A advogada iraniana Nasrin Sotoudeh venceu esta segunda-feira o Prémio Vaclav Havel do Conselho da Europa, atribuído pela instituição que zela pelos direitos humanos no continente.
Ativista contra a pena de morte e a obrigatoriedade do uso do véu para as mulheres, Nasrin Sotoudeh “representou ativistas, jornalistas, membros de minorias e crianças ameaçadas de execução (…) apesar das detenções recorrentes, das longas penas de prisão e dos riscos pessoais significativos”, destacou a instituição com sede em Estrasburgo.
Primeira iraniana a receber este prémio, foi escolhida em detrimento da compatriota Masih Alinejad, jornalista exilada nos Estados Unidos e ativista contra a obrigatoriedade do uso do véu, e da húngara Marta Pardavi, copresidente de um grupo de defesa dos direitos dos requerentes de asilo.
“Em momentos como este, recordamos as nossas lutas passadas, os nossos ideais comuns e as pessoas que nos apoiam em todo o mundo. Renovamos a esperança que partilhamos e dizemos a nós próprios: um dia, concretizar-se-á. Um dia, o sol da liberdade brilhará também sobre o nosso país”, afirmou a advogada, de 63 anos, numa mensagem de vídeo enviada de Teerão.
Mehraveh Khandan Heris, a filha, foi quem se deslocou a Estrasburgo para receber o prémio, criado em 2013 em homenagem ao antigo dissidente checo Vaclav Havel e dotado de 60 mil euros.
[Dois meses após o desaparecimento, e já depois de o genro, Raymond Quendoz, lhes ter anunciado que ia divorciar-se dela, os Silva Pais recebem finalmente notícias da filha. Annie está bem. Recusa dar detalhes sobre o seu paradeiro mas há cada vez mais evidências de que fugiu do marido para se juntar à revolução cubana. E, se isso aconteceu, uma coisa é certa: Annie tem de ter tido a ajuda e o aval do próprio Fidel Castro. Resta apenas saber porquê. Já pode ouvir o segundo episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]
Detida em abril pelas autoridades iranianas, Nasrin Sotoudeh, que recebeu em 2012 o Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, atribuído pelo Parlamento Europeu, foi libertada sob fiança mais de um mês depois, sem que fossem divulgadas informações sobre os motivos da detenção. A advogada já tinha sido presa várias vezes no passado.
A sua detenção ocorre num contexto de “preocupações com a sua segurança e, de forma mais abrangente, com a repressão dos advogados independentes e dos defensores dos direitos humanos” no Irão, salientou o Conselho da Europa.
O marido, Reza Khandan, está, por sua vez, preso desde dezembro de 2024.
Segundo organizações de defesa dos direitos humanos, milhares de pessoas foram detidas no Irão desde o início da ofensiva israelo-norte-americana contra a República Islâmica, a 28 de fevereiro.
Teerão reconheceu, entretanto, mais de 3.000 mortos nas manifestações contra o poder iraniano em janeiro, mas atribuiu a violência a “atos terroristas” orquestrados pelos Estados Unidos e por Israel.