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Algarve

Pego do Inferno continua a atrair visitantes a Tavira, mesmo danificado por fogo

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A cascata continua a atrair diariamente centenas de turistas durante o verão, apesar de ser um espaço oficialmente encerrado ao público desde 2012, quando foi destruído por um incêndio.

LUÍS FORRA/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O Pego do Inferno, cascata situada próximo de Tavira, continua a atrair diariamente centenas de turistas durante o verão, apesar de ser um espaço oficialmente encerrado ao público desde 2012, quando foi destruído por um incêndio.

Mesmo com difícil acesso, a beleza natural do lago onde cai a água da cascata permite aos visitantes do Algarve refrescar-se e desfrutar de um local distinto da praia, mas alguns queixaram-se à agência Lusa das dificuldades para lá chegar, da informação errónea existente na Internet e que reporta ao período pré-incêndio ou do lixo que há na zona.

O presidente da Câmara de Tavira, Jorge Botelho, disse à Lusa que o Pego do Inferno “está encerrado a visitas e continuam a ir lá pessoas sem condições de acesso, que partem as estruturas todas ou deixam lixo em todo o lado”, e explicou que a autarquia ainda não conseguiu recuperar o espaço, mas está a estudar a forma de “renaturalizar” a zona.

“Há uns anos atrás foi feita uma estrutura de madeira, que levava as pessoas da parte de cima até à parte de baixo, uma estrutura que queimou nos incêndios de 2012 e que não foi possível recuperar por vários motivos e por dificuldades económicas da câmara”, justificou o autarca, anunciando para breve uma “limpeza de toda a ponte, que está queimada, de toda a madeira, que vai ser retirada” e que compunha uma escadaria.

Jorge Botelho defendeu que o local “tem que ter um acesso que respeite a sua própria natureza, que o esconda e que faça com que a procura do Pego do Inferno seja ela própria uma aventura”, como acontecia nos seus tempos de criança, quando acedia por dentro da ribeira e “vinha por baixo, não por cima”.

Para isso, a autarquia estuda a possibilidade de adquirir o terreno e fazer um projeto “ecologicamente sustentável”, que evite a “artificialização” que havia com a estrutura existente antes do incêndio, adiantou o autarca.

“É a primeira vez que cá estou, o acesso foi um bocado complicado, ainda andei às voltas, pelos vistos fui mal encaminhado, mas depois consegui dar com isto. Tabuletas e indicações não tem nenhumas, por acaso pus no GPS e consegui vir cá dar”, afirmou Pedro Marques à Lusa, frisando que o percurso a pé também “não é nada fácil” e “foi muito complicado” chegar.

Este veraneante disse que estava a “gostar muito” da experiência, mas queixou-se do lixo que existe no local: “devido a estarem aqui muitas pessoas, e as pessoas não têm muito cuidado com o lixo, começo a ver aí muitos resíduos e isso não me agrada muito, mas de resto o local é ótimo, é excelente para passar aqui um bom dia”, afirmou.

Anabela Dinis, de férias em Quarteira, concelho de Loulé, tirou o dia para acompanhar o marido, que gosta de cascatas e costuma visitá-las no Gerês, mas quando chegou ao Pego do Inferno foi “uma desilusão”.

“Segundo consta, houve aqui um fogo, em 2012, e acho que deviam ter retirado as fotografias que estavam lá [na Internet], porque não tem nada a ver com o que está agora, o que é normal se houve um fogo e queimou tudo. Diz lá que há um café, um bar, e não tem nada. Estou arrependida de ter vindo, acho um bocado suja, de difícil acesso e não gostei”, criticou.

Também proveniente de Quarteira, Orlando Ferreira, que mora em Lisboa e passa as férias no Algarve, manifestou opinião contrária, considerando o Pego do Inferno “uma coisa fora do normal” e “engraçado, pitoresco”, sublinhando que valeu a pena deixar a praia e acompanhar o neto na visita.

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