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Arranca agora o Três Toques, sempre com o Júlio Magalhães, também em direto no YouTube, Facebook e no site do Observador.
Ora, para tudo, que hoje temos um Três Toques, sexta-feira, 30 de março, vai ficar para a história. Só vos digo isso. Muito bem, foi feito um desafio aos meus caros coleguinhas do estúdio, que atribuí-vos um país, vocês tinham que arranjar uma história. Portanto, o Três Toques hoje é convosco. Eu vou estar aqui a assistir.
É mais ou menos conosco.
É? Vamos lá ver. Muito bem. Hoje começo eu e vou acabar também, porque sou muito lindo. É verdade. Por acaso, não é para me gabar, mas vocês têm razão neste aspecto. A João ontem andou num alvoroço para encontrar uma história tão incrível e extraordinária quanto ela. Também é verdade isto. E a história que encontrou da Costa Rica é como a costa: tão rica e tão exclusiva, que é melhor ficar para mim, porque eu fico.
Para o fim.
Para mim? Para o fim! Isto é tanto detalhe, acho que se conto-- o quê?
Vá, é melhor ficar para o fim, por quê?
Eu fiquei flabergastado.
É para tu veres o que nós sentimos quando nos pões a ler coisas que não conhecemos.
Com tanto detalhe, acho que já conto com a Carla e o Paulo ficarem envergonhados. Vão sentir que as vossas não estão à altura e eu não quero isso. Vamos lá, então. Por isso vamos à Carla? É a Carla? É a Carla a começar?
Segue o rumo.
Isto era a introdução, agora é que é os Três Toques.
Não, isto não era a introdução, era falar da minha história. Fica para o fim.
A Carla esteve numa investigação profundíssima, equipou-se e mergulhou a fundo na imprensa romena, mas ela é tão extraordinária que foi pessoalmente e num tirinho aos arquivos da Torre Dôm de Bucareste, vasculhou página a página toda a documentação confidencial dos anos de 1998, ainda nós não éramos nascidos, e está pronta para o Pulitzer. E digo-vos mais, depois do que ela me contou, até tenho vontade de sair mais cedo e meter-me já no cabeleireiro para uma mudança visual. Mas esta história é ainda mais importante porque envolve o futebol e a superstição. Carla, conta tudo porque esta investigação precisa mesmo de ser partilhada.
Sou eu?
És tu.
Isto demorou-me, foi muito intenso, e trago-vos uma história da seleção.
Ainda vens com os pés de pato, não é?
Vens no meu mergulho. Ora bem, quero vos falar da seleção de futebol romena, e o Júlio sabe disto muito bem. Esta seleção participou em três mundiais de futebol, ali nos anos 90. Eu até sei de cor.
Claro, eu lembro-me perfeitamente.
Eu sei de cor quais são. Foi o Campeonato do Mundo de Itália em 1990, em 94 nos Estados Unidos e depois em França em 1998. E eu tive que parar aqui, não tive tempo para investigar mais. Estamos a falar da geração de ouro da seleção romena. O que acontece neste Campeonato do Mundo? Eles ganham os dois primeiros jogos da fase de grupos com a Colômbia e a Inglaterra. Portanto, conseguiram o apuramento nos dois primeiros jogos e já estavam apurados para as oitavas de final, só tinham que jogar com a Tunísia. O que é que aconteceu? Quando ganharam com a Colômbia, os jogadores fizeram um desafio ao treinador. Lembras-te de quem era o treinador, Júlio? Iordanescu. O selecionador romeno.
Iordanescu.
E disseram assim: "Ó mister, se formos apurados, o mister rapa o cabelo". E o mister disse: "Está bem, sim, aceito isto". E os jogadores: "Se o mister rapar mesmo o cabelo, nós pintamos o nosso cabelo de amarelo. Vamos todos em campo pintados de amarelo". Venceram, primeiro foi a Colômbia, depois venceram a Inglaterra, apurados, e fizeram com que o selecionador cumprisse a sua promessa e rapasse o cabelo. Então tiveram de cumprir a promessa dos jogadores, que foi: vamos todos pintar o cabelo de amarelo. Houve algumas hesitações, mas lá decidiram, foram para o hotel, pediram aos funcionários do hotel para chamarem dois cabeleireiros para descolorarem o cabelo de toda a gente. Isto foi uma operação altamente secreta, ninguém sabia de nada. Não contaram a ninguém mesmo, nem à família, ninguém os viu, porque foi logo a seguir ao último treino. Quando saíram dos quartos, os funcionários do hotel achavam que aquilo era uma equipa diferente. Não reconheciam.
Quem são estes? Infiltrados.
