pensado.
A discutir a produtividade, o Paulo Ferreira.
Vamos falar de números.
Por que será que ele se foi embora?
O Paulo Ferreira.
O Sunil Chhetri.
Ainda fui fazer jogos de teste.
Mas não esqueçam que o Sunil Chhetri continua a jogar. Portanto, se houver algum clube português interessado em entrar no mercado indiano, ou seja, captar a atenção.
E que marque gols.
Isso não é assim tão importante. Porque também houve recentemente um jogador japonês, o jogador mais velho do mundo esteve na Oliveirense. Não sei se lembram.
Sim, até lembro.
56 anos. Pode ser uma oportunidade aqui para um clube português, porque o Sunil Chhetri, para além de ser um maravilhoso prato com caril, também é um jogador de futebol. Por onde é que anda outro jogador que passou pelo futebol português quase com tanto sucesso como o Sunil Chhetri? Gabigol. Lembram-se dele? Gabriel Barbosa passou pelo Benfica. Não foi uma experiência boa para nenhuma das partes. Depois voltou ao Brasil, teve sucesso, foi orientado por Jorge Jesus no Flamengo e agora está no Cruzeiro, até há pouco orientado por Leonardo Jardim, que vai fazer uma pausa. Mas o Cruzeiro foi eliminado nos penaltis na Taça do Brasil contra o Corinthians e os adeptos viraram-se contra Gabigol. Só no Flamengo é que ele mereceu mesmo a alcunha de Gabigol, porque no Benfica-
Não marcou nada.
Não, acho que marcou um gol. Foi em mais três jogos.
Este gol tem a ver com isso. Ok, Gabigol.
Gabigol. E agora os adeptos do Cruzeiro, como ele falhou um penalti, chamam-lhe LixoGol.
LixoGol.
Se calhar, porque lixou mesmo. Falhou um penalti, a equipa foi eliminada. Ele não pareceu assim muito afetado. Ele diz: "Bem, não era a forma que queríamos acabar o ano, mas a temporada foi muito boa. Assume a minha responsabilidade."
Há jogos que são jogos.
Exatamente, há que levantar a cabeça, há que dar a volta. Como dizia Rui Patrício: "Não há volta a dar, há que dar a volta." E Gabigol parece estar aí pronto para dar a volta por cima. Os adeptos é que ficaram um bocadinho aborrecidos com o facto de ele ter falhado o penalti. Falhar um penalti às vezes pode ser assim pesado, não é fácil lidar com isso, como lembra John Terry. Lembram-se do John Terry, central inglês?
Finalmente, um nome.
Um nome, pronto. Não é dos anos 80, é dos anos 2000. Foi orientado por José Mourinho no Chelsea, no início deste século. Ganhou muitos títulos, mas houve uma derrota muito dolorosa. Também teve derrotas nos penaltis dolorosas contra a seleção portuguesa. Esta custou-lhe muito, porque foi na final da Liga dos Campeões contra o Manchester United, em 2008. Eu creio que se o John Terry tivesse marcado o penalti dele, o Chelsea teria ganhado logo a Liga dos Campeões, mas falhou. E disse que nessa noite passaram-lhe coisas, ideias muito más pela cabeça. Para se perceber o impacto que tem nos jogadores, menos no Gabi Gol. O Gabi Gol não pareceu assim tão afetado. O John Terry diz que esteve ali num momento um pouco difícil e que foram os colegas que o ajudaram a ultrapassar, porque isto há quem leve a sério. Não é o Gabi Gol que está descontraidamente a falar sobre ter falhado um penalti. Falhar um penalti é uma coisa que pode perseguir um jogador uma carreira inteira, uma vida inteira, como bem saberá.
Nem todos batem bem.
Nem todos batem bem. Alguns batem muito mal. O Veloso, dessa tu lembras-te?
É um rapaz de quem eu não me lembro. É um rapaz de quem eu não lembro. Da nossa geração.
Eu também me lembro do penalti que ele falhou.
O Veloso?
O Veloso, tu não te lembras do Veloso? É da tua idade, por aí. Não, estou a brincar. Deve ser mais velho.
Achas que eu me lembro de todas as pessoas da minha idade?
Não é isso.
É mais velho. Tem 68.
Que ele foi um grande jogador. Olha, estás a ver? Eu disse-te que era mais velho.
E ao Paulo que ficava ofendido.
O Veloso falhou um penalti. Lembras-te do penalti falhado pelo Veloso?
Eu lembro do Veloso, quanto mais do penalti.
Queres que eu te explique algumas coisas?
Pronto, está bem.
Eu já vos contei.
O penalti.
A mulher do Veloso era estora na minha escola.
Era estora?
Então vocês tinham pessoas famosas lá. Adorável.
Daquela disciplina técnica, como é que era? Não era artes e ofícios.
Trabalhos oficiais.
Trabalhos oficiais. Fazias pia de pulo.
Não era minha professora, mas era lá da escola.
Muito bem.
Marcou aquele penalti que ele falhou. Ainda há pouco tempo eu falava sobre o penalti.
Sim, até eu falo sobre o penalti.
Mas que penalti foi esse, já agora? Foi assim tão importante?
Foi na final da Taça dos Campeões, em 1988.
De que clube?
Do Benfica. Temos de te explicar mesmo tudo. Está bem. Amanhã conto o resto da história.
Percebi que não era a seleção.
Sim, amanhã.
Essa é coisa da Taça dos Campeões.
Ok.
Amanhã. Parte dois.
Fica a história.
Eu vou ficar em pulgas com esse encerramento.
Claro, é o objetivo.
Ficas à espera.