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Passos vê 2017 como o ano do “desgaste” da geringonça

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Na reunião com distritais, Passos disse que o acordo inicial dos partidos que apoiam o Governo "foi-se esgotando". Avisa que 2017 é ano de "riscos financeiros". Houve balanço autárquico ao jantar.

MÁRIO CRUZ/LUSA

O presidente do PSD reuniu-se, quinta-feira à noite, com os líderes distritais na sede do PSD para preparar o combate autárquico e, na intervenção inicial, alertou que 2017 é um ano politicamente intenso em que a maioria governativa vai apresentar “sinais de desgaste“, de acordo com relatos de fontes que reconstituíram a reunião ao Observador. Para Passos Coelho, parte deste desgaste resulta de “um jogo tático” induzido pela aproximação das autárquicas, mas “não só”. As autárquicas foram o grande tema da reunião com as distritais, quando faltam seis semanas para terminar o prazo definido em Conselho Nacional para acertar os nomes às autarquias. Ainda faltam ser aprovados 262 candidatos a presidente de câmara.

Perante os líderes distritais — numa reunião estatutária que se realiza de dois em dois meses e é fechada à comunicação social — Passos Coelho explicou o que queria dizer com o “não só”. O presidente do PSD disse acreditar que este ano a “geringonça” será “colocada à prova” já que o acordo inicial [dos partidos que apoiam o Governo] foi-se esgotando, fazendo o aviso que tem repetido desde que o PSD anunciou o chumbo da redução da TSU: “Não aceitamos que o PS olhe para o PSD como muleta.” Passos antecipou que só há dois caminhos que permitem a sobrevivência da geringonça: ou o PS caminha para um terreno mais radical ou PCP e Bloco de Esquerda afastam-se dos seus valores políticos.

Embora sem dizer a palavra “diabo”, Passos Coelho insistiu que em 2017 haverá muitos “riscos financeiros” e que Portugal está frágil sob o ponto de vista financeiro e “frágil aos olhos externos”, contam as mesmas fontes ao Observador.

Autárquicas: seis semanas para fechar tudo

Mas o prato principal da reunião-jantar na sede o PSD eram as autárquicas. E aí coube a Carlos Carreiras, o coordenador autárquico, fazer um balanço da forma como está a decorrer o processo. No fundo, comunicou o que já tinha sido discutido em reunião da Comissão Política Nacional na última segunda-feira: já estão aprovados 46 nomes, havendo 173 candidaturas às presidências dos municípios que aguardam aprovação das distritais do partido e 89 que ainda estão dependentes das comissões políticas concelhias. Até 31 de março serão assim fechados todos os candidatos autárquicas, incluindo o de Lisboa, que tanta tinta tem feito correr. O processo da capital está agora a ser conduzido diretamente por Passos Coelho.

Após a intervenção de Carlos Carreiras, os líderes das distritais fizeram um levantamento da situação das estruturas locais, que foi naturalmente centrada nas autárquicas e nos problemas que enfrentam. Há situações pelo país em que há confrontos entre as concelhias e as distritais (que tentam seguir à risca as recomendações da nacional). Também o secretário-geral do partido, José Matos Rosa, antecipou quais serão os principais eventos do partido nos próximos três meses e clarificou alguns detalhes relativos ao processo autárquico.

Discutir a eutanásia. E a crítica de Ferreira Leite

O líder parlamentar, Luís Montenegro transmitiu aos líderes distritais que o PSD irá organizar um colóquio sobre a eutanásia, de forma a fomentar o debate em torno desta questão.

O colóquio tinha sido anunciado no final de janeiro pelo vice-presidente da bancada do PSD, Carlos Abreu Amorim, e vai-se realizar a 9 de fevereiro. O objetivo é que os deputados do PSD, que terão liberdade de voto se o assunto for um dia a votação, se possam informar mais sobre o assunto. O colóquio estará organizado em três painéis: um primeiro com os peticionários das duas iniciativas que até agora surgiram (uma em defesa e outra contra a morte assistida), outro com constitucionalistas e um terceiro com médicos.

Ontem, no seu espaço de comentário semanal na TVI24, a ex-líder do PSD, Manuela Ferreira Leite deixou críticas ao facto do partido não ter uma posição definida na questão da eutanásia: “Não me parece aceitável que o partido não diga qual é a sua posição.”

Dividir para reinar: como Passos tenta controlar a estrutura

Desde que saiu do Governo, Passos Coelho tem-se dedicado mais ao partido e ao domínio da estrutura. Nestas reuniões com líderes distritais, raramente ouve críticas. Naturalmente que há distritais mais passistas que outras, mas os encontros informais entre os líderes do aparelho — como o de 19 de janeiro, organizado por defensores da liderança como Bruno Vitorino (distrital do PSD de Setúbal), Pedro Alves (Viseu) ou Nuno Serra (Santarém) — têm servido, precisamente, para manifestações de apoio ao líder, contra jogos de bastidores. Que existem e vão sempre existir.

Passos Coelho tem tentado tornar o partido mais institucional e menos aparelhista e para isso conta com os homens com quem jantou esta quinta-feira. Ou seja: que o poder esteja de facto nas lideranças distritais e concelhias e não num ou noutro militante mais influente. Quando o partido era poder, Passos consentiu que Miguel Relvas controlasse o aparelho. Com a saída do ex-ministro-adjunto do Governo, o líder colocou o partido nas mãos de Marco António Costa, que até ocupou o seu gabinete na sede da São Caetano à Lapa.

Hoje, além do trabalho que ele próprio assume, Passos tem preferido privilegiar três pessoas no contacto com a estrutura: Matos Rosa, Luís Montenegro e Carlos Carreiras. O secretário-geral é o escolhido para ir a iniciativas partidárias por todo o país; Montenegro faz a ligação entre a Assembleia da República e as distritais (o que é facilitado por vários dos líderes serem deputados); e Carlos Carreiras tem autonomia para tratar de todo o processo autárquico. Marco António, que organizou a volta do líder, em 2013, não foi agora incluído neste processo.

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