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Olá.

Três toques.

Três toques. Vamos a isso.

Diz lá, hoje qual é o menu?

Hoje o menu, deixa-me ver aqui.

Põe uns óculos para ver melhor.

Eu tenho que ver? Eu já não vejo muito bem.

Já não vês nada.

Já não vejo nada. Hoje temos apoio entre lendas de desportos muito diferentes, críticas ferozes à FIFA por parte de um treinador português e um presidente que decidiu ganhar o ouro, pelo menos numa versão digital ou de inteligência artificial. É fácil adivinhar de quem estamos a falar. Vamos começar pelos Jogos Olímpicos de Inverno, que já acabaram. Lindsey Vonn, a lendária esquiadora, sofreu uma queda e uma grave lesão. Foi já operada várias vezes. Conhecida como Rainha da Neve, já passou por várias cirurgias e iniciou agora uma longa recuperação. Não sabemos se voltará à competição. E foi aqui que entrou uma figura muito improvável num cenário gelado, alguém que não estamos habituados a relacionar com desportos de inverno: Cristiano Ronaldo.

Está em todas.

Está em todas. Não estamos habituados a relacioná-lo com desportos de inverno, mas estamos habituados a relacioná-lo com redes sociais. E isto passou-se nas redes sociais, uma publicação de Lindsey Vonn que mereceu um comentário de Cristiano Ronaldo. O capitão português deixou uma mensagem pública de apoio, dizendo que os campeões se definem tanto pelas vitórias como pelos momentos em que se recusam desistir e fechou com a frase: "As lendas levantam-se sempre." Eu não sei se a Georgina gostou muito do conteúdo desta publicação. Enfim, é bonito, é inspirador. É aquele momento em que o futebol e o esqui apertam a mão, dão um abraço e dizem: "Estamos juntos nisto." O Ronaldo por acaso nunca sofreu uma lesão muito grave. Eu lembro-me de uma lesão que ele teve depois de um jogo, ainda estava no Real Madrid, com o Marselha e na altura também do Campeonato do Mundo 2022, ele não estaria nas melhores condições. E também em 2014, mas nunca nenhuma lesão com esta gravidade. Mas deu aqui um empurrãozinho.

Um abraço virtual.

Um abraço virtual.

Uma força.

Uma forcinha virtual à Lindsey Vonn. Pois é. Vamos mudar do gelo. Agora não é bem para o relvado, vamos para a sala de conferências de imprensa, onde Paulo Fonseca, o treinador português do Olympique Lyon, criticou duramente o presidente da FIFA, Gianni Infantino, por este ter atribuído um prémio da paz a Donald Trump. Donald Trump recebeu o prémio da paz. Foi o Nobel da Paz da FIFA, que ele tanto queria. Agora já tem. Não sei se é uma estatueta, se é uma palma.

Uma coisa de plástico. Acho que para essas mimadas não se pode dar nada.

Mas Paulo Fonseca, que tem uma ligação muito forte com a Ucrânia, a mulher dele é ucraniana, ele orientou o Shakhtar Donetsk, portanto ele vive tudo o que se está a passar na Ucrânia com uma grande emoção e não se tem coibido de falar sobre o assunto. E, ao contrário do que fazem muitos, não só treinadores, mas também estrelas de futebol, que nestas coisas normalmente evitam tocar nestes assuntos, não querem polémicas. Por um lado compreende-se, por outro também, às vezes podiam ter uma voz mais ativa sobre estas situações. Paulo Fonseca, até pela forma pessoal como está ligado a toda esta situação, de facto não se tem coibido de criticar e dizer aquilo que pensa. E foi isso mesmo que ele disse. Explicou que tendo uma forte ligação à Ucrânia, não entende como se pode falar em paz num contexto em que há uma guerra a decorrer. Existem decisões controversas no futebol internacional. Ele disse que era uma vergonha a atribuição deste prémio da Paz da FIFA a Donald Trump. Foi uma intervenção-

Na verdade, disse o que muitos pensam.

É verdade. E ele disse porque de facto tem esta ligação com aquilo que se está a passar, há familiares da mulher que ainda estão na Ucrânia, portanto, a guerra para ele é uma realidade, não é uma coisa que se vive à distância. É uma realidade que vive no dia a dia. E de facto, esta foi uma intervenção forte, muito emotiva e também com conteúdo político.

E já houve reações?

