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Olá, bem-vindos à Vixi Suave. Estamos em época natalícia e Luís Montenegro deu um presente a Nuno Melo: um lugar no Parlamento. À direita está lançada a nova Aliança Democrática ou, se quiserem, uma PAF sem Passos. Do outro lado, o problema de Pedro Nuno Santos é a humildade. Costa foi como os Reis Magos e foi até Belém e levou ouro, que é 2,4 mil milhões de euros do PRR, incenso, porque cheira que vai regressar à política, e mira, isto o verbo mirar, porque ele continua a jurar que a dívida mira cada vez mais. Vamos então a esses cumprimentos.

A ser sincero, estava convencido que ia durar mais um tempo.

Eu sei que nunca experimentou presidir com outro primeiro-ministro. E há uma coisa que lhe posso assegurar é que nos habituamos.

Esquecer-se da política é impossível. Isso é impossível. Eu profetizo que mais rapidamente o senhor primeiro-ministro estará a braços com essa sua vocação natural do que eu estarei no futuro.

Estou ainda mais confiante no nosso país, se quiser, mais otimista no futuro do nosso país. Bom Natal, um ótimo ano de 2024, um ótimo ano de 2025 e depois em 2026 estamos reentra com o que tivermos.

Eu acho que valeu a pena.

Vale sempre a pena quando a alma não é pequena, dizia Fernando Pessoa, e os heterónimos, quer de Marcelo, quer dele próprio, como diria alguém, António Costa, creio, diz que o presidente tem heterónimos. Eu sou Rui Pedro Antunes, editor de política do Observador, e comigo tenho esta gripe que conseguem perceber, e também o repórter parlamentar Miguel Viteiro Dias e as jornalistas da seção de política do Observador, Mariana Lima Cunha e Inês André Figueiredo. Vai começar a Vixi Suave. O meu nariz é como o centro de Lisboa, está congestionado. Olha, e eu sugeria que começássemos por uma sopa Juliana. Mariana, vai pratica para rimar Juliana com Mariana.

Sim, Juliana passa a rimar com Mariana, mas nós estamos a falar da Júlia, acho eu. Estive a ver atentamente o programa da Júlia Pinheiro esta semana. Aliás, tivemos todos, até parámos aqui um bocadinho na redação para esse momento, e não foi lúdico, era mesmo porque Pedro Nuno Santos estava lá.

Ainda bem que ele disse que já tinha marcado antes de ter havido a crise política, porque podia ser um ato vingativo, que é o Manuel Luís Goucha é uma das personalidades independentes da lista do movimento do Luís Montenegro. Podia dizer: "Ah, é Goucha? Então vou à Júlia." Ainda bem que não foi vingativo.

A batalha dos talk shows. Sim, mas dizia eu que estivemos a ver atentamente Pedro Nuno Santos, e foi engraçado porque, de facto, a visita à Júlia já nos deu várias pistas. Ele esteve nesta semana de arranque ainda claramente a pré-aquecer, se calhar, os motores.

Foi a primeira entrevista, foi à Júlia.

Estes dias parecem anos, Miguel, não me quero comprometer.

Simbolicamente, a primeira entrevista foi à Júlia.

Pelo menos diziam no oráculo, mas os oráculos não andam muito certos.

Sim, cuidado não apareça aí um pessoal.

Tu disseste pré-aquecer?

Não, eu estava a dizer pré-aquecer. Não estou envolvida na luta interna do PS onde houve essa acusação. Pedro Nuno Santos tinha um discurso de prec dos apoiantes do Luís Carneiro. Agora já passámos essa fase, estamos na fase em que Pedro Nuno Santos é candidato a primeiro-ministro e, portanto, o seu primeiro ato oficial foi visitar oficinas de comboios, acho eu. Sim, a prévia vista da sua obra como ministro.

Enfim, eu não tenho isto confirmado, o que é desde já um perigo. Mas ouvi dizer que ele chegou com 40 minutos de atraso e mesmo assim chegou antes do que é habitual naqueles comboios.

Isso já não sei, mas enfim, foi a mostrar que faz, que é aquela fama que Pedro Nuno Santos quer promover e quer gerar à sua volta, que é o tal fazedor. E depois foi à Júlia, até porque pelo que nós percebemos, Pedro Nuno Santos tem estudos que lhe indicam que ele tem uma imagem arrogante.

Não lhe indica nada, por acaso.

Não sei se te perguntaram nesse estudo, se lhe ligaram para sondagem, mas há quem diga que sim. E portanto, Pedro Nuno Santos tem essa preocupação, evidentemente, para resolver, uma vez que é candidato a primeiro-ministro e não convém ter essa imagem. E ele fez já algum trabalho junto de Júlia Pinheiro, no caso, e dos seus espetadores esta semana. Mas na verdade, também deu pistas políticas engraçadas, porque ele é questionado nesse programa sobre o seu discurso inicial como líder do PS, no Rato, ele admite que foi improvisado e admitiu também que não foi espetacular. A maior parte do comentário com a Marta Coelho.

Eu acho que o que ele queria dizer não foi espetacular, foi fabuloso, foi extraordinário.

Se calhar cortaram nessa parte, mas aquilo que de facto acabou por dizer é que não foi espetacular.

Não, era um ato de humildade.

E isto é um ponto importante, por quê? Porque de facto o discurso foi muito criticado por não trazer nenhuma novidade. Ou seja, pareceu mais um discurso dos que ele fez em campanha. E muito discurso à Pedro Nuno, que é muito junto dos seus apoiantes, muito galvanizador, muito aquele ambiente de estavam todos ali, os velhos amigos a cumprir um sonho, a vê-lo finalmente a ascender ao palco e tal. Mas aqui já estamos a falar para o país, já não estamos a falar para eles. E portanto também houve dentro do PS e na ala pedronunista, quem sentisse a falta de haver uma medida mais concreta, uma ideia já mais concreta para lançar.

Aliás, o texto que escreves com a Rita e que esteve em manchete até há umas horas no Observador, falam nessa pressão para ele apresentar algumas medidas.

Que pelo que nós percebemos vai acontecer, se não houver alguma antecipação antes, que é possível, mas o que está planeado é que aconteça já no congresso, que acontece no primeiro fim de semana de janeiro, haver uma apresentação de medidas concretas. Pelo que percebemos haverá certamente uma dedicada à habitação, que não só é dos maiores problemas sociais que temos agora, como foi uma área que foi da responsabilidade de Pedro Nuno Santos enquanto ministro Quando eu digo que os motores estão a aquecer, estamos ainda em preparação de medidas, ainda não são conhecidas nenhumas medidas concretas, como ouvido alguns apoiantes de Pedro Nuno Santos, numa expressão muito portuguesa, mede-se o Natal e há aqui um tempo mais de posio agora, mas convém acelerar um bocadinho.

Ele já disse que dia 25 e 24 ninguém quer ouvir políticos.

Exatamente. Também na Júlia, portanto só vistas importantes.

O ano passado começámos a ouvir falar de Alexandra Reis por volta de Dezembro.

Pois foi.

Repara que no PSD é dia 5, 6 e 7. Seis é dia de Reis. Acho que é uma boa oportunidade para lembrar Alexandra Reis.

