O Presidente sérvio, Aleksandar Vucic, anunciou este domingo a sua demissão para se candidatar ao cargo de primeiro-ministro nas eleições legislativas previstas para outubro, marcadas após quase dois anos de manifestações lideradas por estudantes.

“Demito-me das minhas funções de Presidente”, declarou Aleksandar Vucic no palácio presidencial, perante apoiantes, acrescentando que, na segunda-feira, entregará o mandato à presidente da Assembleia Nacional.

A realização de eleições antecipadas era uma das principais reivindicações de um movimento estudantil nascido após o colapso, em novembro de 2024, de uma cobertura na estação ferroviária de Novi Sad, que causou 16 mortos.

A tragédia, amplamente atribuída à corrupção, desencadeou algumas das maiores manifestações na Sérvia desde a queda do líder jugoslavo Slobodan Milosevic, em 2000, reunindo, por vezes, centenas de milhares de pessoas.

Os apelos iniciais por uma investigação transparente evoluíram para a exigência de eleições antecipadas, que Vucic prometera repetidamente, sem, no entanto, fixar uma data.

O Presidente nacionalista sérvio, invocando “importantes turbulências no cenário político interno”, anunciou finalmente, no início de setembro, que as eleições, inicialmente previstas para dezembro de 2027, seriam realizadas no final de outubro.

Eleito Presidente pela primeira vez em 2017 e reeleito em maio de 2022, Aleksandar Vucic encurtou o seu mandato de cinco anos para fazer campanha para o cargo de primeiro-ministro, embora a lei não o obrigasse a demitir-se.

“Quero candidatar-me como um homem comum, como um dos membros do povo”, afirmou.

Aleksandar Vucic lidera agora a lista eleitoral do seu partido, o Partido Progressista Sérvio (SNS), populista de direita.

Poucos minutos antes da sua demissão, Vucic usou os seus poderes constitucionais para indultar dezenas de pessoas — incluindo estudantes e apoiantes do seu partido — suspeitas de infrações cometidas durante as manifestações.

“Decidi indultar 49 pessoas, 23 das quais relacionadas com os acontecimentos terríveis que atravessámos ao longo do último ano e meio”, disse, referindo-se às manifestações.

Nos termos da lei sérvia, a presidente do Parlamento, Ana Brnabic, assume agora interinamente a Presidência por um período máximo de três meses, durante o qual deverá ser convocada uma eleição presidencial.