O jogo ia na fronteira dos 21 minutos. O zero a zero estava teimoso. Até que Gary Cahill, matulão central inglês do Chelsea, resolveu deslizar pela relva, com o pé esticado — e à frente de Alexis Sánchez, do Arsenal. O árbitro apita, é falta, e o chileno fica na relva, a queixar-se das dores. Arsène Wenger, indignado, levanta-se do banco de suplentes, desce umas escadas e apressa-se para ir ao encontro do seu jogador. Pelo meio, encontrou José Mourinho. E empurrou-o. Agora chegou o mea culpa do treinador francês: “Ele provocou-me? Foi isso que senti”.

Demorou mais de uma semana. O empurrão aconteceu a 5 de outubro, em Londres, no meio de Stamford Bridge, estádio onde o Chelsea acabaria por vencer (2-0) o rival citadino. Mas as desculpas lá apareceram esta quarta-feira. “Lamento sempre quaisquer sinais de violência e peço desculpa”, disse Wenger, arrependido pela forma como agiu, que “não é maneira de alguém se comportar num campo de futebol”. E pronto, está feito? Nem por isso.

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Mesmo pedindo desculpa, o treinador gaulês quis repartir a culpa com o português. “Não entrei na área técnica [zona à frente do banco de suplentes, que define o limite onde o treinador de cada equipa pode estar, à beira do campo] do Chelsea. Se o Mourinho me provocou? Sim, foi isso que senti”, reforçou, em declarações à Telefoot, uma estação televisiva francesa, antes de lembrar que os treinadores tinham “um passado substancial” entre eles. E que passado.

Na última época, por exemplo, o técnico português apelidou Arsène Wenger como um “especialista em falhanços”, quando criticou os nove anos que o Arsenal levava, com o francês ao leme, sem conquistar um troféu — depois, no final da temporada, o Arsenal venceria a Taça de Inglaterra. Na altura, Mourinho revelou que não sentia “a necessidade” de pedir desculpa ao homem que está há 18 anos a dar ordens ao clube londrino.

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Antes do tal empurrão, o português que, com o Chelsea, lidera por estes dias a Premier League inglesa, referiu que “não precisava de pedir desculpas” nem “sentia necessidade” de o fazer. “Penso que devemos esquecer isso, ultrapassá-lo e seguir com a vida. As pessoas inteligentes e do futebol não precisam de pedir desculpas”, explicou, quando se referiu às declarações que proferira na época passada.

Sem largar o empurrão, e além de admitir “que não devia ter reagido de todo”, Wenger argumentou que tudo aconteceu numa “altura de loucos” do encontro. “Mas deram muita importância a esta história”, concluiu. No dia do incidente, o gaulês explicara que “tentou ir do ponto A ao B” e que “alguém [o confrontou] antes de conseguir chegar ao B”.