Já houve algumas reações, alguns a criticarem por extrapolar, passar para uma área política.

Mas quem começou não foi ele.

Quem atribuiu o prémio a Donald Trump foi a FIFA, achou bem fazê-lo. Há esta questão, até onde o futebol deve ir nestas intervenções políticas. Se fazem a pergunta, eu acho que o Paulo Fonseca, como qualquer um, tem direito a manifestar a sua opinião e tendo também este envolvimento pessoal, mais legitimidade ainda tem para falar. Terminamos com uma história. Donald Trump, não é nenhum prémio que lhe foi atribuído, foi um prémio que ele se atribuiu a si mesmo. Aliás, como acontece geralmente. Vocês sabem que nos Jogos Olímpicos de Inverno, os Estados Unidos ganharam as duas medalhas de ouro no hóquei no gelo, em masculinos e femininos.

Que sai, claro que sai.

Claro.

Como é que isso nos passava ao lado?

A equipa masculina não ganhava há 46 anos Desde o célebre Milagre no Gelo. Acho que há um documentário, creio que é na Netflix, eu até comecei a ver um bocadinho, não sei se é na Netflix, se na HBO, sobre essa equipe de hóquei no gelo norte-americana que venceu os, na altura, soviéticos, surpreendendo o mundo, porque os soviéticos eram os favoritos. E essa conquista ficou conhecida como o Milagre no Gelo. Houve mais ou menos também um milagre, porque a equipe norte-americana já não ganhava há muitos anos e as duas equipes norte-americanas derrotaram na final a seleção canadiana, respetivamente, a seleção feminina e masculina. E depois desta vitória, o Trump decidiu celebrar.

É na Netflix.

Na Netflix. Eu comecei a ver, não vi todo. Gosto muito de documentários, e gosto muito de documentários sobre esporte, e esta é uma grande história de uma modalidade com a qual nós não temos, de fato, muita ligação. Então o Trump decidiu celebrar à sua maneira estes dois triunfos históricos. Publicou nas redes sociais um vídeo gerado por inteligência artificial.

Eu adoro a inteligência artificial.

Onde ele aparece a jogar pela seleção americana de hóquei no gelo e a dar encontrões aos jogadores canadenses. No vídeo, eu também sugiro que vejam, é imperdível, surge Trump de fato e gravata, a fintar os jogadores do Canadá, a dar empurrões, e aí está, calma, até a marcar o gol decisivo.

Claro, havia de ser quem? Havia de passar o...

Ia fazer uma assistência. Não. O Trump tinha que ser o herói da partida. Os Estados Unidos ganharam 2 x 1 no hóquei no gelo masculino, e ele aqui nesta versão.

Ainda por cima o Canadá.

E ainda por cima nesta altura.

Tem ali os ingredientes todos. Imagino que nem na Coreia do Norte ainda se fazem essas coisas.

Eles estão a aprender na Coreia do Norte, estão a aprender com o que Trump faz.

Estão a olhar.

Estão a olhar, sim, muito bem. Muito bem, gosto disso. Ainda houve outra história relacionada com o Trump e com as equipes de hóquei no gelo. Ele convidou a equipe feminina para assistir ao discurso do Estado da União, e a equipe feminina recusou, alegando-

Problemas de agenda.

Exatamente.

A sério?

A sério mesmo.

Tinha uma consulta àquela hora.

Tinha um pequeno compromisso publicitário. Recusaram a participação, assistirem ao discurso do Estado da União do Donald Trump.

Ele foi interrompendo o discurso para assinalar a presença de algumas das pessoas, nomeadamente alguns atletas. Não pode falar.

E as atletas não quiseram, até porque duas horas na vida de uma pessoa são muito importantes. Acho que duas horas é mais do que o tempo que demora um jogo. E estar a ouvir Trump era capaz de ser um bocadinho chato.

Preferiram ver o resumo.

Bem, Donald Trump brilhou, ainda que com a ajuda da inteligência artificial. Foi uma espécie de Rocky Balboa dos tempos modernos. Lá está, já não há soviéticos, agora os soviéticos são os canadenses, pelo menos no hóquei no gelo. Uns acharam divertido, houve quem tivesse achado muito divertido. Outros questionaram se fazia sentido transformar uma conquista olímpica real, em que os protagonistas são os atletas, em mais um momento de autocelebração de Donald Trump. Nós já sabemos como é que as coisas são quando se trata do Donald Trump.