Quando o diagnóstico demora, instala-se a incerteza. Muitas pessoas recorrem à automedicação ou iniciam tratamentos desnecessários. Em alguns casos, utilizam antibióticos perante uma infeção viral, contribuindo inadvertidamente para um dos maiores desafios atuais da saúde pública: a resistência aos antimicrobianos. Um diagnóstico correto evita intervenções desnecessárias e reduz riscos para toda a comunidade, como demonstra, de forma cada vez mais evidente, o caso do dengue.

E porquê o dengue? Num mundo globalizado, os vírus viajam com a mesma facilidade que as pessoas e as mercadorias. O turismo, as viagens de trabalho e o comércio internacional contribuem igualmente para a circulação de pessoas, mosquitos e agentes infecciosos. É essa mobilidade que explica a expansão de algumas doenças que, até há poucos anos, pareciam distantes da realidade europeia.

As alterações climáticas, a mobilidade global e a circulação cada vez mais intensa de pessoas e mercadorias estão a alterar o mapa das doenças infecciosas. Vírus que associámos a regiões tropicais e subtropicais durante décadas, estão hoje a aproximar-se progressivamente da Europa. O dengue é um dos exemplos mais evidentes. Portugal continental continua sem transmissão da doença, mas o arquipélago da Madeira já apresentou um surto de dimensão considerável. Perante este cenário, seria imprudente assumir que esta realidade vai manter-se inalterada.

Em Portugal, o Instituto Nacional Ricardo Jorge monitoriza a presença do mosquito e a propagação do dengue, permitindo realizar um retrato da situação e acompanhar a sua evolução. Esta vigilância é essencial, mas dificilmente impedirá que, mais cedo ou mais tarde, o vírus encontre condições para circular.

É precisamente neste contexto que o diagnóstico precoce ganha uma importância decisiva. A utilização de testes rápidos para o dengue permitiu reduzir as idas aos serviços de urgência e o número de hospitalizações, facilitando decisões clínicas mais rápidas e mais adequadas. Compreender, desde cedo, se estamos perante um caso de dengue permite ajustar o tratamento, definir a vigilância necessária e orientar melhor os recursos de saúde.

Importa, por isso, continuar a investir em ferramentas de diagnóstico que conciliem rapidez e fiabilidade. Os testes laboratoriais, como o PCR, continuam a ser fundamentais pela sua elevada precisão, mas exigem infraestruturas e tempo de resposta. Os testes rápidos permitem responder a perguntas imediatas: devo viajar? Preciso de procurar assistência médica? Devo evitar o contacto com outras pessoas? Em muitas situações, essa capacidade de decisão faz a diferença.

As doenças infeciosas continuarão a acompanhar um mundo cada vez mais globalizado. Por isso, o diagnóstico precoce não serve apenas para confirmar uma doença; permite decidir, orientar o tratamento, evitar internamentos desnecessários, reduzir o recurso inadequado aos antibióticos e limitar novas cadeias de transmissão. Perante ameaças emergentes como o dengue, o tempo continua a ser um dos recursos mais valiosos da medicina.