Luxo

Boomerang da Chanel considerado “apropriação cultural” por indígenas autralianos

Para a cultura indígena é um instrumento de defesa. Para a Chanel é um acessório da pré-coleção de primavera/verão 2017. O boomerang custa 2 mil dólares. Os indígenas autralianos sentem-se ofendidos.

JefreeStar/Twitter

A Chanel está a vender um boomerang como um acessório da pré-coleção de primavera/verão deste ano. O artigo está a causar polémica nas redes sociais e a gerar críticas por parte dos indígenas australianos. A marca de luxo francesa foi acusada de apropriação cultural e desrespeito.

A polémica teve origem em Jeffree Star, cantor, modelo e maquilhador norte-americano, que também tem uma marca de cosméticos, na sua página do Twitter. Mas o artigo não é um objecto novo para muitas marcas: a Chanel vende boomerangs desde 2006 e outras marcas, como a Hérmes, também já incluíram este artigo nas suas coleções, assegura o The Sidney Morning Herald. Para além disso, da coleção da marca de luxo fazem também parte bolas e raquetes de ténis, raquetes de praia e uma prancha de paddle, com valores entre os 520 e os 4,4 mil euros.

Jeffree Star partilhou uma fotografia sua na passada segunda-feira, com a descrição: “A divertir-me imenso com o meu novo boomerang da Chanel”. Para além dos milhares de gostos e re-tweets, a publicação de Jeffree Star teve vários comentários com críticas negativas e acusações de apropriação e ofensas à cultura indígena da Austrália.

Trata-se de um objeto de cor preta, feito de madeira e resina normais, mas o icónico logótipo da Chanel estampado no boomerang faz com que custe dois mil dólares (cerca de 1,8 mil euros). Entre os arborígenes, o boomerang é, mais do que um instrumento de defesa, um símbolo da cultura.

Ter uma marca de luxo a investir, a apropriar e a vender as nossas tecnologias e lucrar com nossas culturas para uma quantidade absurda de dinheiro é ridículo e doloroso. Se Chanel quiser respeitar verdadeiramente as culturas indígenas, em primeiro lugar, deve começar por descontinuar este produto e emitir um pedido de desculpas”, disse Nayuka Gorrie, ativista e escritora ao The Guardian Australia.

Para além das ofensas, alguns utilizadores do Twitter questionaram a utilidade e o preço do objeto. Nathan Sentance, oficial de projeto aborígene no Museu Australiano alertou para o facto do boomerang da Chanel custar “quase 10% da renda média dos australianos indígenas”. Sentance realçou ainda o facto do objeto da marca de luxo mostrar como a sociedade ocidental subestima a cultura indígena australiana.

A marca garantiu à mesma fonte que está “extremamente empenhada em respeitar todas as culturas e lamenta que alguns possam ter se sentido ofendidos”.

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