O diretor-geral da Captain Wings, que neste sábado inaugurou em Lisboa o primeiro ATM de ‘bitcoins’ em Portugal, admitiu que os alertas de utilização de moedas virtuais lançados pelo Banco de Portugal (BdP) “estão corretos” e reconheceu “perigos” para os utilizadores. “Todos os riscos levantados pelo Banco de Portugal (BdP) estão corretos. Existe bastante perigo e esse perigo acontece muito pela falta de informação das pessoas que passam a usar a moeda”, disse à Lusa o diretor-geral da empresa, Joaquim Lambiza.

Falando à margem da cerimónia de inauguração do primeiro ATM português de ‘bitcoins’, o responsável separou a questão da segurança “em duas vertentes”: a primeira prende-se com a falta de informação dos utilizadores de moedas virtuais e, numa segunda vertente, “o risco prende-se com a segurança da moeda como sistema financeiro ou de investimento”.

“Eu aí estou 100% do lado do Banco de Portugal. Não se pode fazer qualquer tipo de investimento nesta moeda sem saber o que se está a fazer. É uma moeda que, não sendo controlada, está sempre dependente da oferta e da procura. Se, repentinamente, aparece uma pessoa que está a vender barato, o preço baixa, mas se a comunidade não quer vender, o preço sobe”, afirmou. Na sexta-feira, o Banco de Portugal (BdP) lançou um alerta sobre os “riscos de utilização de moedas virtuais”, como é o caso do ATM de ‘bitcoins’, que foi hoje inaugurado em Lisboa.

O BdP informou, em comunicado, que este ATM “não está integrado no sistema de pagamentos português” e avisou que “as moedas virtuais não são seguras”, uma vez que as entidades que as emitem e comercializam “não são reguladas nem supervisionadas por qualquer autoridade do sistema financeiro, nacional ou europeia”.

Um dos problemas levantados pelo BdP é o facto de os utilizadores destas moedas virtuais suportarem “todo o risco”, uma vez que “não existe garantia” de que sejam aceites nas transações comerciais. Por outro lado, “em caso de desvalorização parcial ou total das ‘moedas virtuais’, não existe um fundo que cubra eventuais perdas dos utilizadores”, acrescenta o banco central. Outra das questões é que “o consumidor pode perder o seu dinheiro na plataforma de negociação e corre o risco de o dinheiro da sua carteira digital poder ser roubado”, não existindo qualquer proteção legal que assegure o reembolso.

O BdP alerta igualmente que “as transações em ‘moeda virtual’ podem ainda ser utilizadas indevidamente em atividades criminosas, incluindo no branqueamento de capitais”, e lembra que tanto o Banco Central Europeu como a Autoridade Bancária Europeia lançaram alertas durante os três últimos anos, sobre esta possibilidade.