A família ficou em choque, mas o pior foi mesmo quando eles entraram em campo, porque ninguém sabia quem eles eram. A maior dificuldade era para os jornalistas que lá estavam a fazer o relato, não os conseguiam identificar. Houve uma vergonha enorme por parte sobretudo dos jornalistas romenos, porque os outros colegas iam dizer: "O que se passou com a tua equipa?"
Isso na década de 90 não era comum. Hoje já é, pintam os cabelos.
Pintam, cortam, tatuam. Mas aquilo era muito feio, porque ainda por cima, Paulo, como sabes bem, o equipamento da seleção romena é...
Claro, é o equipamento da seleção romena.
É vermelho. Agora imaginem, equipamento vermelho, cabelos amarelos, aquilo era terrível.
É aquele equipamento, toda gente sabe.
Era terrível. Há quem diga, e nos meus arquivos eu li isso, que parecia uma caravana de albinos. Muito feio. O que se passou? O jogo não correu nada bem com a Tunísia, mas eles já estavam apurados, portanto, lá conseguiram empatar o jogo e passarem à fase seguinte, aos oitavos de final, mas já no fim desse jogo, tamanha vergonha, o Iordanescu, o selecionador, confessou aos jornalistas no fim do jogo que: "Irritámos Deus". E tudo achou que correu bem. Irritaram mesmo, porque depois com a Croácia, nos oitavos de final, perderam por 1 x 0, mas diz que jogaram muito mal e que foi vergonhoso. Foram eliminados e aqui é que entra a parte da superstição muito importante. Nunca mais a seleção romena voltou a ser apurada para um campeonato do mundo.
A maldição do cabelo.
Mas é que o Hanjuca não pinta o dele, é só por isso.
Nem pensar.
Ao ponto do Platini já ter dito, depois disso, a outros jogadores romenos: "Vocês nunca mais pintem o cabelo, nunca mais façam isso". Mas é que nem para eles foram bons, porque muitos anos depois, um dos jogadores, o nome é irrelevante, era um ponta de lança.
Diz isso. Estamos à vontade, Carla. Estamos preparados.
Craiovêniu Ele disse: "Santinho".
Santinho.
João, não me desmintas, por favor.
Não, está bem. É capaz.
Ele conta que aquela operação de exploração correu tão mal que lhe queimou o couro cabeludo, perdeu tufos de cabelo. João, ri-te.
É para verem o que as mulheres sofrem.
E tinha tantas dores durante três noites. Dormiu sempre ao mesmo lado da almofada, foi horrível. Pronto, eu estou exausta.
Isso é que foi uma investigação de ambas.
Mas com o agradecimento à Sofia, que me ajudou. Não sei quem é a Sofia, mas vou dizer à Sofia.
É a Sofia Ribeiro.
Eu aviso a Vera Jaros, a Manuel Fernandes e o Miguel que não há nem bom, mau, vilão, nem nada. Vamos lá. Olha, Paulo calhou a tarefa mais dura. Dura do resto, só não estivéssemos a falar do Corno de África. Por outro lado, sabemos todos que tiveste a ajuda do público, mas também isso era uma tarefa para especialistas em desporto no continente africano, como toda a gente sabe qual é. De certeza que nas pesquisas que fizeste e descobriste no Djibouti uma vida vibrante. Dou o pontapé de saída para esse país que tem Kadra Mahamoud Haid como Primeira-dama.
Muito bem, é verdade.
Pronto, Paulo, agora segue tu com as informações que eu também partilhei.
Olha, partilhaste. Isto foi, de facto, uma contribuição fantástica.
Um trabalho de equipa.
Um trabalho de equipa. A Sofia Ribeiro também ajudou.
Pai, não vamos ter tempo para mim. Que chatice.
Mas é assim, falar de Djibouti-
Mas olha, deixaste passar outra vez.
Não, deixa estar. Era hoje, isto tinha um prazo. Está-me dores na cabeça, eu tenho que vir para a esquerda. Qual é a capital do Djibouti?
É Djibouti mesmo.
Ah.
E tem cerca de 1 milhão de habitantes, sabias?
O Paulo vem preparado.
Queres saber o PIB per capita?
Não, mas a língua oficial, qual é?
É francês.
Como é que se chamam os habitantes do Djibouti?
Djiboutianos.
Hoje não nos chapamos.
Bom, falar de Djibouti e desporto é falar de maratona, basicamente, em termos de desporto, como possibilidade. Vocês todos sabem, lembram-se do Ahmed Salah?
Claro.
Lembram-se, não é? Vem-nos algo à memória. Ele foi medalha de bronze.
Ele é djiboutiano?
