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O presidente da Câmara de Aveiro, José Ribau Esteves, está agora em direto neste jornal. Muito bom dia. No distrito já está a ser feito o levantamento dos prejuízos, há alguma ideia aproximada do que se perdeu?

Muito bom dia, um abraço ao auditório do Observador. Desde terça-feira, todas as câmaras municipais que têm danos mais fortes e, obviamente, aquelas que têm essa incidência em São Severo do Vouga, Albergaria-a-Velha e Águeda, estão no terreno a fazer esse trabalho. Aliás, na reunião que tivemos com o governo, na comitiva chefiada pelo ministro Manuel Castro Almeida, ficou também decidido que a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, os seus técnicos, a sua equipa, aliás, altamente experimentada pelos incêndios de 2017, porque na região centro, na altura, arderam 800 casas, juntam-se também aos técnicos das câmaras municipais. Na terça-feira, estavam já referenciadas 40 casas e 20 unidades industriais afetadas, algumas unidades industriais afetadas a 100%, e obviamente que esse balanço está agora a ser atualizado, completado e iniciado um processo para se fazerem projetos, para se fazerem obras de reabilitação e, obviamente, para se prestar ajuda com fundos que, em princípio, virão do orçamento do Estado, podendo alguns virem também de fundos comunitários, nomeadamente do Fundo do Socorro Europeu, que, como é público, o governo está a tentar acionar.

Portanto, pelo que diz, espera que o processo vá ser muito rápido.

Esse é o compromisso de toda a gente. E, obviamente, não pode ser de outra maneira. Estamos a falar da vida das pessoas, estamos a falar de bens fundamentais, a habitação para a vida global e uma unidade industrial, obviamente, é geradora de emprego e de riqueza. Portanto, há uma atitude muito pressionante, cada um sobre si próprio, normalmente as câmaras municipais e o governo, e um espírito de equipa muito saudável para fazer esse trabalho com essa auto-obrigação. Temos que ser rápidos, esta operação tem que demorar muito pouco tempo e, portanto, esperemos que, na prática, isso venha a acontecer. E, obviamente, este é o tempo de trabalhar muito para que seja assim, que venha a acontecer, a bem das pessoas.

Para que, de facto, chegue rapidamente a quem ficou prejudicado com estes incêndios. Ribau Esteves, nestes últimos dias, nesta semana, ouvimos alguns autarcas a falar de desorganização do terreno e até de dificuldade em chegar à tutela e perceber as linhas de comando. Também sentiu isso? Também teve dificuldade em falar com a Ministra da Administração Interna?

Eu não liguei à Ministra da Administração Interna.

Não precisou.

Acho que não é preciso para nada. Eu liguei foi para o primeiro-ministro e para o ministro da Coesão Territorial. São pessoas que conhecem o terreno, que sabem falar de forma simples sobre operações e cada um de nós tem o seu jeito. Portanto, não me lembraria ligar à Ministra da Administração Interna.

Como assim?

A resposta é muito simples. Veja que esta estratégia do governo atual, na gestão de comunicação política, é muito diferente da estratégia do governo de António Costa em 2017. Em 2017, qual era o ministro que falava todos os dias, que andou sob pressão política violenta e que, além do mais, sofreu com a sua demissão, os ônus daquilo que correu mal? A Ministra da Administração Interna. Desta vez, ninguém ouviu a ministra. Aliás, a ministra ontem veio dizer nada, quer dizer, veio dizer coisas que não acrescentam nada à matéria e o primeiro-ministro aciona, na terça-feira, o ministro Castro de Almeida, o ministro da Coesão, para tratar do pós-incêndio, porque o incêndio estava com quem o tem que combater, como é evidente, e não é a ministra da Administração Interna que combate incêndios, ela tem que estar a gerir com as autoridades ao mais alto nível, que têm essa responsabilidade. E, portanto, Luís Montenegro coloca um homem que conhece o terreno, que conhece os autarcas, que sabe o que são as operações, para tratar do pós.

Então está a dizer que a Ministra da Administração Interna foi irrelevante nestes dias de grandes incêndios no país?

A palavra irrelevante é sua. O que eu disse é que estamos em combate a incêndios, temos bombeiros, Autoridade Nacional de Proteção Civil, os cidadãos, eu sempre digo isto, que a maior cooperação de bombeiros que tivemos em todo lado foram os cidadãos que pegaram na mangueira, defenderam a sua casa, defenderam as suas empresas. E, portanto, aquilo que venho dizendo há tanto tempo é que há um comando difuso no terreno. Aliás, e vocês sabem disso, já leram as críticas, a liga a criticar a ANPC, e vice-versa. Portanto, é preciso integrar o comando no combate de operações. Eu, por exemplo, e os colegas presidentes de câmara, somos o responsável máximo da proteção civil municipal. Carla, sabe no que é que nós mandamos? Nós não mandamos em nada. E, portanto, há um problema de difusão de comando, de liderança de operações em Portugal. Todos os incêndios têm sempre esta crítica, ela é recorrente e é preciso que, numa das medidas que o atual governo venha a tomar, e esperemos todos que as tenha que tomar, já o aconselhamos, vamos continuar a aconselhar, obviamente, para que se decida bem e depressa, é esta a reestruturação do sistema de combate, a integração dos sistemas de comando, para não existir esta difusão do comando e este que, além do mais, não adianta nada, porque nós temos é que aprender para fazer melhor numa próxima desgraça, que esperamos, obviamente, que não chegue e para que não chegue, há muito trabalho a fazer.