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Hoje o "3 Toques" é com o jornalista Carlos Pedro. Olá, Carlos, bom dia.

Bom dia.

Já tens óculos para ver o eclipse?

Ainda não.

Alerta! Precisamos de óculos para o Carlos Pedro.

Mas há outros alertas para hoje. E não é que casaram mesmo Cristiano Ronaldo e Georgina Rodríguez?

E não avisaram, não convidaram.

Sem cerimônia, sem transmissão televisiva.

Eles são pessoas muito discretas.

Sem que o trajeto da noiva até a igreja tenha sido acompanhado por batedores da PSP.

Da PSP e dos canais de televisão. Não deve ter sido a sério. Assim, não é?

Mas as mãos são mesmo deles.

Achas que não conta? Pois, para famosos não sei se conta. Sabemos pouco, não é?

Parece que aconteceu mesmo. Anunciou o casal nas redes sociais com uma fotografia focada nas alianças. Enquanto não há fotos do vestido de Georgina e do fato de Cristiano, dá para se fazerem as indispensáveis críticas às peças de joalheria escolhidas.

Não há mais nada. Ainda não há memes.

Ainda não há.

Há um comunicado emitido também em três línguas, um parágrafo para cada língua. Nem o comunicado podemos criticar.

Pois não, muito abrangente.

Até a legenda deles. O que escreveram no post do Instagram.

Sim.

C, coraçãozinho, G.

Quase enigmático, mas fora de brincadeiras, parece que Cristiano e Georgina casaram ontem numa cerimônia íntima em Cascais e que contou apenas com a presença dos cinco filhos do jogador português. Imagine-se o espanto das centenas de pessoas que esperaram pelo casal na semana passada à frente da Sé do Funchal. Devem estar absolutamente devastadas. Acho que podemos dizer também que vão acabar os rumores acerca da data, da hora, do local, dos convidados do casamento. A não ser que queiram fazer outra coisa mais espalhafatosa, mas não parece. Talvez daqui a uns anos, uma cerimônia mais religiosa.

Mas para já ficou bem. Teve graça.

Se acabarem os rumores, é bom, claro, principalmente para eles, para o casal e para a irmã Kátia Aveiro, que já não podia mais com as perguntas. Mas, por outro lado, vai tirar-nos teorias da conspiração, que são sempre muito engraçadas. É que aparentemente o Boeing da família real saudita aterrou ontem no Funchal, fez testes no Funchal. Fala-se de um período de férias da família real saudita na Madeira, talvez por causa do Ronaldo, talvez não. Mas ontem os rumores de um casamento na Madeira adensaram-se exatamente por causa disso, com rumores de que o príncipe herdeiro da Arábia Saudita era um dos convidados do casamento de Cristiano Ronaldo e Georgina Rodríguez e que estava a chegar. Portanto, o casamento deveria acontecer esta semana ou no fim de semana. Não foi. Ou melhor, aconteceu mesmo esta semana, mas longe da Madeira, em Cascais. A nós e ao príncipe herdeiro da Arábia Saudita, resta-nos desejar felicidades a Cristiano Ronaldo e à Georgina Rodríguez. Eu fiquei só curioso para perceber se o sim do Ronaldo foi à sua mãe. Exatamente. Fiquei só curioso para saber se foi mesmo isso que aconteceu.

E numa igreja ainda faz mais eco, portanto é que deve ter tido alguma graça. Não se ouviu, a escala de Richter não apontou nada.

Nada.

Foi um sim comovido.

Dava-nos jeito a tal transmissão televisiva ou via TikTok, hoje em dia, não sei, para ficarmos a saber. Vamos ter de esperar por um documentário ou por declarações públicas do Cristiano.

Olha, um documentário.

Exatamente. É ponto para o que se segue. Já está disponível na Netflix a série documental sobre José Mourinho. É dividida em três partes e gera alguma expectativa, porque tudo com José Mourinho gera curiosidade. A verdade é que o próprio já admitiu que este documentário é uma boa oportunidade para o público perceber como ele é completamente louco.

Ele próprio diz.