É djiboutiano e ganhou a medalha de bronze na maratona em 1988, em Seul, que aliás é a única medalha olímpica do país, Djibouti. Já agora, sabem quantas medalhas foram atribuídas desde sempre nos Jogos Olímpicos todos?
Isto não tem a ver com Djibouti.
Um palpite? Não. Um palpite: foram 20.281. É muita medalha, já.
Então 81 a quilômetro. O Paulo está a dar tudo, a mostrar todo o seu conhecimento.
Seguindo. Ele foi o porta-bandeira da delegação do Djibouti em 2008, depois já em Pequim. E acaba aqui a história da maratona.
Mas quantos quilômetros tem a maratona, Paulo?
42 quilômetros.
E quantos metros?
42 mil metros.
Não, mas 42 quilômetros e 125 metros.
Mais uns trocos.
Mais uns trocos.
Mais IVA. Bom, mas acaba aqui a história da maratona. Atenção, porque a maratona não é sequer o desporto mais popular. Sabem qual é o desporto que mais se pratica no Djibouti?
Não.
Começa por um P, acaba num A.
Pau ao gato.
Gato? Pau ao gato.
É o petanca. Aquele desporto.
Já falámos disso.
Já falámos, mas agora estamos a falar de Djibouti.
Calma, é outra coisa.
E por quê? Porque sabem que é aquele desporto que se pratica com bolas de metal, que se atiram.
O Júlio cá já expetou isto. Tínhamos espaço aqui para jogar.
Sabem como é que se chama a bola pequenina de madeira, que é a referência para a qual temos que atirar as bolas de metal?
O tankazinho. O Júlio sabe.
Chama-se cochonnet em francês, que é leitão. É mesmo leitão, porco pequenino, basicamente. E então, aqui o objetivo é de facto atirar as bolas de metal e aproximar do cochonnet. Estamos em cima da hora, não estamos?
Estamos, mas temos tempo para o leitãozinho.
É só para vos dizer.
Leitãozinho há sempre tempo.
O petanca foi levado para o Djibouti depois da Segunda Guerra Mundial, quando alguns soldados regressaram do Djibouti, estavam lá tropas francesas e levaram para lá o desporto. Depois, quando chegou a eletricidade, nos anos 60 e 70, ao Djibouti, eletricidade de rua, o jogo teve um grande impulso de popularidade, porque as pessoas juntavam-se junto aos candeeiros com a iluminação e podiam jogar já depois do pôr do sol. E por que é muito popular? É barato e é um país pobre, o Djibouti. Reparei que não queres saber qual é o PIB per capita. Não digo nada, porque não sei.
Era a única que podias ter feito, Carla, que ele não tinha resposta.
É um desporto barato, é um desporto tranquilo e, portanto, não exige esforço físico. É bom para mim e bom para temperaturas como a do Djibouti.
Quais são as temperaturas médias do Djibouti?
A temperatura média no dia 17 de agosto. E o Djibouti já tem jogadores a nível internacional de petanca. Só os homens jogam, porque é um país islâmico e as mulheres começam agora lá o primeiro passo nalguns desportos, nomeadamente no andebol, já têm uma equipa de andebol.
Olha, no Djibouti estão 29 graus esta hora.
Neste momento. Está bom, está melhor.
Estão abafados.
Ficaram com este banho.
Foi uma investigação, um banho cultural do Djibouti. Estou impressionado com isto. Ora bem.
Ora bem. E temos tempo? São 18h22?
Ainda não.
E a tua rica costa?
A tua era incrível.
A minha costa era riquíssima, mas não temos tempo, são 18h22.
É?
É.
Fica para a próxima.
Fica para a próxima. Foram três toques da Rádio Observador hoje. Foi incrível mesmo.
Não, achei magnífica, grande investigação. E já estou a receber mensagens dos ouvintes a dizer: "Três Toques sempre assim."
Isto nunca mais se repita.
Já estou a dizer sempre assim.
Nós estamos a receber outro tipo de mensagens.
Não, não é.
Não, já não. O teu outsourcing acabou aqui.
Vocês não estão ainda com o ritmo, porque não deu tempo para explicar. Só deu tempo para escrever aqui uma palavra qualquer, "flavour guest", mas não sei para que propósito é que escreveu aqui isto.
É espasmático, ficas espasmático com tanta pesquisa que eu fiz.
Mas foi uma investigação seríssima.
Foi incrível, não foi?
Parabéns, foi um sucesso isto. Adorei, devo dizer.
É ao contrário.
Eu nunca tinha ouvido nada igual, devo dizer-vos que sim. Ora bem, este fim de semana há desporto, atenção.