E pode ser que traga presentes no congresso. Só para dizer que há só mais uma pista aqui que há para seguir, que é o desejo de vários apoiantes, tanto Pedro Nuno Santos como de José Luís Carneiro, de que haja listas conjuntas. Ou seja, há uma ideia de que de facto as eleições estão tão próximas que não há hipótese de estarem a discutir em palco quem é que fez o quê durante a campanha interna e o ataque já é completamente virado para a direita, para o Chega. Pedro Nuno Santos está satisfeitíssimo por Pedro Passos Coelho ter vindo a jogo esta semana, porque o PS acredita que lhe sai a lotaria sempre que Passos aparece. Temos uma candidatura a primeiro-ministro a aquecer lentamente. Vamos ver se depois do Natal isto acelera.

Eu percebi logo que era um artigo com muitas pistas, porque no título estava que ele ia tentar um sprint. Só aí percebi logo que estávamos no domínio do atletismo. Rui Rio dizia que era um maratonista, não era um sprinter. Pedro Nuno Santos agora é obrigado a ir um pouquinho mais depressa. Mas para já, agora é Natal.

Sim, agora é para desfrutar.

Miguel, tens alguma coisa a acrescentar?

Tenho só duas leituras políticas a retirar desta entrevista muito rápidas, que é: afastou-se de António Costa e aproximou-se do Bloco de Esquerda. Em que sentido? Afastou-se de António Costa porque diz que Catarina Gamboa, a mulher, não gosta de aparecer no palco e nas campanhas, que é o total oposto de António Costa, que anda com Fernanda Tadeu em campanha. Aproxima-se do Bloco de Esquerda porque referiu duas vezes que tinha uma vida boa e queria proporcionar uma vida boa às pessoas.

Mensagens subliminares.

Aproxima-se do slogan do Bloco de Esquerda. São estas as duas leituras que eu tiro .

Nós até dia 8 de março, primeiro concerto de Slow J, prometemos falar todas as semanas aqui na Vixi Suave sobre o assunto. Está prometido, pelo menos naquelas em que será eu aqui a estar. O Miguel pode me poupar a isso. Mas para dizer uma coisa que ele também diz, que é: se calhar devia ser mais redondo. E isso não é inocente, porque Luís Paisão Martins, aqui na Vixi Suave, disse que António Costa era um candidato redondinho, sem arestas, que era fácil vender, que tinha uma baixa taxa de rejeição. Pedro Nuno Santos conhece bem essa expressão e quando ele diz: "Se calhar devia ser mais redondo, dizem-me para ser mais redondo", está a atirar diretamente a isso, também é uma indireta a António Costa.

Deixa só dizer uma coisa, Rui, que o Pedro Nuno Santos também tem de perceber quem é que quer ser. Porque ele tanto se promove como uma pessoa que é capaz de toda a moderação e que não é radical, ele só tem convicções. Nós vimos Pedro Nuno Santos a pedir desculpa ao país e a António Costa, fazer um mea-culpa que muita gente no PS interpretou como molhação quando foi o caso do aeroporto, e agora vímo-lo em campanha a promover esse ato como se fosse um sinal de determinação e de capacidade de fazer. Acho que ele também ainda tem de perceber um bocadinho, afinal, resolver-se em relação a estas cicatrizes que traz e perceber se isso, afinal, são valências ou são coisas erradas e pelas quais ele reconhece que esteve mal.

Ainda está numa fase de definição, de facto. Vamos avançar para a próxima sopa. Estou a suspeitar, Inês, que seja melhor passar para a próxima sopa, para uma sopa de fusão. Isto não é Dragon Ball.

Bem, suponho que estejas a falar da coligação PSD/CDS.

Da coligação PSD/CDS e também, como diria o PCP, os seus sucedâneos PSD.

Sim, eu creio que há várias notas importantes a retirar, principalmente das reações a essa coligação ou a este segredo mal guardado, como dizia ontem André Ventura no jantar de Natal do grupo parlamentar. Em primeiro lugar, e vou começar já por aí, André Ventura diz que não aceitava entrar numa coligação, mas ninguém o convidou.

E a casamentos e batizados.

Exatamente.

Estamos só a dizer que isso era um segredo, também se costuma dizer quando um segredo está mal guardado, que é de polo e chinelo. Neste caso era de polo, que é a malta, o polo do CDS microada cristão, e o chinelo, que é para quando estão na comporta lá a coligação de direita. É um segredo de polo e chinelo.

Ontem o André Ventura dizia que se calhar também podiam juntar modernassos, referindo-se à Iniciativa Liberal, não sei se é um nome de chinelo ou não, acho que não, mas pode ser uma nova-

Mas é um segredo de polo e PS

Exatamente, pode ser uma nova moda na Assembleia da República. Mas voltando aqui ao raciocínio, se o Chega já estava isolado no espectro político português, a aproximação das eleições antecipadas levou o PSD a ser muito mais perentório sobre isso, com vários dirigentes a dizer constantemente e a sublinharem o não é não. Aliás, há pouco estávamos aqui a falar de Hugo Soares, esta semana teve dois momentos na televisão portuguesa onde teve de sublinhar esse não é não e até de forma um pouco irritada. E quanto à Iniciativa Liberal, é uma história um bocadinho diferente, porque foram os próprios liberais que se colocaram de parte, mais uma vez, e já depois daquela nega a Carlos Moedas nas autárquicas de Lisboa, agora optaram por ir sozinhos a votos outra vez. Ainda assim, obviamente que nenhum dos dois partidos ignorou o anúncio da coligação. Tiveram até os dois os jantares do grupo parlamentar ontem, na quinta-feira, sendo que o do Chega foi à porta fechada e só abriu para o discurso e o da Iniciativa Liberal foi aberto a todos os membros, num formato completamente diferente. Mas enquanto Rui Rocha lembrou que a Iniciativa Liberal vai sozinha porque quer e porque tem a confiança nas suas ideias e nos seus candidatos, André Ventura, em termos políticos, olhou para a coligação como sendo uma prenda para o PS, e estávamos há pouco a falar do facto de cada vez que Passos Coelho aparece também ser um presente para o PS, e vou já à aparição do ex-líder do PSD. Mas falou também de uma ressurreição de partidos mortos

E eu diria que teve um regresso instantâneo ao presidente do Chega que o país conhece há vários anos, porque gozou, ironizou, foi sarcástico. Eu diria até que reagiu com algum mau gosto quando disse que o anúncio da coligação devia ter parado as guerras do Médio Oriente e da Ucrânia. Toda a gente conhece o tom histriónico de Ventura, mas se calhar passou aqui um bocadinho os limites. Ainda há pouco tempo tentava vestir o fato de moderado, de um líder partidário com sentido de Estado e ainda por cima numa época natalícia, que ele é tão religioso, e se está interessado realmente em chegar ao eleitorado do PSD, como tem dito, não me parece que consiga com este regresso ao líder que realmente habituou o país, mas que acho que passou um bocadinho a barreira do bom gosto e do bom senso ao referir-se. Tudo bem, brincou com o Facebook e com o Twitter, o fato de terem parado, mas ir às guerras da Ucrânia e do Médio Oriente parece um bocadinho demasiado.

Ele também levantou dúvidas sobre o nome, não é?