Exatamente. E também disse que há coisas que só vão ser conhecidas nesta série. Confesso que ainda não vi, mas fui espraitar as notícias que foram saindo acerca desta produção, que durou dois anos e meio a ser realizada. Foram 20 horas de entrevista e depoimentos de muitas e muitas estrelas do futebol mundial. É só mais um trabalho sobre Mourinho, porque mais virão, certamente. Nas palavras do produtor Miles Coleman: "Este foi um estudo psicológico de Mourinho, mais do que uma espécie de biografia, ou cronologia, ou página de Wikipedia, foi um estudo sobre a personalidade de José Mourinho". A série olha, sobretudo, para o primeiro período, a Inglaterra do português, no Chelsea, no fundo, o período em que se torna o tal Special One. E de entre muitas das estrelas que participam nesta série, destaco Alex Ferguson, Ibrahimović, Frank Lampard e o presidente do Futebol Clube do Porto, André Villas-Boas, que foi colega do José Mourinho, e também Luís Figo. Há, no entanto, uma personalidade que quase entrou nesta série. Isto foi contado no podcast Football Ramble, por um dos responsáveis pela produção. A Netflix tentou mesmo juntar o José Mourinho e Pep Guardiola. A rivalidade entre os dois é conhecida, não se têm defrontado nos últimos anos, mas é quase como uma questão de Ronaldo e Messi. Sendo que eu acho, pessoalmente, que Ronaldo e Messi dão-se um bocadinho melhor do que Guardiola e José Mourinho. O que é que nos conta este produtor? É muito engraçada a forma como ele diz que Guardiola aceitou o convite, mas impôs uma condição. E qual era essa condição? Mourinho teria de lhe pedir pessoalmente para entrar na série. Já devemos estar aqui a imaginar o que é que aconteceu, qual foi a resposta do português, diz este produtor: "Mas é que nem pensar". O produtor depois continua a dizer, diz tudo sobre os dois personagens, isso um dos produtores desta série. É, de facto, uma rivalidade muito grande, que já foi mais viva, mas parece continuar presente. E parece continuar presente até porque no documentário, o José Mourinho deixa uma crítica aos treinadores que decidem fazer uma interrupção na carreira, que é precisamente a situação em que se encontra Guardiola nesta altura. Falou-se que podia ser o selecionador italiano, mas decidiu fazer uma pausa na carreira, precisa de estar junto da família. E Mourinho diz que detesta os treinadores que precisam de um período sabático, porque isso significa fraqueza. Enfim. "Eu nunca preciso de descansar, só vou descansar quando Deus me disser."

Ou quando não tiver clube para treinar.

Exatamente, diz José Mourinho. A verdade é que os dois não se defrontam desde 2021. Mourinho tem oito vitórias, Guardiola tem 11 e há ainda sete empates. Eu neste programa queria falar-vos ainda De outra entrevista do Central do Futebol do Porto: Jan Bednarek, que chegou na época passada, entrou imediatamente nas graças dos adeptos portistas e nota-se que está perfeitamente entrosado com a cidade, com o clube, mas acima de tudo, com o clima que se vive no futebol português. Deu uma entrevista muito curiosamente recentemente, falou sobre o ambiente no balneário e fez umas revelações acerca da rivalidade com Lisboa e com os clubes da capital.

Opa, onde é que ele vai meter?

Bednarek diz: "Não posso usar corações vermelhos. Às vezes, se usas um coração vermelho, mesmo que tentes levar na brincadeira, sente-se uma certa dose de seriedade que não deves fazê-lo." Não há qualquer menção aos corações verdes, mas há depois mais duas proibições: não falar de Lisboa e não ir a Lisboa, porque o Porto é fantástico e aqui somos felizes.

Mas isso ao mesmo tempo revela um nível- Não ir a Lisboa. Enfim, de uma certa doença. Não falar de Lisboa. Que é para lá de saudável.

O Paulo já sabe que quando sair aqui da redação do Observador, não encontrará certamente nenhum jogador do Futebol Clube do Porto em Lisboa.

Mas a explicação é porque há tudo no Porto, não é preciso ir mais lá. Somos autossuficientes.

Lisboa só para escalas ou então para jogar contra os clubes de Lisboa.

Para jogar, não para ganhar os clubes de Lisboa.

Exatamente, para ganhar. Eu fiquei a saber também que estas proibições são mais comuns do que parece, aparentemente. Recordamos aqui uma história, por exemplo, no Sporting, durante a presidência de Bruno Carvalho, os jogadores não podiam ter carros vermelhos em 2016.

E não são jogadores. O nível de loucura.

Isso agora já não sei. Diziam que o argentino Alan Ruiz não podia estacionar o Ferrari vermelho no parque reservado à equipa profissional, tinha que estacionar no parque da formação, porque o Ferrari, lá está, era vermelho. Circulou depois o rumor de que o jogador tinha saído do clube por causa deste episódio. Ele negou, disse que não foi por causa disso, mas confessou realmente que é verdade a história do Ferrari. Ele até disse que não podia entrar no clube com o Ferrari, mas depois podia ir pro campo com botas vermelhas. Coates é que não. Com aquela catrefada de informações que vieram a público no caso Football Leaks, o contrato do Coates proibia o jogador de utilizar chuteiras vermelhas ou azuis por causa das cores dos rivais. Coates, defesa central do Sporting. O mesmo aconteceu em Espanha com Van der Vaart, que jogava no Betis, mas não podia utilizar as chuteiras vermelhas do Sevilha. E eu encontrei outros dois casos. Stefan Schwarz, ex-Benfica, que assinou em 99 pelo Sunderland, não podia, durante o tempo de contrato, ir ao espaço. Não podia fazer uma viagem ao espaço porque o clube identificou que ele tinha comprado um bilhete para um voo espacial em 2002, estamos em 1992, e então eles para se anteciparem, disseram: "Não, não vais ao espaço".

Estava no contrato?

Estava no contrato que era proibido Stefan Schwarz ir ao espaço. Um ano depois, novamente Inglaterra, Neil Ruddock era o jogador que tinha uma cláusula que envolvia uma multa cada vez que ele excedia os 98 quilos.

Eu até percebo esta do peso.

Sim, tendo em conta a questão da bola de desporto. Onde eu vi esta história diz-nos que pagou essa multa várias vezes.

Faz dos jogadores mais fortes. Carlos Pedro, obrigada pelos Três Toques. Até amanhã. Beleza.