“Não podemos continuar a posicionar-nos como país low cost. Precisamos de menos turistas e de ter cá os que gastam mais”, afirma Francisco Mello e Castro, CEO da empresa de eventos All In, também responsável pelo Tribeca Festival Lisboa. O empresário anunciou esta sexta-feira em Lisboa o lançamento de uma série de encontros gastronómicos que têm o intuito de “projetar a arte de saber viver de Portugal no mundo”. A “indiscutivelmente extraordinária” gastronomia portuguesa, como descreve, será o cabeça de cartaz do intitulado Dinner of the Year.
O principal evento será um jantar marcado para 24 de outubro nos jardins da Torre de Belém. Os chefs Henrique Sá Pessoa, Rui Paula e Noélia Jerónimo sobem a um palco onde vão cozinhar para mais de 500 pessoas. É preciso submeter com antecedência o pedido de reserva, que está sujeito a uma aprovação. O preço da mesa de 10 lugares vai dos 3.000 aos 4.500 euros — o bilhete mais caro inclui um cocktail com os chefs na véspera. A organização não divulga quantas mesas estão à venda nem qual é o critério para ser selecionado. “Queremos apenas tentar garantir que todas as pessoas que vão estão num mood alegre para aproveitar a experiência”, diz Francisco.
O trio de chefs portugueses não revelou ainda qual será a ementa da ocasião, mas a descrição apaixonada de Rui Paula sobre o mar português pode ser um spoiler do que aí vem: “O nosso peixe tem uma textura que parece que faz ginástica todos os dias“, brinca o chef vindo do Porto para o evento de lançamento no Bairro Alto Hotel. “Temos um mar de águas frias e batidas, com muitas algas e iodo. Portanto, o nosso peixe e marisco não são iguais em nenhuma outra parte do mundo em variedade, textura e sabor”, afirma. Para brindar, já é conhecido o que será servido: os vinhos do Alentejo.
Além de Sá Pessoa, Rui e Noélia, vão aterrar em Lisboa os convidados internacionais Claude Troisgros e Jéssica Trindade (do Madame Olympe, no Rio de Janeiro, recém distinguido pelo guia Michelin), Michael Schwartz (de Miami, nos EUA, também galardoado com a estrela este ano) e Rodrigo Oliveira (de São Paulo, dos restaurantes Mocotó e Balaio). A curadoria de chefs foi feita por Duarte Calvão, tendo Schwartz sido uma recomendação de Sá Pessoa. “Não queríamos só juntar chefs com estrelas Michelin, mas sim aqueles que representem bem os territórios onde estão inseridos, trazendo uma cozinha criativa para o público”, explica Duarte.
A Torre de Belém terá uma projeção de luzes especialmente desenvolvida para o jantar, que será montado no jardim que rodeia o monumento. A proposta passa por misturar espetáculos de luzes e música às refeições. Francisco tem a expectativa de ter sentados à mesa “líderes, criadores e visionários do turismo e da gastronomia, não só os foodies“. Com a iniciativa, os chefs portugueses deverão ainda viajar para São Paulo em 2027 e para Miami em 2028. A escolha destes dois destinos, explica Francisco, ocorreu pelo desejo de “criar um sentimento de comunidade” em torno da gastronomia. “São Paulo é uma cidade vibrante onde tudo acontece, com um serviço e gastronomia entre os melhores do mundo”, justifica a decisão. “Tanto de São Paulo como de Miami temos uma comunidade forte em Portugal. São pessoas com poder de compra e que gostam de se divertir“. A cidade brasileira e a norte-americana são as primeiras inseridas nesta que pretende ser uma “plataforma internacional que cruza gastronomia, património, cultura e entretenimento”.