“A informação principal já está reunida”. O diretor do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves (GPIAA) em Portugal não tem grandes dúvidas: “o relatório preliminar não deve tardar muito, deverá ser conhecido muito brevemente.” Álvaro Neves tem acompanhado com natural interesse o caso do voo MH17, da Malaysia Airlines, que caiu na Ucrânia e diz que o facto de a missão de peritos internacionais não conseguir aceder ao local onde caiu o avião “dificulta o acesso a alguma informação, mas trata-se de elementos apenas complementares”.

Para o diretor do GPIAA o que a missão no terreno poderá permitir apurar são dados como “onde os fragmentos do míssil atingiram a fuselagem. Porque é muito claro que se tratou do abate do avião.” Álvaro Neves salienta que a “leitura das caixas negras revelou-se íntegra”, ou seja, o que lá estava não tinha falhas, nenhuma informação foi apagada. O diretor do Gabinete explica que “pelas imagens que já se viram é possível perceber muitos buracos na fuselagem, agora é uma questão de determinar exatamente onde perfuraram essa fuselagem.” Álvaro Neves salienta que já se percebeu que será muito difícil os peritos acederem ao local e que “os destroços já foram muito mexidos, muita informação já terá sido comprometida.”

A falta de informação que poderá advir do local onde estão os restos do voo MH17 acabará, na opinião do diretor do GPIAA, por acelerar o relatório preliminar sobre o sucedido: “em condições normais o relatório preliminar demoraria entre três a quatro meses e o final estaria pronto ao fim de um ano. Como a informação fundamental já está apurada, a causa já está definida, não duvido que muito brevemente esteja concluído o preliminar e em seis meses o final também será conhecido.”

O avião, que saía de Amesterdão rumo a Kuala Lampur, capital da Malásia, foi abatido por um míssil quando sobrevoava o céu do leste ucraniano, no último dia 17 de julho. Morreram 298 pessoas, a maioria de nacionalidade holandesa. Ambos os lados do conflito, tanto as forças dos separatistas pró-russos como as milícias ucranianas, têm apontado o dedo ao outro, atirando culpas ao abate “acidental” do avião comercial.

A equipa internacional encarregue de investigar no terreno a queda do avião está desde domingo (dia 27) a tentar chegar ao sítio onde estão os destroços do veículo, mas sem sucesso. Esta quarta-feira, o Conselho de Defesa e Segurança Nacional ucraniano acusou mesmo os rebeldes – a quem chama de “terroristas” – de terem colocado minas e de se terem posicionado em locais estratégicos de combate na estrada que dá acesso ao local.