O mercado português de investimento imobiliário está a ser marcado por uma retoma da atividade, com um aumento dos investidores internacionais, anunciou nesta quinta-feira a Cushman & Wakefield. No relatório Marketbeat Outono 2014, que foi hoje divulgado, a empresa de serviços imobiliários indica que “o primeiro semestre de 2014 foi marcado pela retoma da atividade do setor de investimento imobiliário nacional”, devido principalmente a dois fatores.

Primeiro, o setor está a ser impulsionado pela conclusão bem-sucedida do programa de assistência financeira em Portugal, indica a Cushman & Wakefield. Em segundo lugar, existe um “sentimento positivo por parte dos investidores estrangeiros em relação a toda a Europa do Sul, facto que levou a um aumento considerável da procura externa em Portugal”, acrescenta a consultora.

O relatório indica aliás que “a maior atividade por parte dos investidores internacionais foi evidente”, com estes a serem responsáveis por mais de metade do investimento realizado em imobiliário no primeiro semestre de 2014. A média dos últimos 10 anos foi de 45%. Entre janeiro e junho, apesar do aumento da atividade, o volume de negócios em ativos de imobiliário comercial totalizou 156 milhões de euros, um valor ligeiramente menor do que no primeiro semestre de 2013.

Em causa esteve um crescimento do número de investidores particulares no mercado – em parte aliciados pelos ‘vistos gold’ e pelo Estatuto dos Residentes não Habituais – e que costumam envolver-se em negócios de menor valor, explica a empresa. Desta forma, “o volume médio por negócio de investimento comercial situou-se nos 13 milhões, abaixo da média dos 10 anos anteriores”.

Os ‘vistos gold’, em conjunto com a nova Lei do Arrendamento Urbano, são também apontados como fatores importantes para o bom comportamento da reabilitação urbana, indica a consultora, que identifica como um outro contributo importante a maior disponibilidade das instituições financeiras para concederem crédito. As expetativas são de que “o segundo semestre verifique um volume de transações próximo do pico do mercado”, que em 2007 atingiu cerca de 800 milhões de euros entre julho e dezembro.