Ministério da Defesa

Azeredo Lopes responde à NATO e promete: “Portugal vai reforçar investimento na Defesa”. Será a compra de aviões

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O secretário-geral da NATO avisou que mais crescimento tem de significar mais investimento na Defesa. Na resposta, o ministro Azeredo Lopes comprometeu-se a gastar mais. Terá a ver com os KC-390.

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

O Estado português vai gastar mais com a área da Defesa. O compromisso é do ministro Azeredo Lopes, que reagiu de imediato aos avisos do secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg: o norueguês tinha desafiado o Governo de António Costa a aproveitar o crescimento económico para investir mais, lembrando que há uma meta de 2% do seu Produto Interno Bruto (PIB) para cumprir até 2024. Na resposta, Azeredo Lopes deixou a garantia: “Portugal assume os seus compromissos e cumpre-os”. O aumento real dos gastos militares em Portugal terá a ver com a eventual compra de cinco aviões KC-390, com um valor que deve rondar os 400 milhões de euros, sabe o Observador.

“O compromisso que nós temos para com as metas que foram estabelecidas em 2014 mantém-se. Portugal tem intenção de reforçar o investimento e aquilo que gasta em Defesa“, afirmou o ministro, em declarações à Antena 1.

Azeredo Lopes garantiu que transmitiu essa mesma informação ao secretário-geral da NATO quando Stoltenberg esteve em Portugal, a 26 de janeiro. Confrontado com a viabilidade das metas que o país tem de atingir — Portugal tem de canalizar 2% do Produto Interno Bruto (PIB) para a Defesa até 2024, Azeredo Lopes não teve dúvidas: “Se não fosse viável, Portugal não afirmava o seu compromisso”.

“Portugal não estaria a negociar investimentos e aplicações se não fosse viável. É disso que se trata. É um reforço evidentemente significativo, mas Portugal assume os seus compromissos e cumpre-os”, insistiu Azeredo Lopes.

O ministro não explicitou, mas esse crescimento do orçamento da Defesa terá a ver com a compra dos seis aviões KC390, da Embraer, disse uma fonte da Defesa ao Observador. Essas aeronaves de fabrico brasileiro e que em parte serão produzidas em Portugal, servirão para substituir os C130, aviões de transporte estratégico. Algumas dessas unidades devem estar preparadas para combater fogos.

A Lei de Programação Militar (LPM) deve ser alvo de um processo de revisão a iniciar em março, para também contemplar este investimento. A discussão será ser “interessante”, como classifica uma fonte da Defesa, porque com a Força Aérea a absorver uma fatia tão significativa dos gastos em equipamento, isso pode frustrar, sobretudo, as aspirações da Marinha para adquirir mais navios patrulhas oceânicos. Com a nomeação do almirante António Silva Ribeiro como CEMGFA, essa será uma discussão que a Armada não deverá querer deixar cair. O problema, como o coloca uma fonte do ministério, tem a ver com estes objetivos: se o foco for nos KC-390 e nos patrulhas oceânicos, as Forças Armadas correm o risco de não ter dinheiro para mais aquisições nos próximos anos. E o ministério á fez saber que até ao início de 2019 quer comprar as substitutas das velhas metralhadoras G3.

Esta terça-feira, o secretário-geral da NATO defendeu que Portugal deve aproveitar o crescimento económico para gastar mais em Defesa, aproveitando o crescimento económico que se está a registar. “Há mais margem para o aumento dos gastos em Defesa”, afirmou Stoltenberg, defendendo ainda que os aliados têm de investir mais e melhor neste setor.

Neste momento, Portugal canaliza para a Defesa apenas 1,32% do seu PIB. O Orçamento do Estado para 2018 prevê uma despesa total consolidada de 2.151 milhões de euros, mais 7,5% face à estimativa de 2017.

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