Ciência

Afinal, o maior dinossauro carnívoro era aquático

Fósseis descobertos em Marrocos revelam que o espinossauro, o maior dinossauro carnívoro do mundo, vivia afinal muito mais dentro de água do que em terra.

É a mais recente descoberta da comunidade científica paleontológica: o dinossauro predador de mais de 15 metros de comprimento e uma membrana espinhosa nas costas, que conhecemos certamente do filme Jurassic Park, afinal terá vivido a maior parte da sua vida na água. É o primeiro e único dinossauro a apresentar características semiaquáticas, revela esta sexta-feira um estudo publicado na revista Science, baseado num novo esqueleto desenterrado em Marrocos.

E não é um dinossauro qualquer: trata-se do espinossauro, o maior dinossauro carnívoro em termos de comprimento, com 15 metros de comprimentos – quase mais três do que o Tyrannosaurus rex.

Tyrannosaurus_rex_vs._Spinosaurus_aegyptiacus

Segundo o estudo, os ossos analisados mostram que o Spinosaurus aegyptiacus, cujo primeiro fóssil foi encontrado em 1912, passou mais tempo em rios alimentando-se de peixes enormes do que em terra – apesar de também conseguir andar em solo firme – o que faz desta espécie a primeira a apresentar características semiaquáticas. Tinha pernas curtas, pés longos e planos, que os especialistas comparam a pés de pato.

“É quase como estar a trabalhar sobre um extraterrestre”, disse Nizar Ibrahim, um dos autores do estudo, da Universidade de Chicago, acrescentando que é talvez “o mais enigmático dos dinossauros”. “Ressuscitámos uma criatura gigante de um mundo perdido, enterrado há mais de 95 milhões de anos”, disse diante de um esqueleto em tamanho real exibido no National Geographic Museum, em Washington, que ajudou a financiar a investigação.

A noção de dinossauros nadadores “leva-nos a repensar uma data de ideias, como por exemplo a forma como conseguiram dispersar” entre enormes distâncias terrestres, afirma Hans Sues, cientista e curador no Museu de História Natural de Washington, que não esteve envolvido no estudo. Segundo o Wall Street Journal, a possibilidade de algumas espécies de dinossauros de grandes dimensões, como os saurópodes, poderem ter tido características aquáticas, já tinha sido equacionada mas sem provas suficientes para a tese seguir em frente.

O imaginário de que os grandes predadores eram criaturas terrestres sempre prevaleceu. Até Hollywood cimentou essa ideia quando retratou o espinossauro como um predador feroz que andava em solo firme. No filme Jurassic Park III, de 2001, este animal até entra num duelo fatal com o T-Rex, do qual sai vencedor.

jurassico parque

Espinossauro é retratato no filme Jurssic Parc III, de 2001

Mas Hollywood parece estar errado, sabe-se agora, visto que as características semiaquáticas do espinossauro derrubam essa conceção e mostram que, apesar de também andar em terra, as suas pernas curtas e patas “de pato” não permitiam que andasse com muita facilidade.

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