Sim, ele levantou dúvidas sobre o nome, disse que tendo em conta a lei dos partidos políticos, que o nome só podia ser usado se a coligação fosse composta exatamente pelos mesmos partidos, neste caso, não está incluído o PPM. Resta saber se é verdade ou não esta parte, mas ele diz que esta coligação provavelmente não poderá ir avante com este nome. Vamos perceber também nos próximos tempos se é assim ou não. Só acrescentar que no meio disto tudo, André Ventura aproveitou essa tal aparição de Passos Coelho para se colocar às cavalitas do ex-líder do Chega, de quem já foi muito próximo noutros tempos. Passos Coelho era líder do PSD quando André Ventura foi vereador em Loures. E fez isso logo depois das declarações, que na minha opinião não podem ter uma leitura tão taxativa como a que o presidente do Chega fez delas, e voltou a fazê-lo ontem nesse jantar. No fim do dia, todos sabemos que Passos Coelho não tem um cordão sanitário ao Chega como Luís Montenegro tem, e Ventura sabe-o melhor que ninguém, parece claramente estar à espera de um milagre de Natal para que se corra com Luís Montenegro e venha Passos Coelho substituí-lo.

E Passos Coelho pode dizer que quer derrubar o muro e trazer o Chega para dentro do arco da governação, como António Costa fez em 2015. Só uma coisa curiosa, que no comunicado da nova AD estava PSD, CDS e uma bandeira de Portugal com esfera armilar.

São os independentes.

Aquilo foi de propósito, naturalmente, por causa do logo do governo, que Luís Montenegro de facto já disse que se for governo vai voltar.

A primeira coisa que faz é revogar a imagem do governo.

Ainda bem que já temos ideias para o país. Podemos avançar.

Desta não se lembrou Pedro Nuno Santos.

Miguel, sobre a AD, tens alguma coisa a dizer sobre a sopa de fusão?

A confirmar-se as informações públicas de que o Nuno Melo vai conseguir eleger pelo menos três deputados e o quarto fica na zona cinzenta, é um excelente negócio que o CDS faz, talvez o melhor negócio da última década do partido. Mas fica a dúvida.

Volta a parecer quase uma frase de piada, o slogan "Portugal merece um governo CDS". E agora pode ser possível.

Sim, exato. E consegue fugir a essa extinção. Isto é quase uma coligação de salvação, não nacional, mas do CDS. Mas fica a dúvida sempre sobre quanto é que o partido vale sozinho ou se ainda valeria alguma coisa, que era uma curiosidade mais teórica e que agora não se vai poder verificar, embora, lá está, esse bom negócio de Nuno Melo mereça mérito por parte do atual presidente do CDS.

Vale mais dois deputados, ou três, ou quatro na mão.

Do que quatro a voar.

Quatro a voar, sem dúvida. Só para terminar, Mariana, houve cumprimentos de Natal entre Marcelo e Costa e é só um ponto, uma sopa de Natal muito rápida. O presidente parece que diz que Costa está pronto para voltar em breve e que vai ser antes dele. Há sinais disso, não?

Sim, acho que António Costa tem passado as últimas semanas em campanha ativa, a dar entrevistas, a mostrar os bastidores do Largo do Rato. E cada vez mais, quanto mais tempo passa e parece que mais confiante fica em que do processo judicial não vai sair nada contra ele, mais solto fica em relação ao seu próprio futuro político. E apesar de nós termos visto uma degradação nas relações entre Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa nos últimos tempos, eu a ver os cumprimentos de Natal ontem e os elogios que fizeram de parte a parte, lembrei-me de um texto que escrevemos há uns tempos com os bastidores de audiências de partidos em Belém, em que uma das fontes nos contava que Marcelo lá dentro dizia que não vai haver outra dupla como esta. Eu acho que Marcelo Rebelo de Sousa já deve estar nostálgico, porque por muito que discordassem, que ele tenha feito uma pressão gigante sobre o governo nos últimos meses, sempre falando de dissolução, que era uma coisa que eu acho que ele nem queria, mas tanta pressão fez que acabou por acontecer quando ele se calhar não queria e quando vai ter um centro mais apertado e até extremos maiores.

É caso para dizer Marcelo, habitua-te.

Eu acho que ele pode já estar com saudades.

Mas da última vez que ele disse habitua-se, correu mal. Caiu mal. Não, correu mal no sentido que ele habitua-se que eu vou ficar e afinal não ficou. Estamos mesmo a chegar ao fim. Regressamos já a seguir na segunda parte com o candidato ou cabeça de lista da CDU às europeias, João Oliveira. Ora, bem-vindos à segunda parte da Vixi Suave. Connosco temos João Oliveira, foi líder parlamentar do PCP e agora já foi anunciado como cabeça de lista às eleições europeias do próximo ano. Bem-vindo, João Oliveira. Depois de ter falhado a eleição para o Parlamento Português em 2021, vai ser candidato às europeias, como acabei de dizer. Foi escolha sua, sendo que já teve a sua dose da Assembleia da República ou o partido encarregou da tarefa e acabou por aceitar?

Olá a todos. Isso é sempre uma combinação dos dois elementos. Sem a disponibilidade individual, não há decisão coletiva que se possa fazer e, portanto, tendo em conta estes dois fatores, naturalmente, essa decisão é composta com esses dois elementos.

Mas se o convite fosse para a Assembleia da República?

Essas circunstâncias a gente tem que pesar sempre em função do percurso que já passou, do percurso que já teve e das necessidades que em concreto se colocam à nossa intervenção e das exigências que se colocam em cada momento, em função das batalhas políticas, porque a eleição não tem só o elemento do exercício do cargo em concreto, tem sobretudo a perspectiva da batalha política que é a eleição para cada uma dessas responsabilidades.

Mas disse que era preciso uma vontade pessoal e uma vontade do partido. Se fosse pra Assembleia da República, a vontade pessoal era diferente?

É diferente, porque as condições de apreciação são diferentes. Nunca tive responsabilidades no Parlamento Europeu. Tenho já alguns anitos de responsabilidades no plano nacional, particularmente na Assembleia da República, com anos particularmente pesados. Confesso que isso é uma mochila pesada às costas, aqueles seis anos entre 2015 e 2021 foram seis anos pesados, com muita intensidade no trabalho. A Assembleia da República ganhou uma centralidade que não tinha tido e isso colocou uma grande exigência no trabalho na Assembleia da República e particularmente no grupo parlamentar do PCP. Portanto, isso é uma mochila pesada, digamos assim, do ponto de vista do desgaste e do peso que aqueles anos tiveram. Em relação à Assembleia da República, teria outras condições para medir exatamente as circunstâncias em que isso seria colocado.

A decisão seria diferente antes desta crise política.

Sim.

E não houve depois uma nova reavaliação, já que tinha experiência de lidar com a geringonça e com base no que podia ser a nova realidade, em que já não existia maioria absoluta. Eu sei que é difícil conseguir qualquer coisa que seja conversas internas do PCP, mas se não for desrespeitar essa regra, houve ali algum tipo de conversa pra ver se podia ser mais útil no Parlamento, uma vez que tinha essa experiência de lidar esses anos com a geringonça?

Não houve necessidade disso. A forma como as coisas foram discutidas e tratadas em função dessa perspectiva de assumir esta responsabilidade na batalha eleitoral do Parlamento Europeu, não suscitaram qualquer dúvida, mesmo depois da precipitação desta situação política mais complexa no plano nacional.

E qual é a fasquia que tem para essas eleições? O PCP diz sempre que é crescer, mas na Assembleia da República, o secretário-geral já fixou o objetivo de duplicar os deputados. E na Europa?

A fixação quantitativa é sempre complicada de fazer, é naturalmente mais vistosa, mas é sempre mais difícil de fazer. Eu diria que em relação ao Parlamento Europeu, sobretudo o contexto em que o número de deputados que cabem a Portugal continua a ser um número de deputados reduzido.

