Em 12 meses, foram criados 90 mil empregos em Portugal. Os dados resultam da diferença entre o número de empregos criados e o número de postos de trabalho destruídos e foram divulgados esta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). O saldo final dá conta de uma subida de 2% no número de pessoas empregadas, no final do segundo trimestre de 2014. São agora cerca de 4,5 milhões.

O aumento veio confirmar a interrupção que se iniciou no último trimestre de 2013, depois de quase dois anos de decréscimos no número de pessoas empregadas, segundo o INE. Para Inês Domingos, professora na Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica, as notícias são boas, mas é preciso ter em conta a sazonalidade da Páscoa.

Em 2014, o feriado religioso celebrou-se no segundo trimestre, quando no ano anterior se celebrou a 31 de março, no final do primeiro trimestre. Para o aumento da população empregada, que subiu 2% face ao trimestre anterior e outros 2% face ao segundo trimestre de 2013, contribuíram vários fatores. O aumento do número de homens empregados foi de 50,4 mil, uma subida que explica 56% do aumento global.

O setor dos serviços foi o que criou mais emprego e a população empregada cresceu sobretudo na faixa etária entre os 35 e os 44 anos.

A faixa etária em que o emprego mais subiu foi a que se situa entre os 35 e os 44 anos, com um aumento de 64,7 mil empregos. Para as pessoas que têm entre 45 e 64 anos, foram criados mais 45,2 mil postos de trabalho. O número de pessoas empregadas com formação superior cresceu: foram mais 81,7 mil. O emprego entre as pessoas menos qualificadas, com escolaridade até ao terceiro ciclo, caiu 5,8%.

Foi no setor dos serviços que se registou a maior fatia de empregos criados, mais 144,1 mil postos de trabalho. Já no setor da agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca, registou-se uma queda de 15,5% face ao segundo trimestre de 2013. Foram destruídos 74,8 mil postos de trabalho.

O emprego no setor da indústria, construção, energia e água também aumentou em 20,7 mil postos, mas contribuiu menos para o aumento global da população empregada. O INE destaca, também, o aumento do emprego nas indústrias transformadoras, em cerca de 40,9 mil.

O número de trabalhadores por conta de outrem aumentou (mais 152,5 mil), com destaque para os contratos sem termo, que cresceram 4,9% face ao segundo trimestre de 2013. Já o numero de independentes caiu: no final do segundo trimestre de 2014, o INE registava menos 54,7 mil trabalhadores por conta própria. No segundo trimestre do ano, o INE contou mais 154,4 mil empregos a tempo completo e menos 64,4 mil a tempo parcial. Entre os empregos criados, houve menos contratos a prazo.

Taxa de desemprego cai para 13,9%

A taxa de desemprego caiu 1,2 pontos percentuais no segundo trimestre de 2014, quando comparada com a taxa registada no trimestre anterior. No final de junho, fixou-se em 13,9%: existem 728,9 mil pessoas sem emprego em Portugal, menos 137,4 mil do que no segundo trimestre de 2013. No primeiro trimestre do ano, a taxa de desemprego cifrou-se em 15,1%.

A população ativa caiu 0,9% face ao segundo trimestre de 2013, são menos 47,4 mil pessoas, mas cresceu face ao primeiro trimestre. Entre o fim de março e o fim de junho de 2014, houve mais 28,5 mil pessoas consideradas ativas. Do primeiro para o segundo trimestre de 2014, 2,1% das pessoas que estavam inicialmente empregadas ficaram sem emprego e 3,4% saíram da esfera da população ativa.