O último disco gravado pelo guitarrista de flamenco Paco de Lucía, falecido em fevereiro deste ano, vai ser editado na segunda-feira, anunciou esta quarta-feira a discográfica Universal Music.

O 27.º álbum da carreira do guitarrista intitula-se “Canción Andaluza” e, de acordo com a Universal, foi “o último disco que o mestre do flamenco deixou pronto”.

“Canción Andaluza” é “um testemunho histórico, em que Paco grava oito clássicas coplas andaluzas que nunca antes tinha tocado, mas que fizeram parte das suas recordações de infância, como “María de la O”, “Ojos Verdes” e “Señorita””. Segundo a Universal Music, Carlos do Carmo e Paco de Lucía “tinham planeado uma colaboração para 2014”.

O fadista Carlos do Carmo, que era amigo e admirador do músico espanhol, afirma, citado pela editora, que este é um disco “irrepetível” e identifica, numa das canções, referências da guitarra portuguesa. “Há um flamenco antes e depois do Paco, e não é porque haja uma rutura, mas porque ele abre o género. Tal como Astor Piazzolla e o tango. É nesse plano que eu o coloco”, afirma Carlos do Carmo. Para o fadista português, “o amigo Paco de Lucía” era “um homem de equipa, que distribuía muito bem o jogo”.

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Paco de Lucía (Paco é o diminutivo espanhol de Francisco e Lúcia era o nome da mãe, natural de Castro Marim, no Algarve) atuou diversas vezes em Portugal, a última das quais em 2007, quando apresentou o álbum “Cositas Buenas”, no Campo Pequeno, em Lisboa. Em 1981, o músico editou um álbum intitulado “Castro Marim”, de homenagem às raízes portuguesas e, em 2005, quando tocou na vila algarvia, tratou os espetadores portugueses por “primos”. No ano passado atuou para um público luso-espanhol no Festival Badasom, em Badajoz.

O músico que foi considerado “um génio”, pela crítica especializada, morreu aos 66 anos em Cancún, no México, no passado dia 26 de fevereiro.