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Este era um duelo com pano para mangas. Suíços e franceses disputavam a liderança do Grupo E depois de terem vencido na estreia. A França despachou com facilidade as Honduras por 3-0. O meio-campo promete ser uma das grandes atrações deste Mundial. A Suíça passou mal contra o Equador e apenas festejou o golo vitorioso no último suspiro (2-1). Estas duas seleções já se encontraram 36 vezes. Trinta e seis. Os franceses venceram 15 vezes e os suíços 12 — o empate sorriu em nove ocasiões.

França: Lloris, Debuchy, Varane, Sakho, Evra, Cabaye, Valbuena, Matuidi, Sissoko, Benzema e Giroud.

Suíça: Benaglio, Lichtsteiner, Von Bergen, Inler, Seferovic, Xhaka, Behrami, Rodriguez, Mehmedi, Djourou, Shaqiri

A Suíça era um dos focos de interesse deste Mundial desde o início, já que vemos a geração de 2009, a tal que venceu o Campeonato do Mundo sub-17, a surgir e a dar conta dos destinos de um país sem grande tradição no futebol. As esperanças de um país inteiro estão nos pés de Shaqiri (1991), Xakha (1992), Seferovic (1992) e Rodriguez (1992), por exemplo. Os ventos de mudança chegaram logo na qualificação para este torneio, quando os suíços somaram 24 dos 30 pontos possíveis no Grupo E, o que lhes valeu a liderança isolada — Islândia acabou em segundo a sete pontos.

A revolução que Didier Deschamps promoveu na seleção gaulesa já começa a dar frutos. O meio-campo com Cabaye, Paul Pogba, Matuidi e Valbuena deram conta do recado contra as Honduras e mostraram um belo entendimento. Benzema assume-se como o matador de serviço, título esse que justificou com os dois golos e meio a Valladares.

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A partida começou com um ritmo lento e não muito bem jogado. As equipas procuravam encontrar-se no relvado. Benzema, descaído para a esquerda no ataque francês, foi o primeiro a ameaçar a baliza de Diego Benaglio, o guarda-redes que passou pelo Nacional da Madeira. Belíssimo remate em arco a passar muito perto do poste esquerdo do suíço (5′). O avançado voltava assim a uma posição que tão bem conhecia. Foi aí que deu nas vistas e ganhou fama no Lyon.

Aos 17′ o jogo lento e mastigado virou do avesso. Canto para a França e Giroud aproveitou para fazer o primeiro da noite. Grande cabeceamento do avançado do Arsenal. De seguida a bola foi ao meio e… disparate de Mehmedi! O médio suíço ofereceu um presente a Benzema e este não rejeitou. Correu em velocidade a furar o meio-campo adversário e fez uma ótima assistência para Matuidi. O médio do PSG, já dentro da área descaído para a esquerda, rematou com a canhota e enganou Benaglio, 2-0. A Suíça estava a viver um pesadelo…

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Os suíços até acabariam por responder bem, procurando arriscar mais e estender-se no campo. Primeiro foi Shaqiri a surgir pela esquerda a rematar perto do poste. A seguir, depois de uma arrancada, Mehmedi obrigou Hugo Lloris a aplicar-se. Boa defesa do francês do Tottenham. No entanto, o pesadelo suíço prometia ter continuidade à passagem da meia hora. Karim Benzema foi derrubado na área pelo precipitado Djourou. O avançado do Real Madrid assumiu mas foi contrariado por Benaglio. Na recarga, Cabaye conseguiu o mais difícil: bola na trave da baliza deserta. Segundo a Opta, Benzema é o primeiro francês a falhar um penálti em Campeonatos do Mundo.

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E nem quando estavam no ataque os suíços podiam descansar. Foi o que aconteceu aos 37′. Canto para a equipa de Ottmar Hitzfeld, que a defesa francesa acabaria por resolver bem. Depois… bom, depois é espetáculo. Benzema tocou para trás para Varane; o defesa do Real Madrid levantou a cabeça e colocou de forma sublime em Giroud na esquerda. O avançado do Arsenal galgou metros e ofereceu o trêz-zero a Valbuena, que esperava pela glória ao segundo poste. Um verdadeiro festival francês.

Okay, talvez fosse exagerado o resultado, mas a equipa de Deschamps tinha muito mérito ao saber aproveitar os erros do adversário e o espaço que concediam. O intervalo chegaria pouco depois em Salvador da Bahia. Giroud, a surpresa de Deschamps para esta partida, rematou duas vezes, marcou um golo e fez uma assistência. Grande, grande primeira parte.