E há a previsão de mais partidos entrarem.

Exato. Há esse elemento também. Isso acho que tem efeitos diferentes em função do espectro político-partidário em cada uma dessas formações.

Vai estar mais à direita.

Exatamente. Mas de qualquer forma, eu julgo que a perspectiva com que nós partimos para estas eleições é clara, é o sentido do reforço da CDU, com mais votos e mais porcentagem. Veremos se isso também se traduz em mandatos ou não, mas eu diria que mais votos e mais porcentagem são elementos de referência e de reforço da CDU, que eu julgo que são não só naturalmente objetivos nossos, mas correspondem a necessidades que os portugueses têm, terem no Parlamento Europeu uma voz reforçada em defesa dos seus interesses e das respostas às suas necessidades.

Mas na Assembleia da República, o objetivo definido não lhe parece demasiado ambicioso, dada a tendência que o PCP tem tido não só nas últimas eleições, em todo o último ciclo de eleições?

Não, julgo que as circunstâncias em que nas últimas eleições se verificou a redução do número de deputados da CDU e os motivos que levaram a isso, sobretudo a operação de chantagem que o PS fez, de vitimização, que na prática conduziram àquela mistificação que o PS fez, não só para precipitar as eleições, mas até para encontrar argumentos para as disputar. Eu julgo que esses elementos hoje está à vista de toda a gente, aquilo para que verdadeiramente serviram, a mistificação pra que verdadeiramente serviram. Há muita gente desiludida e há muita gente que se sente traída e que se sente enganada por esse discurso do PS, e gente que encontra na CDU esse fator de confiança.

E acha que essa chantagem, como dizia, não pode voltar a acontecer nessas eleições, porque voltamos a ter um quadro em que o Chega pode ser determinante pra uma viabilização de um governo à direita, por exemplo?

O PS tem utilizado muito o Chega como seu seguro de vida. Esse é um elemento que eu julgo que está hoje à vista de toda a gente.

Pedro Nuno Santos tem feito o mesmo.

O PS utiliza o Chega como um seguro de vida, ameaçando com o papão do Chega pra garantir um carreiro de votos pro Partido Socialista. Eu julgo que as pessoas também hoje já têm, particularmente pela experiência dos últimos dois anos, têm bem à vista as consequências desse tipo de ilusões e desse tipo de enganos.

Às vezes até os apenados da maioria absoluta voltam pro PCP.

Eu diria que há um espaço mais pequeno pra que essas operações de chantagem e de mistificação que o PS montou há dois anos possam ser eficazes. Tenho certeza absoluta que o PS vai ter de fazer aquilo que puder pra que isso aconteça, mas julgo que as pessoas hoje estão mais defendidas, não só em relação a isso, como até em relação à consequência ou à inconsequência de outras opções de voto, porque há por aí muita ideia de outro tipo de votos, nomeadamente votos de protesto, que sendo de protesto servem pouco pra mudar, e nós precisamos, de fato, de um voto de protesto e de mudança. De protesto contra a política que vai sendo seguida e de mudança para que efetivamente haja uma mudança política. E eu julgo que a confiança na CDU para que esse protesto e essa mudança se façam, eu julgo que é mais do que evidente.

E pra além da confiança, vamos ao reconhecimento. Acha que há muitas pessoas nos cafés e nas ruas que reconhecem Paulo Raimundo e ele tem esse tempo até as eleições de fazer esse caminho da notoriedade?

Olhe, eu julgo que já vai havendo esse reconhecimento de uma forma muito mais alargada do que havia. Acho até que algum fator surpresa que houve quando da sua eleição pra secretário-geral, julgo que acabou por suscitar uma curiosidade que levou a que muita gente procurasse saber quem era o secretário-geral. E acho que esse elemento de curiosidade e de surpresa também acabou por-

Jugou a favor dele.

Eu julgo que sim, sobretudo quando participei, tenho participado em algumas iniciativas de rua, em algumas ações de rua Com ele, fora de um contexto mais partidário, onde essa identificação naturalmente se faz e aquilo que se vai encontrando em termos de reconhecimento do secretário-geral do PCP, reconhecimento da sua intervenção, eu julgo que vai traduzindo isso e naturalmente nós estamos à espera que seja o secretário-geral a fazer a campanha que os milhares de ativistas da CDU têm que fazer por todo o país.

Nas últimas acabaram por ser até várias figuras a assumirem. O João Oliveira foi uma delas.

Para quem seja religioso, Deus nos livre ter outra vez esta situação à frente, porque de percalços e de sobressaltos desses já temos a nossa conta.

Nesses encontros que diz que faz também ao lado de Paulo Raimundo, não encontra pessoas que lhe dizem ter pena de não ser o João Oliveira o escolhido para secretário-geral do PCP?

Não, eu acho que a decisão e o acerto da nossa decisão está mais do que confirmado na prática e eu julgo que apreciações desse tipo eram coisas que já tinham os dias contados e aí são coisas que neste momento já tiveram o seu tempo.

Trabalhou muito diretamente com o PS no tempo da Geringonça, ou como o PCP costuma referir-se a essa fase, a nova fase da vida nacional. Pelo que agora o partido tem dito, podemos concluir que um modelo desses não se repete, ou seja, acordos escritos não são uma hipótese no futuro?

Olhe, para responder diretamente à sua pergunta, acho que os acordos escritos manifestamente foram muito menos do que aquilo que se diz deles. Em segundo lugar, acho que as ilusões relativamente à possibilidade das soluções para os problemas do país virem do governo do PS, também já não têm campo para se fazer. O que eu quero dizer com isto? Primeiro, se olharmos para aquilo que foi o texto das posições conjuntas, que na altura só existiram porque o PS cedeu àquela chantagem do Presidente da República, de então o Cavaco Silva, que as exigia. Se nós olharmos para o texto das posições conjuntas, percebe-se que rapidamente ao fim de um ano ou dois, de um orçamento ou dois, tinha deixado de haver elementos que garantissem a dita estabilidade, que garantissem o que quer que fosse, porque rapidamente aquelas medidas que ficaram das posições conjuntas ficaram esgotadas. O que isso significa? Significa que, manifestamente, aquilo a que o PS resistia ficou ultrapassado pela própria dinâmica da realidade. Aquilo que ficou nas posições conjuntas foi aquilo em que se conseguiram vencer algumas resistências do PS e que se conseguiram encontrar alguns elementos que servissem de referência para medidas que era preciso pôr em prática. As resistências do PS eram muitas e, portanto, o alcance das posições conjuntas foi muito limitado. E por isso é que digo que se nós olharmos para o texto das posições conjuntas, não havíamos razões nenhumas para que as coisas pudessem ter ocorrido como acabaram por ocorrer. O que é que esteve por trás disso? Foi objetivamente a conjugação de um conjunto de elementos que permitiram que a resposta aos problemas do país fosse ainda assim um bocadinho mais longe, apesar de todas as limitações, fosse ainda assim um bocadinho mais longe do que aquilo que o PS inicialmente admitia. Eu acho que há um exemplo que é paradigmático a esse respeito, que é o aumento das pensões. O PS nunca aceitou o aumento extraordinário das pensões. Aquilo que ficou nas posições conjuntas foi apenas o descongelamento da atualização que a lei previa. Aliás, na altura, quer o Bloco de Esquerda, quer o PS estavam muito satisfeitos porque tinha ficado escrito no papel a aplicação da lei em relação aos aumentos das pensões. Só o PCP dizia que era preciso aumentos extraordinários das pensões. Ora, o primeiro orçamento foi feito em 2016, foi feito com essa limitação e, portanto, não houve aumentos extraordinários das pensões, porque aquilo que estava nas posições conjuntas era apenas a aplicação da lei. Aplicou-se a lei e vieram os aumentos das pensões que a lei previa, 80 cêntimos, 40 cêntimos, 30 cêntimos, € 1,50, e as pessoas perceberam que aquilo manifestamente não chegava. Foi o facto de nós termos insistido e foi o facto de os reformados terem também transportado essa reivindicação para manifestações e para ações de luta que desenvolveram, que permitiram que nos outros anos a seguir houvesse aumentos extraordinários das pensões e ultrapassando até, em alguns casos, a perspetiva inicial.

