A Câmara de Comércio da União Europeia (UE) na China elogiou esta quinta-feira a prorrogação da trégua comercial entre Washington e Pequim, mas alertou para “incertezas” para as empresas europeias devido aos controlos chineses às terras raras.
O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, anunciou na quarta-feira que os Estados Unidos e a China acordaram prolongar por mais dois meses a trégua alcançada a 30 de outubro de 2025 em Busan, na Coreia do Sul, após conversações com o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, na preparação da cimeira entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping.
O pacto, que devia expirar a 10 de novembro, inclui compromissos para suspender a imposição de tarifas adicionais e controlos à exportação de terras raras e produtos de alta tecnologia, recordou a Câmara europeia num comunicado.
A organização empresarial afirmou que a extensão é positiva porque a aplicação dos controlos previstos sobre terras raras teria um “impacto paralisante” na indústria, mas sublinhou que continua a existir uma “incerteza significativa” sobre a evolução da situação para além do novo prazo de 10 de janeiro.
A Câmara apelou aos dois países para que utilizem a prorrogação para avançar para uma “solução permanente” que atenda às preocupações de ambas as partes e garanta a previsibilidade e fiabilidade das cadeias de abastecimento globais.
No entanto, alertou que a extensão não resolve os problemas de fundo enfrentados pelas empresas ao solicitar licenças de exportação, tanto individuais como gerais.
Em 2025, em plena escalada comercial com Washington que culminou mais tarde na trégua de Busan, a China tinha anunciado controlos à exportação de terras raras, restrições sujeitas a licença que afetavam não apenas os Estados Unidos, mas todos os países.
Estes materiais são insumos fundamentais para indústrias como a automóvel, a eletrónica, as energias renováveis, a defesa ou os semicondutores, pelo que os controlos podiam afetar amplamente as cadeias globais de abastecimento.
A Câmara alertou que, apesar da prorrogação anunciada por Bessent, continuam por resolver os problemas enfrentados pelas empresas ao solicitar licenças, entre os quais a falta de coordenação entre o Ministério do Comércio chinês e a Administração Geral das Alfândegas, a “ausência de critérios padronizados” sobre a informação que as empresas devem fornecer e sobre os motivos pelos quais alguns pedidos são recusados.