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O segundo tempo voltou a registar um ritmo lento. Estava mais morna a partida. Afinal, os franceses já tinham o que queriam. Os suíços não sabiam muito bem como contrariar a superior dos rivais. Num deserto de oportunidades de golo, o lance mais perigoso até aos 65′ pertenceu a Mehmedi. Lloris voltou a ser decisivo com uma mancha impecável e destemida. Dois minutos antes tinham entrado Paul Pogba, o médio da Juventus. Eram boas notícias para quem gosta de futebol…

E o francês não precisou de muito tempo para mostrar a sua classe. Depois de algumas triangulações pelo corredor direito, a bola sobrou para Pogba que, com uma trivela inacreditável, deixou Benzema na cara de Benaglio. O avançado redimiu-se do penálti falhado e assinou o quatro-zero.

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O tsunami francês continuava e o quinto não demoraria muito a chegar. Eram vagas e mais vagas de ataques. Estavam imparáveis estes franceses. Por isso. não surpreendeu ninguém o que se passaria a seguir: mais uma bela jogada de entendimento entre Matuidi e Benzema à entrada da área, até que este último ofereceu a Sissoko, que esperava do lado direito. O médio do Newcastle chutou cruzado para a mão cheia. Cinco-zero.

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O golo da honra suíça chegaria. Foi, sensivelmente, a dez minutos do fim. Džemaili marcou de livre direto, o primeiro do Campeonato do Mundo. A bola passou por entre a barreira francesa. Seis minutos volvidos e mais um golo da Suíça. Estariam a tomar-lhe o gosto? Inler, com um passe picado para as costas da defesa, descobriu Xhaka já dentro da área. O médio rematou de primeira. Belo golo.

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Sim, acabámos o relato dos golos. Ponto final. Diego Benaglio já podia respirar fundo. Que loucura de jogo este. Vamos por partes:

França e Suíça começaram por disputar um jogo equilibrado na primeira parte. O primeiro golo francês surgiu de canto — bom cabeceamento de Giroud. Logo de seguida, Mehmedi ofereceu a bola a Benzema e este conseguiu isolar Matuidi. O terceiro, ainda antes da intervalo, chegou num contra-ataque sublime depois de um canto para a Suíça. Ou seja, o resultado ao intervalo era algo exagerado, mesmo apesar da França ter falhado um penálti (Benzema). A equipa de Deschamps não estava a esmagar os suíços com o seu futebol, mas soube aproveitar os erros e o espaço que o rival oferecia.

A segunda parte já foi diferente. Até começou morna, algo aborrecida até aos 65′, altura em que Mehmedi quase marcou. A partir daí foi ver a França a crescer. E, afortunadamente para quem gosta de futebol, com Paul Pogba em campo. Curiosamente, ou não, foi ele quem fez o passe de mestre (trivela!) para Benzema marcar o quarto golo. Esta partida estava a ser um pesadelo para Benaglio e companhia. A noite parecia eterna. As oportunidades sucediam-se: primeiro Xhaka, depois Evra… Ficaríamos pelo 4-o? Não.

Aos 73′, a França assinou mais uma combinação interessante no seu ataque, que culminou com um passe para Moussa Sissoko. O médio do Newcastle rematou cruzado para o cinco-zero. Mão cheia em Salvador da Bahia: um verdadeiro festival de bom futebol e um sem fim de remates à baliza de Benaglio. Pergunta que se impõe: alguém se lembrava de Franck Ribéry?

A Suíça teria os seus momentos para suavizar o pesadelo. Primeiro, de livre direto, o primeiro do Campeonato do Mundo, foi Džemaili, que beneficiou de uma barreira mal feita — a bola passou entre as pernas de Benzema. Depois foi Xhaka com um remate de primeira já dentro da área depois de um passe picado maravilhoso de Inler por cima da defesa. Agora sim, ponto final. A sério.

Ah! Falta mencionar que Benzema ainda marcou o sexto, mas o árbitro já tinha apitado para o final da partida. O francês ainda festejou e o placard eletrónico com o resultado também acompanhou. Mas nada feito, não contou. E que pena, seria um dos golos do torneio.

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A França não marcava cinco golos num jogo do Mundial desde 28 de junho de 1958, quando bateram a Alemanha por 6-3 — Fontaine fez um poker. A forma física dos gauleses aliada à crença e moral podem tornar esta seleção de Didier Deschamps num caso muito sério no Mundial. Quem diria?