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PSD. Os vencedores, os vencidos e os espectadores

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Rui Rio não foi o único vencedor, Pedro Santana Lopes não foi o único derrotado e os social-democratas não foram os únicos afectados. O que é que se segue a esta campanha? Por Miguel Pinheiro.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Os vencedores

Rui Rio

Rui Rio ganhou por ser Rui Rio — e também por não ser Santana Lopes. Esse foi o lado bom. Agora, o lado mau: na campanha, mostrou ingenuidade política, ao falar de temas que deveria evitar, como o possível apoio a um governo minoritário do PS; nos debates, mostrou impreparação, ao surpreender-se com as tácticas e a energia de Santana; nos apoios, mostrou falta de filtro, ao aceitar entregar a sua campanha aos caciques do costume. Porquê falar dos defeitos de Rio no momento da sua vitória? Porque será por aí — exactamente por aí — que PS, PCP e BE o atacarão. No seu discurso na noite eleitoral, prometeu começar a combater a “frente de esquerda” quando tomar posse, “em fevereiro”. Talvez seja tarde: a “frente de esquerda” começará a combatê-lo já amanhã.

Pedro Passos Coelho

Comportou-se exemplarmente durante toda a campanha. Ou seja: calou-se e desapareceu. Talvez não tenha ficado eufórico com o resultado, uma vez que Rio contava com a queda dele para a sua ascensão, mas a verdade é que a preocupação de Passos com o rigor das finanças está segura com o novo líder e estaria tremida com Santana Lopes.

José Pacheco Pereira

No artigo que escreveu no Público depois do primeiro debate, denominou-se a si próprio “a Sombra”. E, para Santana, Pacheco Pereira foi, de facto, sempre uma sombra conveniente, servindo de saco de pancada como símbolo dos inimigos internos que era preciso derrotar. No final, veio a vingança gelada: todo o último dia de campanha foi passado a discutir se, realmente, em 2011 Santana tinha convidado Pacheco Pereira para formar um novo partido que concorresse contra o PSD.

Os vencidos

Pedro Santana Lopes

Santana Lopes garantiu insistentemente que já tinha abandonado o ano de 2004, mas, aparentemente, o ano de 2004 ainda não o abandonou a ele. No seu discurso de derrota, não anunciou que vai “andar por aí”, como tinha feito em 2005, mas recusou-se a entrar na reforma política com um roupão e umas pantufas: “Eu vou continuar a combater politicamente. Como alguém disse um dia, ‘Só é derrotado quem desiste de lutar’.” Esse “alguém”, que popularizou aquela frase e que Santana não nomeou, foi, como já terão adivinhado, Mário Soares.

Miguel Relvas

Primeiro, apostou em Miguel Pinto Luz como candidato à liderança; depois, juntou-se a Pedro Santana Lopes; e no final da campanha anunciou, provocatoriamente, que o novo líder do PSD só teria dois anos de vida. Miguel Relvas julga ter uma ligação telepática com o PSD profundo (e, ao que parece, com toda a direita também), mas conseguiu falhar tudo em que se meteu. Simbolicamente, no dia das eleições no PSD, apareceu na televisão pública de Angola a defender o sistema de justiça daquele país e a jurar pela inocência do ex-vice-Presidente Manuel Vicente, que é acusado de corrupção em Portugal. Talvez comece a perceber mais sobre a política em Luanda do que em Lisboa.

Os passistas

Depois dos recuos de Luís Montenegro e de Paulo Rangel, os órfãos de Pedro Passos Coelho abrigaram-se junto de Santana Lopes. As divergências desta corrente com o novo líder não é política — Rio é “obcecado” com o défice, Santana não –, é pessoal. Ficam agora confrontados com a frase de Rui Rio no último debate, que não era uma promessa mas uma ameaça, quando avisou pretender pôr o partido na ordem: “Deixe-me ganhar e vai ver como as coisas são”.

Os espectadores

António Costa

Publicamente, o primeiro-ministro riu-se muito com as eleições no partido adversário. Quando este sábado lhe perguntaram quem preferia que ganhasse, respondeu: “Já chega eles discutirem qual deles me prefere a mim”. Mas a graça não durará muito. A seguir às legislativas, com a “geringonça”, o PSD ficou paralisado; a seguir às autárquicas, com a demissão de Passos, ficou congelado. Mas nada dura para sempre e o PSD vai agora finalmente ter oportunidade de fazer oposição.

Assunção Cristas

O CDS está ainda eufórico com a vitória nas autárquicas em Lisboa e sonha que talvez um dia, eventualmente, no futuro, quem sabe, possa ser maior do que o PSD. Mas, se esquecermos as fantasias, resta a dura realidade de sempre: os centristas só voltam ao governo se o PSD precisar deles. Durante a campanha laranjinha, Assunção Cristas simulou indiferença e distanciamento, mas esta noite foi tão importante para ela como para os social-democratas. Como diria Paulo Portas, a líder do CDS tem agora dois anos para se transformar na BFF de Rui Rio.

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