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São 8h11, este é o "Som do 3 Toques" com Bruno Vieira Amaral. 3 Toques que, já sabe, também pode ver em direto nas nossas redes sociais ou através do site do Observador. Vamos à pergunta do dia: qual destes países nunca ganhou uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Verão? Peru, Moçambique ou Malásia?
Hoje até trago hipóteses. Hoje estou generoso.
Mãos largas. Pistas. Começa por-
Foi na pista que um destes países conquistou uma medalha de ouro.
Mas eu estou a perguntar: nunca ganhou.
Claro, sim.
Moçambique.
Moçambique nunca ganhou.
Nunca ganhou. Peru.
Peru, Moçambique. Portanto, eu vou dizer Malásia.
E vais ganhar. Vais. Está bem, vamos esperar um bocadinho mais. Olha, este sábado foi o dia dos países pequenos, não foi?
Foi um dia em grande para os países pequenos no atletismo, em duas das finais de sábado. Duas vencedoras improváveis, não pela sua valia individual, são atletas extraordinárias e que partiam não como as principais favoritas, mas com potencial para ganharem medalhas. Mas aqui o que as distingue é serem oriundas de micro países. Nos 100 metros femininos, Julie-Ann Alfred deu a primeira medalha, e logo de ouro, da história à pequena ilha de Santa Lúcia. E foi uma vitória categórica, tipo Usain Bolt. Porque foi com uma vantagem grande para os 100 metros, sobre a grande favorita, que era a norte-americana Sha'Carri Richardson. Julie-Ann Alfred disse que a sua inspiração é Usain Bolt, diz que viu na manhã da prova de sábado, viu vídeos para se inspirar do atleta jamaicano, o melhor velocista de todos os tempos.
Eu também vejo vídeos antes de me levantar da cama.
Do Usain Bolt?
Sim, pra ver se--
Para ganhar energia
Para reavitar.
Mas com ela resultou mesmo e deu para ganhar a medalha de ouro. Depois foi a vez de Thea Lafond a dar a primeira medalha da história. A outra pequena ilha caribenha, a Dominica, foi no salto em comprimento, aliás, no triplo salto, em que a ausência de duas das três medalhadas em Tóquio, Patrícia Mamona e sobretudo a recordista do mundo Yulimar Rojas, da Venezuela, abriu muito a competição. Esperava-se que pudesse ser o dia da espanhola Ana Peleteiro Campore, que foi medalha de bronze em Tóquio, campeã europeia este ano, mas foi Temon a vencer com salto de 15 metros e 2 centímetros, apenas mais um centímetro da marca que deu a medalha de prata à Patrícia Mamona há três anos. E assim, desta maneira, se fez história no sábado no atletismo.
Não se estão a bater muitos recordes olímpicos, pois não?
Não, para já não. Eu creio que no atletismo foi batido um recorde nas estafetas mistas, que não é propriamente uma prova com grandes tradições, mas para já não houve. E sobretudo notou-se muito na natação. Aí atribuem à pouca profundidade da piscina. Foi batido um recorde, creio que ontem também, nas estafetas, creio que foi a Austrália que bateu o recorde. E talvez aquele que tenha sido mais notado nos 100 metros livres do chinês Pan, que bateu o recorde com alguma polêmica à mistura, acusações ou suspeitas lançadas sobre alguns atletas chineses que tinham falhado testes antidoping há uns meses. Não foi o caso deste, mas outros. Mas, de facto, na natação registraram-se poucos recordes mundiais para aquilo que é habitual em Jogos Olímpicos. Há quem atribua isso, de facto, às condições da piscina.
Olha, falaste em história, mas quem fez história foi aquele rapaz, aquele novato.
Um jovenzinho.
Chamado Novak Djokovic. Depois de tanto tentar lá, conseguiu a medalha de ouro que lhe faltava.
E foi num jogo extraordinário contra Carlos Alcaraz, no que foi apelidado, e bem, de um choque de gerações, que aliás se tem repetido nos últimos tempos. Há uma diferença de 16 anos entre os dois. E depois da derrota em Wimbledon, os tenistas defrontaram-se ontem em Paris e era tudo ou nada de Djokovic para alcançar o chamado Golden Slam, que é juntar todos os torneios do Grand Slam, a medalha de ouro olímpica na carreira, é o Career Grand Slam. Algo que só quatro tenistas tinham conseguido fazer até ontem: Andre Agassi, Steffi Graf, Rafael Nadal e Serena Williams.
Os dois primeiros são do nosso tempo.
