O Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social valorizou 15,4% no ano passado, com o património a atingir 13,5 mil milhões de euros. Os números surgem no relatório do Tribunal de Contas sobre a execução do orçamento da Segurança Social onde se assinala que o peso da dívida pública nas aplicações do fundo cresceu fortemente no ano passado. A dívida portuguesa representa já 75% dos ativos do fundo criado como almofada financeira para o pagamento de pensões.

O valor alcançado representa 7,8% do Produto Interno Bruto e equivale a mais de 115% (portanto mais de 14 meses) dos gastos anuais com pensões.

Esta percentagem representa um investimento de 10134 milhões em dívida, incluindo títulos de curto prazo e a dívida garantida, o que equivale a 5,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Considerando apenas a dívida de longo prazo, a percentagem era no final de 2014 de 68,7%.

O reforço das aplicações em dívida pública resulta de dois fatores. Em primeiro lugar, responde à portaria de julho de 2013, a última decisão de Vítor Gaspar como ministro das Finanças, que ordenou a substituição de ativos de outros estados da OCDE por dívida portuguesa até 90% da carteira. Até então, o regulamento do fundo dizia apenas que metade tinha de estar aplicado em dívida soberana. Mas o aumento da exposição à dívida portuguesa resulta também da valorização em mercado dos títulos em carteira do fundo.

Em sentido contrário evoluiu a reserva estratégica do fundo, cujo principal ativo eram ações da Portugal Telecom. O valor desta reserva afundou 73%, muito por causa da acentuada desvalorização das ações da empresa no ano passado, na sequência do evento Rioforte.

O fundo recebeu entradas de capital de 79,6 milhões de euros, o que não acontecia em 2011, a maioria resulta de saldos de anos anteriores do sistema de previdência. A gestão de ativos resultou numa valorização de 1725 milhões de euros, que reflete uma variação positiva de mais valias potenciais, superior a mil milhões de euros, mas também de rendimentos e de mais valias realizadas. A rendibilidade acumulada foi de 14,74% no ano passado.