Se não soubermos de antemão quem foi Violette Leduc, é difícil antecipar os acontecimentos que se vão sucedendo em “Violette”, o filme sobre a vida desta escritora francesa que estreia esta quinta-feira nas salas de cinema portuguesas.

A protagonista deste filme não é bonita. Vive de trocas de alimentos no mercado negro francês, durante a Segunda Guerra Mundial, tem uma relação conturbada com os pais e mostra-se demasiado carente para que alguém – seja homem ou mulher – aguente estar numa relação amorosa com ela.

Violette pega em todas frustrações que guarda do passado e do presente e passa-as para o papel, com uma força difícil de vislumbrar nesta mulher com tão baixa auto-estima. Todas essas folhas juntas haveriam de se transformar, em 1946, no seu primeiro livro. E é aqui que começamos a ser surpreendidos com os nomes que nos vão surgindo no ecrã: Simone de Beauvoir, Jean Cocteau, Jean Genet, Albert Camus, Jean-Paul Sartre. Todos nomes maiores da literatura francesa e mesmo mundial.

O seu primeiro livro, L’Asphyxie, pode não ter tido sucesso, mas valeu-lhe o respeito e admiração do meio intelectual, e um papel ativo na emancipação da mulher.

A partir daí seguiram-se muitos outros. O sucesso haveria finalmente de chegar e o seu livro mais famoso, La Bâtarde, publicado em 1964, foi um dos favoritos para o Prémio Goncourt, tornando-se um sucesso de vendas. Dois anos depois sai Teresa e Isabel, com a história que em 1955 foi censurada do seu livro Ravages, devido ao conteúdo explícito na descrição de uma relação lésbica.

Estes são apenas alguns dos episódios que o realizador Martin Provost quis que víssemos em “Violette”. Para dar vida a Violette Leduc e Simone de Beauvoir escolheu as atrizes Emmanuelle Devos e Sandrine Kiberlain, respetivamente.

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