Ténis de Mesa

Ténis de mesa. O puto maravilha está de volta uma década depois

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João Pedro Monteiro experimentou o ténis de mesa de férias na Suíça, brilhou em Portugal, passou por Alemanha, Itália, Rússia e França e regressa agora para jogar pelo Sporting... na Champions.

Monti venceu três Campeonatos Nacionais pelo Sporting e dois ao serviço do São Roque antes de ir para a Alemanha

NUNO VEIGA/LUSA

O ténis de mesa deu um salto grande na última década. Enorme mesmo, ao ponto de Portugal ter conseguido pela primeira vez ganhar o Campeonato da Europa de equipas, em 2014. Presenças em Jogos Olímpicos, lugares cimeiros do ranking mundial e triunfos nas principais provas passaram a ser quase comuns. E tudo porque, a certa altura, os grandes talentos nacionais foram jogar para o estrangeiro. João Pedro Monteiro, Marcos Freitas, Tiago Apolónia, André Geraldes, André Silva. Agora, e pela primeira vez, existe o movimento inverso: “Monti”, como também é conhecido, vai regressar a Portugal dez anos depois de ter saído e assinou contrato com o Sporting.

O clube de Alvalade anunciou esta sexta-feira o novo reforço para a modalidade, que vai trazer uma outra “adenda”: os leões, que voltaram a sagrar-se campeões nacionais (levam 34 Campeonatos, 28 Taças e 11 Supertaças, naquele que é um dos desportos mais titulados dos verde e brancos) ambicionam participar na Liga dos Campeões, tentando medir forças com a elite europeia (mesmo estando alguns degraus abaixo dos melhores conjuntos).

Recorde-se que, além de João Pedro Monteiro, o Sporting conta ainda com Aruna Quadri, o melhor mesa-tenista africano da atualidade e que participou nos Jogos Olímpicos de 2012 e 2016, Bode Abiodun (que também esteve nos Jogos do Rio de Janeiro, mas apenas por equipas), João Seduvém e Diogo Chen, um dos maiores valor da nova geração nacional que poderá rumar este ano ao estrangeiro. Caso se confirme mesmo a saída do filho do treinador da equipa leonina, Chen Shi Shao, o também internacional Diogo Carvalho, que já passou pelo clube mas que representou nas últimas duas temporadas o Benfica, surge como provável aposta.

“É uma grande alegria estar de regresso a esta casa. O projeto que o clube apresentou foi bastante aliciante, principalmente em termos internacionais, em que está a tentar construir uma equipa para almejar a nível europeu. Foi esse objetivo de tentar ser dos melhores europeus no futuro que fez a diferença“, comentou ao site oficial dos leões, prosseguindo: “A ida para o estrangeiro fez com que me tornasse melhor jogador. Sou muito melhor do que era, tenho três títulos europeus e um quinto lugar nos Jogos Olímpicos. Trago qualidade e experiência”.

Como o ténis de mesa mudou a vida de Monti

Para se ter noção do currículo e das vitórias conseguidas por João Pedro Monteiro, de 33 anos, basta dizer o seguinte: na sua página oficial, é preciso fazer cinco vezes scroll com o rato para baixo. São títulos individuais, em pares, em pares mistos, por equipas, internacionais. Uma carreira que mete respeito e que, curiosamente, começou por acaso, numas férias na Suíça, altura em que tomou contacto pela primeira vez com a modalidade.

Quando voltou, começou a jogar no Grupo Recreativo de Tercena, tendo sido campeão de iniciados logo no primeiro ano de jogador federado. Aos 16 anos, quando tinha a alcunha do “puto maravilha” de uma modalidade sem grande expressão no país apesar dos excelentes praticantes (como Pedro Miguel Moura, atual presidente da Federação), foi para o Sporting (tal como o irmão José António, mais novo) e sagrou-se tricampeão por equipas. Sete anos depois, passou para o São Roque, na Madeira, onde conquistou também o bicampeonato. Em 2006/07, assina por um dos melhores clubes alemães da altura, o TTF Liebherr Ochsenhausen.

Tinha passado para uma realidade completamente diferente, onde os adversários mostravam outra craveira e jogava em pavilhões lotados. Evoluiu, evoluiu e, em 2008, tornou-se o primeiro português a apurar-se para os Jogos Olímpicos, em Pequim. Passou depois por equipas de Itália, Rússia e França, tendo fixado residência na Áustria, onde trabalhava na Academia Schlager, antes de passar no ano passado para o Centro de Alto Rendimento de Vila Nova de Gaia (tal como Marcos Freitas, mesmo continuando a alinhar em conjuntos estrangeiros).

Entre as viagens, os jogos e os torneios, conheceu a romena Daniela Dodean em Itália, também jogadora, com quem casou em 2013. É pai em 2014, quando conquista o Campeonato da Europa de Equipas. No ano seguinte, fazendo dupla com o austríaco Stefan Fegerl, fica em primeiro no Europeu em pares. Em 2016, vence uma saborosa medalha de ouro em pares mistos do Europeu… com a mulher.

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