Essa história é do passado. Deixe-nos só olhar um pouco para o futuro e tentar perceber se pode acontecer que o PCP ajude a fazer passar um governo minoritário do PS, mas não deixe nenhum acordo escrito e que vá avaliando as propostas, proposta a proposta ou orçamento a orçamento. Isto é possível, se está em cima da mesa?

Olhe, há um ponto de partida que nós temos neste momento, não havendo neste momento ainda nenhum voto na urna, há um ponto de partida que eu julgo que é importante sublinhar, que é a experiência que as pessoas têm e a forma como podem olhar para a CDU e para o trabalho dos deputados da CDU e para o posicionamento dos deputados da CDU. E há uma constatação que é objetiva. Os deputados da CDU serviram sempre para tudo aquilo que de positivo se conseguiu alcançar e serviram sempre, em qualquer circunstância, para travar aquilo que era negativo. Não me estou a referir apenas aos últimos oito anos. Estou a referir-me a mais de 40 anos de intervenção na Assembleia da República. Isto foi assim e esta garantia é a garantia que as pessoas têm neste momento em que não há votos nas urnas. Eu diria, antes de ficarmos condicionados ou amarrados a perspetivas que não são propriamente muito felizes de termos que ter governos do PS ou do PSD, eu julgo que neste momento é importante pôr as coisas como elas têm que ser postas, porque neste momento não há votos nas urnas e as pessoas têm que decidir a quem é que vão dar o seu voto. E com a decisão desse voto, determinam a composição da Assembleia da República e há que se depois em função disso, se hão de colocar os outros cenários.

Não convém que as pessoas saibam com o que é que contam da parte do PCP. Ou seja, não convém ser claro com os eleitores.

É absolutamente necessário.

Os eleitores do PCP sabem que a Geringonça já aconteceu.

Eu estou completamente de acordo. É absolutamente essencial que as pessoas saibam aquilo com que podem contar. Mas antes de saberem com o que é que podem contar para uma solução de governo, têm que saber aquilo com que podem contar para a política que em concreto vai ser feita. E eu digo isto por quê? Porque a ideia de que pode vir de um governo do PS a solução para os problemas do país é uma ilusão É uma ilusão.

Mas aqui não estamos a falar de uma solução absoluta como o PCP desejaria. Estamos a falar de algumas medidas que o PCP conseguisse, como noutras vezes de geringonça, fazer com que acontecessem.

Mas deixe-me dizer-lhe isto com toda a franqueza. Eu julgo que a experiência tem que servir para aprendermos com aquilo que aconteceu, sobretudo para não cometer os mesmos erros.

Exato. E o que é que não repetiria agora?

Dar força ao PS para que nós continuemos a ter governos do PS é um erro. Por quê? Porque manifestamente não é do PS que vêm as soluções para os problemas do país.

O que se aprendeu com o PS é que se deve reforçar o PCP.

Só com o reforço do PCP e da CDU, só com uma votação significativa na CDU é que nós conseguimos, de facto, alterar esta circunstância, esta situação em que estamos. Porque os últimos mais de 40 anos mostram que não é com os governos do PS e do PSD que nós resolvemos o país, nem com os sucedâneos do PSD e do CDS, da Iniciativa Liberal e do Chega que nós chegamos a algum lado. Aí ficamos na mesma, ou pior.

A questão aqui é só que não ser que o quadro político mude radicalmente, o governo não será PCP pelos dados que temos e, portanto, temos de trabalhar com os cenários, mesmo que seja de influência do PCP junto do PS.

Mas o ponto onde eu estava a querer chegar é que esses cenários acabam sempre por limitar as opções políticas das pessoas e conduzir sempre ao mesmo resultado. Nós temos que partir exatamente do ponto em que as coisas estão hoje. E o ponto é que as coisas estão hoje é que não está nada decidido relativamente à composição da Assembleia da República. E verdadeiramente, quem esteja cansado destes governos e destas políticas e queira mesmo que as coisas mudem, tem na CDU uma força de mudança na qual deve confiar para esse objetivo. E quanto mais força nós tivermos, maior é a capacidade de influência que nós temos. Repare, naquela circunstância de 2015, é muito difícil ela voltar a repetir-se nas circunstâncias em que ela aconteceu, depois de um governo do PSD e do CDS, depois daquela política que foi feita.

Desta vez podem aprovar coisas de forma pontual, mas não assinando um papel a dizer: "É isto que nós queremos."

Nós nunca faltámos a nada daquilo que foi preciso os votos da CDU para as coisas boas avançarem. Aliás, diria mais até do que isso. Não foi só para votarmos. Nós nunca faltámos às propostas que era preciso apresentar para garantir que as coisas andassem pra frente. E mesmo aquele condicionamento das posições conjuntas, aquele condicionamento que foi posto pelo presidente da República na altura, de ter que haver um texto, um papel escrito, nós sempre dissemos que aquilo era perfeitamente desnecessário, não havia necessidade nenhuma de haver papéis daqueles. Havia condições para que o PS formasse um governo, porque havia na Assembleia da República uma maioria que rejeitava a ideia de um governo do PSD e CDS e, portanto, havia condições para que o PS formasse governo.

Portanto, agora se houver uma maioria de esquerda e o PS puder formar governo, isso pode acontecer mesmo sem um acordo escrito. Ou seja, o PCP, pelo menos, permite que isso aconteça.

Eu continuo a pôr a perspectiva de nós podermos ter aqui um momento de um safanão na política portuguesa. Olhe, eu diria assim, tal como em 2015, foi dado um safanão na política portuguesa com esta ideia de que o PSD e o CDS haviam de formar governo, inclusivamente com aquelas palavras de António Costa logo na noite das eleições, apontando nesse sentido, e o PCP deu, de facto, um abanão na situação política que estava criada, apontando uma outra perspectiva que veio de facto a confirmar-se. Eu espero que também nesta situação nós possamos dar um abanão e com uma votação significativa na CDU, na noite das eleições nós podermos apontar uma perspectiva diferente, que não seja a de um governo do PS, porque os governos do PS são limitações à política que é preciso fazer. E nós precisamos, de facto, de uma política alternativa. Como de resto está à vista, diria eu, nas difíceis condições em que as pessoas estão hoje, quer dizer, na saúde, na educação, na habitação. Os problemas da habitação, deixe-me só gastar 30 segundos só pra dizer isto. Quando nós rejeitámos o orçamento do Estado de 2022, naquela operação de chantagem que o PS fez, nós chamámos a atenção três ou quatro questões. Era o problema do aumento dos salários e das pensões, as questões da saúde, as questões da habitação estavam entre aquelas que nós mais destacávamos. Verdadeiramente, há um elemento que nós hoje podemos constatar olhando pra trás, que foi: as pessoas podem não ter compreendido exatamente aquilo que nós estávamos a dizer, porque os problemas não estavam ali à frente da forma como estão hoje. É perfeitamente normal. Era, de facto, difícil transmitir isto, mas nós estávamos a chamar a atenção pra um problema que ainda não estava marcado na vida das pessoas como está hoje, mas que estava em perspectiva. Ora, o ponto em que nós estamos hoje, particularmente em relação aos problemas da saúde e na habitação, mostra como nós tínhamos razão naquela altura e como aquelas soluções eram necessárias naquela altura. Naturalmente, nós hoje já não estamos a partir do mesmo patamar, estamos a partir de uma situação muito mais difícil, muito mais aguda nestes problemas e noutros. E, portanto, a exigência da resposta é muito mais significativa.

