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O diagnóstico está feito: é preciso exportar mais, inovar, aproximar a indústria gráfica à do papel, e ajustar o negócio às necessidades dos clientes. “A consolidação do setor e a cooperação efetiva entre empresas complementares” é crucial para crescer. “O todo é maior do que a soma das partes”, explica ao Observador José Augusto Constâncio, presidente da Associação Portuguesa das Indústrias Gráficas de Comunicação Visual e Transformadora de Papel (Apigraf).

As mais de três mil empresas do setor das Indústrias Gráficas, Comunicação Visual e de Transformação de Papel, empregam atualmente 23 mil trabalhadores e geram, por ano, mais de 1,9 mil milhões de euros de volume de negócios. Lisboa representa 41% dos postos de trabalho existentes em Portugal nas indústrias gráficas e o Norte concentra as transformadoras de papel.

Mas é possível fazer mais e melhor. A análise do setor e a estratégia para crescer num mundo cada vez mais digitalizado fazem parte de um estudo encomendado pela Apigraf à consultora Augusto Mateus & Associados e que é esta quarta-feira apresentado no Porto.

É necessário alterar o “modelo de negócio”, responder “ao desafio da integração de meios digitais e físicos na área da comunicação”, reforçar as “áreas comercial e de marketing”. Mas mais do que isso, sublinha José Augusto Constâncio, apostar na “promoção do trabalho em rede”, no incremento de parcerias” e na “intensificação na procura dos mercados externos”.

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Ganhar mercado cá dentro…

“O sector possui um peso relevante no conjunto das indústrias transformadoras em Portugal”, explica José Augusto Constâncio, sendo que o maior peso da indústria transformadora “é o fabrico de papel e cartão canelados, de embalagens de papel e cartão”. Na indústria gráfica, o ponto forte “é a impressão, nomeadamente de produtos media, encadernação e atividades relacionadas”.

Embora a indústria gráfica tenha perdido “mais de 20% do seu volume de faturação entre 2004 e 2012”, a de transformação de papel aumentou o “volume de faturação em mais de 30%”. Como um todo, o setor “perdeu apenas 3% do valor de mercado neste período, o que não deixa de ser surpreendente”, afirma José Augusto Constâncio.

… e lá fora

Espanha, Angola e França têm “apetite” pelos produtos transformados de papel, enquanto “os produtos gráficos portugueses estão a ser procurados sobretudo por Angola, Espanha e Moçambique”. Uma dinâmica que levou as exportações portuguesas aumentarem “83% entre 2005 e 2013, passando de 194 milhões de euros para os 356 milhões de euros”. E estamos só a falar de exportações diretas. “Segundo a aproximação feita pela Augusto Mateus & Associados, em 2011, saiu do país um valor superior a 335 milhões de euros de produtos das indústrias gráficas e transformadoras de papel” pela via da exportações indiretas.

“Isto significa que, em termos efetivos, as exportações setor corresponderam a quase o dobro do valor que aparece nas estatísticas do comércio internacional publicadas regularmente pelo INE” e “contribuem para um volume total de exportação de 691 milhões de euros, ou seja, 32% da produção do setor”, acrescenta o presidente da Apigraf.

A procura dos mercados emergentes está a impulsionar o negócio. Embora “os elevados custos de transporte” sejam uma condicionante, a capacidade internacional do setor aumentou de forma extraordinária. “Entre 2005 e 2013, as exportações cresceram a um ritmo superior a 9% ao ano nas duas principais indústrias que o constituem”, revela José Augusto Constâncio. Fruto disso, acrescenta, “em 2012, as indústrias gráficas exportaram diretamente 9% da sua produção e as indústrias de transformação de papel 24%, ou seja, mais três pontos percentuais e oito ponto percentuais do que em 2005, respetivamente”.

Portugal passou, assim, “de uma posição de país pouco especializado na produção e comercialização deste tipo de produtos nos mercados internacionais, para uma posição de especialização relevante”, argumenta o presidente da Apigraf. “Significa isto que, na prática, por via direta e indireta, 24% dos produtos gráficos e 42% dos produtos transformados de papel têm como destino final os mercados internacionais”. “Estamos, portanto, a falar de níveis muito relevantes de orientação exportadora”, remata José Augusto Constâncio.