A responsabilidade no emprego é, para 61% dos empregadores portugueses, uma das cinco competências sociais mais importantes — 41% consideram-na a número 1 –, segundo um estudo da Associação para o Desenvolvimento (TESE), conta o Público. O nome do relatório é encorajador: “Faz-Te ao Mercado: Estudo sobre o (Des)Encontro entre a Procura e a Oferta de Competências no Mercado de Trabalho e a sua Relação com a Empregabilidade jovem”. Encorajador e comprido.
Este estudo dá a mão a um relatório da McKinsey, de janeiro, que dizia que três em cada dez empregadores portugueses admitem não preencher as vagas na totalidade porque os candidatos não apresentam as características e competências desejáveis. E quais são as “competências desejáveis”? À parte da responsabilidade, quem contrata quer ver um jovem com disponibilidade para aprender, pró-ativo, com iniciativa, motivado e com sensibilidade para trabalhar em equipa, informa o estudo da TESE, que teve como público-alvo jovens entre os 15 e 30 anos.
Em jeito de resumo, deixamos as características que os empregadores veem como a mais importante, a special one, que permite ao jovem candidato convencer o empregador: Responsabilidade (mais importante para 41% dos empregadores); disponibilidade para aprender (30%); motivação (29%); pró-atividade (19%); saber trabalhar em equipa (1%).
Mas também os jovens têm uma visão do mundo laboral. Dos desafios e dificuldades. Pouco mais de 30% dos jovens inquiridos referiram-se à responsabilidade como a competência social mais importante. A motivação é a favorita para 40% e a pró-atividade para 18%. Mas nenhuma das anteriormente referidas beliscam a liderança isolada da resiliência, que nem está no top-5: 42% dos jovens consideram essa a característica mais importante para alguém que está ou quer estar no mercado de trabalho.
A descrição de resiliência para a Priberam diz-nos que é a “propriedade de um corpo de recuperar a sua forma original após sofrer choque ou deformação” e/ou a “capacidade de superar, de recuperar de adversidades”. Curiosa, por isso, a escolha dos jovens, que parecem estar mais focados na resistência e nas eventuais desilusões com que se vão deparar.
Outra conclusão pertinente do estudo da TESE é a relação, não muito estreita, entre as instituições de ensino e o mercado de trabalho. “Faltam pontes” e experiências durante o período da formação, aponta a Associação para o Desenvolvimento.
A apresentação do estudo terá lugar durante esta terça-feira na Fundação Cidade de Lisboa e, mediante de inscrição, aceitava todos os interessados e curiosos no “Faz-Te ao Mercado” — as inscrições estão encerradas. Haverá várias palestras e workshops, que permitirão aos presentes “descobrir” e “construir” competências transversais que o mercado procura. As conclusões serão apresentadas entre as 14h30 e 17h30. Os jovens entre 18 e 25 que participaram nas atividades de terça-feira terão o “Job Tours”, que prevê a visita a algumas empresas.
O estudo da TESE foi desenvolvido entre dezembro de 2013 e janeiro teve o contributo de 434 jovens, dez instituições de ensino superior e 84 empresas.