Só para não passarmos a entrevista toda nisto. Nós percebemos que o PCP precisa ter força pra entrar numa correlação de forças e mudar, mas a única maneira que isso existe é com o governo do PS, não há outra forma. Não há outro partido que possa ser liderante à esquerda com base naquilo que é o nosso histórico, não estou a falar sequer das sondagens, daquilo que é o histórico do eleitorado português. Acho que seria do domínio da ficção estarmos a falar aqui de um governo do PCP ao estilo de Vasconcelos.

Não deixe que corte as asas ao sonho e, sobretudo, às necessidades objetivas que o povo tem. Já viu bem o que está a dizer? Já viu bem o que isso significa? Repare, não estou a querer pôr agora o peso da responsabilidade às suas costas, porque essa ideia não surgiu da sua cabeça. Mas já viu o que significa dizer às pessoas: "Vocês estão condenados a isto, não têm alternativa a isto. É sempre mais arroz. É sempre mais arroz, ou com o PSD, ou com o PS, é sempre mais arroz, não temos alternativa a isto."

Mas uma forma alternativa é precisamente haver um PS, que neste caso é o partido à esquerda, com o qual o PCP pode admitir negociar, suponho que o PSD nunca, isso fazem só nas autarquias. Com o PS negociando com o PS, é a única forma de não haver um governo que seja só com a influência de um partido que, segundo os Oliveira e Silva, é mais arroz.

Pra nós termos efetivamente uma alteração da situação que temos hoje e que temos tido nos últimos 40 anos, nós precisamos de uma alteração da correlação de forças, inclusivamente à esquerda. Enquanto tivermos o PS como partido majoritário à esquerda do PSD, e enquanto Se só tivermos essa perspectiva de ter mais arroz depois do arroz que já tivemos antes, nós de facto não podemos ter uma perspectiva diferente em relação à resposta aos problemas do país. E por isso é que lhe digo, uma votação significativa da CDU está em condições de alterar essa correlação de forças.

Deixe-me só dar aqui um dado, que havia uma sondagem que saiu no Expresso que dizia que caso fosse Pedro Nuno Santos o líder do PS, ainda com José Luís Carneiro, e portanto isso trazia uma hipótese de geringonça, o PCP tinha mais um ponto percentual do que fosse José Luís Carneiro. Não acha que o eleitorado iria votar mais no PCP se soubesse que estava disponível para essa geringonça?

Repare uma coisa, o problema da geringonça e o problema destas sondagens, em relação às sondagens, acho que elas servem mais para conduzir os sentidos de voto e encaminhar sentidos de voto do que propriamente para traduzir aquilo que vai na cabeça das pessoas. Mas mesmo essa perspectiva continua a ser aquilo que lhe dizia, é mais arroz. Ou seja, é mais a ideia de que a gente tem que aguentar isto e estamos condenados a isto e não temos alternativa. Ora, nós temos, de facto, alternativa. E repare, quando digo isto, aquilo que estou a dizer é o quê? É que nós precisamos de um governo patriótico e de esquerda. Não é um governo do PS, é um governo patriótico e de esquerda. E com quem é que isto se faz? Em primeiro lugar, para que é que isto se faz? Para fazer uma política diferente, uma política verdadeiramente alternativa a esta que tem sido feita. Com quem é que isto se faz? Não se faz só com o PCP, nem se faz só com os partidos da CDU. Tem que se fazer com gente de outros partidos e mesmo homens e mulheres sem partido que estejam comprometidos com essa política alternativa. Nós temos na sociedade portuguesa muita gente que, estando noutros partidos, percebe que há, de facto, necessidade de uma política diferente desta. Mesmo dentro do PS há muita gente que fica descontente e fica zangada com a política que o PS faz. A resposta que nós damos a esses é que não cometam o erro de continuar a votar no PS enganados com essa ilusão de que há de vir do PS a solução. Dêem força à CDU, contribuam para que haja, de facto, essa alteração da correlação de forças e nós cá estamos para assumir essas responsabilidades, inclusivamente no plano do governo, se houver condições para fazer uma política alternativa e for necessário termos um governo que execute essa política alternativa.

Mas os eleitores vão perceber se o PCP não ajudar a criar um governo à esquerda e se não der um apoio ao PS e desta forma permitir, por exemplo, um governo de direita?

Os eleitores têm a certeza absoluta que os votos no PCP e na CDU contribuirão sempre para derrotar a política de direita e para derrotar os protagonistas da política de direita.

Mas não para ajudar um partido que é mais a vosso.

Sejam eles quais forem.

Pedro Nuno Santos é um protagonista da política de direita.

Repare, os governos do PS que ele integrou foram protagonistas disso. Nós vamos ter no orçamento de Estado para 2024 mais de mil milhões de euros em parcerias.

É só para perceber, está a pôr no mesmo saco viabilizar um governo de direita do que o PS.

Não, as coisas não são iguais. Há uma política que é feita pelos governos do PS em relação aos governos do PSD, algumas diferenças, mas elas não são diferenças de fundo relativamente às opções que são feitas. Nós vamos ter no orçamento de Estado para 2024 mais de mil milhões de euros em parcerias público-privadas. Vamos ter mais 1200 milhões de euros em benefícios fiscais aos grupos económicos. Ao mesmo tempo, não há orçamento no Serviço Nacional de Saúde para garantir a fixação dos médicos ou no Ministério da Educação para contratar professores. Isto são opções de uma política de esquerda? Não são, são opções de uma política de direita.

Se o programa de governo do Pedro Nuno Santos e o PS for a votos e for suscitada uma moção de rejeição, por exemplo, pelo Chega, o PCP não vai rejeitar esse programa de governo, vai deixar o PS governar.

Essa é a certeza.

Só com o documento à frente.

A certeza que os eleitores têm é que o PCP nunca contribuirá para abrir portas a projetos reacionários, muito menos para os afilhados do Passo Coelho e do Paulo Portas. Repare uma coisa.

A viabilizar este governo para a direita não se instalar.

