A Polícia da República de Moçambique (PRM) tentou hoje, sem sucesso, dispersar, com gás lacrimogéneo, os eleitores que acorreram ao estádio 25 de Setembro em Nampula, norte do país, para o comício final da campanha do líder da Renamo, Afonso Dhlakama.

A cerca de meia hora do início da hora prevista para o comício de encerramento da campanha do líder da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) para as eleições gerais (presidenciais, legislativas e assembleias provinciais), a PRM disparou gás lacrimogéneo no local onde se concentrava a multidão e zonas adjacentes, testemunhou a Lusa no local.

A deputada da Renamo Ivone Soares, e candidata ao parlamento por Nampula, o maior círculo eleitoral do país, reagiu de imediato à atuação da PRM.

“Felizmente os jornalistas puderam ver em primeira mão aquilo que está a acontecer. Eu não sei se todos os regimes que estão em decadência têm que se comportar dessa maneira. Se o povo não quer a Frelimo {Frente de Libertação de Moçambique, no poder] não insistam. Saiam a bem”, disse Ivone Soares.

“Lançaram gás lacrimogéneo até para mim que sou deputada da Assembleia da República. Se a polícia não consegue entender que em Moçambique o povo é soberano, é tempo realmente de mudar esse governo. Estamos fartos de discriminação. A Frelimo acabou em Moçambique”, declarou.

Um membro da PRM disse à Lusa que “as ordens para disparar contra as pessoas vieram da chefia máxima” da corporação, não esclarecendo o que levou a polícia a atual. “Nós apenas viemos cumprir”, afirmou.

Depois da intervenção da PRM, um carro da Polícia de Trânsito passou do local e, com recurso a colunas de som, apelou à população para se manter calma.

Apesar do incidente, o comício de Dhlakama vai realizar-se e as pessoas mantiveram-se no local para ouvir o líder da Renamo.

Dhlakama chegou à cidade de Nampula ao meio da manhã de hoje e, foi recebido por uma enorme moldura humana.