É, e outros, o McEnroe também deve ser. E a Navratilova. Bem, mas a única a conseguir fazê-lo no mesmo ano, e portanto continua a ser a única tenista entre homens e mulheres a conseguir este feito, foi a alemã Steffi Graf. Ganhou todos os torneios do Grand Slam e juntou em 88 a medalha de ouro olímpica em Seul. Djokovic já tinha conquistado uma medalha de bronze em 2008, mas ontem percebeu-se o que significava pra ele esta medalha de ouro, porque nos Jogos Olímpicos compete-se por um país e ele queria mesmo dar o título olímpico à Sérvia. Além disso, foi um jogo de altíssimo nível.
Foi incrível.
Digno de uma final de Grand Slam Claro, com a diferença de ser à melhor de três sets e não à melhor de cinco, como nos torneios do Grand Slam. Mas, de fato, foi um nível altíssimo, os dois sets foram ao tie break.
Qualquer um podia ter ganho aquilo.
E foi incrível. Percebeu-se ali no final que Djokovic não ia mesmo deixar escapar a medalha de ouro. Era uma oportunidade única. Ele, no final, segundo Carlos Alcaraz, disse: "Ainda vais ganhar a tua medalha de ouro olímpica", e é muito provável que isso aconteça. Djokovic é que já não tinha mais-
O Alcaraz tem 21 anos
Tem 21 anos, portanto ainda tem muito tempo.
Tem tanto tempo ainda e chorava no fim, não sei se viste.
Sim.
Não conseguiu falar.
E foi nessa altura que ele disse que Djokovic lhe tinha dado algum conforto com estas palavras e não são palavras ditas de ânimo leve, porque ele sabe bem o que teve de passar até chegar a esta medalha de ouro olímpica.
Parece que está recuperando de uma lesão e consegue a medalha de ouro.
Sim, e viu-se imagens que foram incríveis. No final, ele chorava e depois ajoelhou-se no chão e as mãos dele tremiam, e chorava. Foi, de fato, um dos momentos mais marcantes destes Jogos Olímpicos até ao momento.
Também acho. Eu fiquei cansada. Aquelas três horas a ver aquilo, eu estava cansada.
Isso é um problema para nós, meros espectadores, porque isto cansa.
Cansa muito. Imagina quem está lá.
Não acho que nós não cansamos mais.
Olha, mas falando em imagens marcantes, há outra, agora esta mais pela negativa, que também aconteceu ontem no badminton.
E foi ontem de manhã e mostra como o desporto e os Jogos Olímpicos proporcionam momentos de glória, mas também momentos muito cruéis. E um desses momentos aconteceu ontem de manhã. A atleta espanhola Carolina Marín, medalha de ouro de badminton no Rio de Janeiro em 2016, foi então a primeira mulher não asiática campeã olímpica nesta modalidade e que, depois de duas lesões que a afastaram dos Jogos de 2021 de Tóquio, regressava agora para tentar recuperar o título olímpico. Eu li várias entrevistas dela na preparação para os Jogos e ela tinha ido mesmo a Paris para vencer e estava no bom caminho, nas meias-finais, depois de vencer o primeiro set contra a chinesa He Bingjiao, e estava em vantagem por 10-6 no segundo. E nesse momento apoiou mal o pé, torceu o joelho, caiu no chão a chorar de dor. Percebeu-se logo que dificilmente teria condições para regressar. Ainda tentou regressar com uma proteção no joelho, mas o sonho tinha mesmo acabado ali. Foi um momento de enorme emoção. Todo o pavilhão se levantou para aplaudir a atleta espanhola. Foi um momento de grande angústia, porque se percebeu, ela chorava, e todo o trabalho de recuperação que ela fez de duas lesões que tinha tido para estar ao mais alto nível nestes Jogos Olímpicos. E naquele momento em que estava a vencer, perdeu essa oportunidade e foi pela negativa, mas foi um dos momentos também destes Jogos Olímpicos.
Vamos à pergunta do dia: qual destes países nunca ganhou uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de verão? Eu digo Peru, a Carla Moçambique, e depois temos outra hipótese, a Malásia. Ganhaste, Bruno.
Ganhei, obrigado. Foi a Malásia.
Palmas para ti, Bruno.
A Malásia, as medalhas que tem são quase tudo-
Podias pôr aqui 10 hipóteses ou só uma.
Tu não te lembras do Moçambique, da Maria de Lourdes Mutola? Ela foi campeã olímpica em 800 metros em 2000. Ganhou uma medalha de bronze em 1996.
Não, o nome sim.
Maria de Lourdes Mutola, a maior atleta de Moçambique.
Mas eu disse Peru.
E o Peru ganhou uma medalha-
Tu não te lembras daquele atleta?
Claro, Edwin Sánchez em 1948 no tiro.
Eras tu, Bruno?
Estavas na escola primária. A Malásia é que nunca ganhou, já ganhou várias medalhas, sobretudo prata, em badminton. Quase todas as medalhas da Malásia são de badminton, mas até agora nenhuma medalha de ouro.