Deixe-me sublinhar este aspeto, porque acho que esse aspeto é um aspeto de mistificação na vida política nacional que é absolutamente necessário nós combatermos. O Chega e a Iniciativa Liberal são o PSD e o CDS sem cadastro político, ou pretendem apresentar-se sem cadastro político. Pretendem apresentar-se de cara lavada como se não tivessem responsabilidades na situação do país, quando eles são responsáveis e muito responsáveis pela situação em que o país está. E explico-lhe porquê. Quem hoje está no Chega e na Iniciativa Liberal a falar dos problemas do país, estava ontem no governo do PSD e do CDS a apoiar o governo da troica e a política dos cortes nos salários e nas pensões e na saúde e em tudo isso. O André Ventura é um afilhado do Passo Coelho. Foi criado pelo Passo Coelho, foi candidato do PSD, foi dirigente do PSD a apoiar o governo da troica. Os responsáveis e os dirigentes da Iniciativa Liberal estavam no PSD e no CDS a defender a política do governo da troica. Como é que essas pessoas podem ter credibilidade para anunciar soluções para os problemas do país? Eles foram responsáveis, foram apoiantes de um dos governos que mais destruiu as condições de vida dos portugueses. Aliás, eu diria até que não é só um problema do Chega e da Iniciativa Liberal serem os afilhados do Passo Coelho e do Paulo Portas. É que com o Chega e a Iniciativa Liberal nós ficamos na mesma para pior, porque aquilo que eles propõem não é nada de diferente para melhor daquilo que defendia o PSD e o CDS. É pelo contrário, o caminho que foi feito pelo PSD e pelo CDS naquela altura intensificado ainda mais.

Pedro Nuno Santos quando era negociador da geringonça, disse que a parte de relacionamento com o PCP ficava mais com o António Costa. Ele supõe que ficasse mais com o Bloco de Esquerda. Entretanto, já se conhecem melhor o PCP e Pedro Nuno Santos ou não?

Olhe, eu conheço o Pedro Nuno Santos já há alguns anos, porque inclusivamente quando assumi responsabilidades na Assembleia da República, coincidiu também com a altura em que ele assumiu responsabilidades na Assembleia da República, na altura ele a defender a maioria absoluta do José Sócrates e eu como deputado do PCP a opor-me a essas opções políticas da maioria absoluta do José Sócrates. Aliás, momento em que houve a maior maioria à esquerda do PSD Na história depois do 25 de abril, o momento em que houve mais deputados à esquerda do PSD foi o momento da maioria absoluta do José Sócrates. Com quem é que o PSD se decidiu entender nessa altura? Começou logo com o pacto para a justiça, com o PSD. Hoje está tanto na ordem do dia falar sobre a justiça. O primeiro entendimento que a maioria absoluta do José Sócrates quis fazer foi o pacto para a justiça com o PSD. Mas isto para dizer que eu conheço o Pedro Nuno já há algum tempo, naqueles anos daquilo que se designa por geringonça, o Pedro Nuno Santos teve, de facto, um papel ingrato, porque era ele verdadeiramente o protagonista das resistências que o PS apresentava àquilo que a gente ia propondo. Era com o Pedro Nuno Santos que nós discutíamos muitas das medidas que iam começando a enfrentar a primeira barragem daquelas pessoas.

O que é que ele dizia? "Desculpa lá, este é o Costa."

Não, vamos lá ver.

Eu penso como você, mas isto foi o Costa que-

Mesmo que isso fosse dito, a gente não levava a sério, porque nós desvalorizamos.

Mas era dito ou não?

Nunca se chegou a essa necessidade, digo eu, acho que nunca se chegou a essa necessidade nas posições que ele assumia, porque ele assumia frontalmente as posições que o PS assumia. Portanto, nunca constatei nenhuma circunstância de tentar sacudir a água do capote para cima de outros membros do governo ou do Partido Socialista.

Isso é um bom traço de personalidade.

Repare uma coisa. Eu acho que é uma constatação de facto que tem que ser feita. Não estou a fazer isto procurando fazer algum juízo de valor sobre isso. Mas mesmo que isso acontecesse, nós também não levávamos isso a sério, porque aquilo que interessa são as posições do PS e as posições do governo, independentemente de quem as protagoniza. Agora, objetivamente, aqueles anos foram anos em que nós nos fomos confrontando com entraves, com obstáculos, com limitações, que em algumas circunstâncias, e sobretudo fruto da pressão social que havia, sobretudo fruto das lutas dos trabalhadores, dos reformados, dos jovens que colocavam pressão sobre o governo, o PS naturalmente tinha que ir encontrando forma de dar algum tipo de resposta, mesmo com todas essas resistências e essas limitações. Nós ficamos muito aquém daquilo que era preciso para uma política que verdadeiramente desse resposta aos problemas do país. Agora, julgo que é inegável que em muitas áreas e em coisas muito relevantes para a vida das pessoas, houve de facto avanços que permitiram resolver problemas, não só na reposição de direitos e de rendimentos, mas até na possibilidade de avançar em muitas coisas que até à altura só se dizia que eram miragens. Desculpe dizer isto. Nós andámos anos e anos a apresentar propostas para a gratuidade dos manuais escolares ou para o passo intermodal dos transportes públicos e para o aumento das pensões, esta também encaixa aí, que durante anos enfrentavam do PS um argumento que era: "Isso era uma desgraça para a Segurança Social, isso arruinava a Segurança Social" ou "Não há dinheiro em Portugal para os manuais escolares gratuitos e para a redução do preço dos transportes." Aí estão essas medidas todas, com impacto enormíssimo nas condições de vida das pessoas, e afinal de contas, o país não foi à falência por causa disso.

Só um recuo muito rápido a Pedro Nuno Santos. Então é uma ilusão Pedro Nuno Santos ser um radical de esquerda? Não é a pessoa certa para unir a esquerda?

Repare, eu acho que é uma ilusão nós pensarmos que pode haver um messias salvador que tome as rédeas de um partido político fazendo e propondo exatamente o contrário daquilo que é o histórico desse partido político. Eu acho que isso é uma ilusão. Criar-se a ideia de que o Pedro Nuno Santos foi eleito como secretário-geral do PS com a missão de rasgar tudo aquilo que foi o histórico de intervenção do PS, acho que isso é uma ilusão, e acho até que os militantes do PS não o elegeram propriamente pela abandono do passado.

Acho que ele é igual a António Costa.

Ele é secretário-geral de um partido e as posições políticas daquele partido-

O PS e o PSD são partidos não sendo talvez tão dedicados ao coletivo como o PCP, que têm muitas vezes mudanças nas posições consoante o líder que têm.

Podem ser mais centralistas nesse sentido em que dependem da-

E nesse sentido, o Pedro Nuno Santos não define nada de novo para o PS?

Repare, o problema é que eu acho que isso é uma ilusão. Verdadeiramente, nós estamos outra vez a falar de uma coisa que ainda não temos pela frente. Não temos pela frente a constatação do que é que isso pode vir a ser. Eu tenho receio que quando as pessoas constatarem isso, já possa ser depois de terem tido um amargo de boca. Ora, é precisamente esse amargo de boca que eu quero evitar. E como é que quero evitar isso? É sobretudo mostrando que é o voto na CDU que permite evitar esse amargo de boca.

Mas não lhe parece que Pedro Nuno Santos tem uma maior relação de confiança com o Bloco de Esquerda e com o próprio PCP do que António Costa tinha e do que outras figuras do PS poderiam ter, neste caso, por exemplo, José Luís Carneiro, que foi candidato à liderança?

A questão da relação de confiança com os outros partidos tem que resistir ao teste do algodão das políticas que são feitas. Os problemas na habitação que nós temos neste momento com a dimensão que têm e que sobretudo nos últimos dois anos se agravaram como se agravaram, tinham uma tutela no governo. De quem era? Os problemas com a TAP, os problemas com as empresas públicas de transportes, tinham uma tutela no governo. Quem era? E eu estou a querer dizer isto para quê? Não é para pôr a responsabilidade toda às costas do Pedro Nuno, é para mostrar que o enquadramento das opções do PS encarrega-se de desfazer as ilusões que possa haver em relação a este ou aquele responsável. E eu julgo que em relação ao atual secretário-geral do Partido Socialista, esse problema-

Mas ele não puxa mais ao lado do Bloco de Esquerda do que do PCP, independentemente daquilo que foi a posição dele no governo.

