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Maternidade

Apple e Facebook pagam para que as funcionárias congelem os óvulos

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Um luxo, um ato de misoginia ou ambos? Duas das maiores empresas tecnológicas decidiram pagar para que as mulheres adiem a decisão de engravidar de modo a que progridam nas carreiras.

Scott Heavey

A Apple e o Facebook anunciaram uma política de apoio ao adiamento da maternidade, oferecendo às mulheres o custo de congelarem os seus óvulos. Este tratamento pode custar até quinze mil euros e o objetivo declarado é o de permitir às mulheres progredir na sua carreira antes de se dedicarem a ser mães. O processo chama-se criopreservação de ovócitos e visa permitir às mulheres usar os óvulos noutra ocasião, mesmo que os seus corpos já não estejam no pico da idade fértil.

Há duas formas de olhar para esta questão. Uma é aceitar que as empresas precisam de mulheres nos cargos superiores e que esta ação pode ajudar a que as funcionárias adiem a maternidade, subindo mais na carreira antes de darem esse passo; outra é entender esta ação como um ato de misoginia que condiciona as mulheres que querem ser mães e que esse dinheiro poderia ser melhor empregue na criação de condições para que possam acumular a maternidade com a carreira.

Neste sentido a oferta de apoio para congelar óvulos tem um imenso potencial para gerar polémica, porque o tópico é sensível. A Fortune recorda que a nova sede do Facebook, um projeto de Frank Gheri que vai custar 95 milhões de euros, inclui um canil mas não uma creche. Seja como for os factos estão aí: há mulheres a menos na liderança das grandes empresas americanas e as dot-com (empresas tecnológicas) não são exceção. Com este ato podem estar a dar mais um passo para mostrar que estão pouco interessadas em ter mulheres e mães nas suas fileiras.

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