Isto tem que lhe perguntar.

Mas esteve lá nas negociações da geringonça, assistiu a isso.

Mas aqui também não vejo o papel de estar a puxar por um braço dele de um lado e estar outros a puxar pelo outro. As nossas relações foram sempre bilaterais com o governo, precisamente para que essas coisas ficassem claras do ponto de vista da intervenção que cada um-

Bilaterais ou multilaterais, porque também tinha o PEV.

Não, o PEV tinha as relações que tinha com o governo nos termos em que entendia.

Também representa a CDU, é candidato da CDU.

Sim, mas vamos a uma coisa. Mas do ponto de vista desse período e das relações com o governo nesse período, as relações eram relações bilaterais, e nós reuníamos com o governo e discutíamos com o governo e os outros partidos fariam aquilo que entendessem, nomeadamente em relação à forma como essas relações decorriam. Agora, a nossa relação foi sempre uma relação bilateral com o governo. Se o Pedro Nuno puxava mais para o PCP ou mais para o PS, eu julgo que isso é uma pergunta que tem que lhe ser feita a ele, porque eu verdadeiramente não tenho condições de responder.

Estamos mesmo a terminar. O PCP estaria disponível para integrar uma solução de um candidato único à esquerda nas presidenciais ou deverá sempre ter um candidato próprio, como tem sido? Tirando aquela vez em que o Jerónimo desistiu, tem sido sempre levado a um candidato de votos.

Olhe, eu acho que essa avaliação tem que ser feita em função do quadro concreto de cada eleição presidencial e sobretudo daquilo que se espera de cada candidatura presidencial. Havendo candidatos que possam corresponder Uma afirmação de uma perspectiva que corresponde àquilo que nós entendemos que deve ser o exercício das responsabilidades do Presidente da República. O passado também mostra que nós não temos dificuldade com isso, inclusivamente com candidatos que apoiamos fora das fileiras do nosso partido, nomeadamente a candidatura de Salgado Zenha. A candidatura de Salgado Zenha já está lá muito atrás, mas acho que é um elemento que comprova isso. Mas vamos ver uma coisa. Essa configuração das soluções da candidatura à Presidência da República, eu acho que manifestamente tem que ser feita em função da afirmação que é preciso fazer de um entendimento do exercício dos poderes do Presidente da República, comprometido com a Constituição e com o quadro que a Constituição determina. Eu julgo que esse é um elemento de referência absolutamente inultrapassável. A circunstância de termos uma candidatura apoiada pelo PCP, com um militante do PCP a assumir esse objetivo ou de eventualmente poder haver outro que o protagonize, é uma questão de se ver em concreto como é que isso é feito. E, portanto, eu julgo que essa reflexão tem que ser feita não em termos abstratos, em termos teóricos, porque ela em termos teóricos dá para as duas coisas, como lhe demonstrei, o passado mostra que há soluções num sentido ou noutro. Agora, não me parece que haja propriamente a perspectiva de se poder fechar qualquer solução a esse respeito, sem apreciar em concreto o quadro. E convenhamos que até 2026, como de resto os últimos tempos mostram, muita água pode correr debaixo das pontes.

Verdade. E vamos então avançar para a nossa fase do carne ou peixe, em que tem que escolher uma de duas opções. Já esteve na Vist o6 Fase, sabe como é. Vamos então saltar a trilha. Quem convidaria para comer uma sopa de cação em Évora? Jerónimo de Sousa ou Paulo Raimundo?

Espero ter a oportunidade de juntar os dois nesse repasto.

Com quem é que preferia beber uma cerveja em Bruxelas? Cotrim Figueiredo ou Catarina Martins?

Isto é uma dúvida.

A princípio devem andar por lá os dois.

É uma dúvida que pode partir o coração a qualquer um.

Não tenho preferência.

Acho que ficavam os dois de coração partido. Podiam ficar os dois de coração partido se eu desse uma resposta em relação a isso.

Eu em abstrato diria que Cotrim Figueiredo não tem tanta pena de não beber uma cerveja consigo.

Eu prefiro não partir o coração a nenhum, porque uma cerveja com um gás político acho que podia ser no final de uma reunião do GOE, onde também está com a Catarina Martins.

Então vamos ver se não parte mais nenhum coração. Quem levaria à Festa do Avante para ver um concerto da Brigada Victor Jara? Pedro Nuno Santos ou António Costa?

O Pedro Nuno Santos já esteve na Festa do Avante aqui há uns anos. O António Costa não sei se tem um histórico mais antigo, mas acho que para ver um concerto da Brigada Victor Jara talvez fosse bom para os dois. Acho que talvez fosse uma boa referência para os dois.

Não quer ninguém em Bruxelas a beber cerveja, mas quer os dois na Festa do Avante.

Talvez fosse bom para lhe abrir outro tipo de horizontes.

Vamos à última. Se tivesse que tapar a cara numa segunda volta das presidenciais, em que de um lado estava Pedro Passos Coelho e do outro um candidato à esquerda, preferia Carlos César ou Augusto Santos Silva?

Espero nunca ter que fazer uma opção.

Não podia ter que tapar só com uma mão.

Espero nunca ter que fazer uma opção dessas, mas também tenho a minha opção, mas prefiro discuti-la no comitê central se algum dia essa questão for colocada.

Ora bem, chegamos então ao fim do Carne ou Peixe. Passamos à nossa sobremesa, que é a música que nos trouxe e gostaria que me dissesse o nome da música e o porquê desta escolha.

É uma música chamada Losers, do Paulo Furtado, também conhecido como Legendary Tigerman. A música Losers tem uma designação que induz de facto em erro, porque verdadeiramente ela trata dos falhados desta sociedade que afinal de contas podem ser agentes de mudança e de transformação. Acho que nos tempos atuais isso assenta que nem uma luva. Os critérios da sociedade atual para definir aquilo que são os falhados da sociedade, em muitas circunstâncias, não só traduzem uma secundarização das condições que deviam estar acessíveis a todos os seres humanos e nesta sociedade desigual infelizmente não estão, mas traduzem também aquilo que pode ser a ação dos agentes de mudança que esses falhados da sociedade, diria eu, falhados da sociedade capitalista, podem significar para abrir outros horizontes para o futuro da humanidade.

Muito bem, e o Legendary Tigerman também faz a banda sonora do Encantador de Rios, creio que isso é precisamente a antítese daquilo que está a dizer. Mas que conta a história de Pedro Caldeira aqui na Rádio Observador. E assim termina com Legendary Tigerman esta Vist o6 Fase que regressamos como sempre na próxima sexta-feira. Obrigado João Oliveira.

Obrigado.

I want a taste. I want a taste of glory. Go! I want to feel the taste of glory. I want to feel the taste of glory. Feel it. I want to feel the taste of glory. The shame will never pray enough. But I never felt your pain. And in the end, you'll be the winner. And the glory just lies in the fight. One taste, one more taste. I want a taste of glory. I want a taste. I want a taste. I want a taste of glory. Yeah! I want a taste. I want a taste. I want a taste. I want a taste of glory. Before I fall. I want a taste. I want a taste of glory. I want a taste.