Cerca de um mês e meio antes da detenção de Ricardo Salgado, o Conselho Superior do GES decidiu pedir ajuda às autoridades portuguesas para obter um financiamento de 500 a 750 milhões de euros da Caixa Geral de Depósitos (CGD) para a Espírito Santo Internacional (ESI), uma das holdings do ramo não financeiro do grupo, escreve esta sexta-feira o jornal Sol.

Durante uma reunião do grupo, Salgado telefonou ao governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, que recusou conceder a linha de crédito. Depois, a família virou-se para Carlos Moedas, na altura secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro. Segundo o semanário, que teve acesso às gravações das reuniões do Conselho Superior, foi José Manuel Espírito Santo que sugeriu contactar o comissário escolhido pelo Governo para Bruxelas: “O Moedas, o Moedas! Eu punha já o Moedas a funcionar”.

O ex-presidente do BES liga então para Carlos Moedas: “Carlos, está bom? Peço desculpa por estar a chateá-lo a esta hora. Tivemos agora uma notícia muito desagradável. Tem a ver com a Procuradoria no Luxemburgo, que abriu inquérito a três empresas. Temos medo que possa desencadear um processo complicado sobre o grupo. Porventura temos de pedir uma linha através de uma instituição bancária. Seria possível dar uma palavrinha ao José de Matos, para ver se recebia a nossa gente da área não financeira? Temos garantias para dar”.

O antigo secretário de Estado adjunto diz-lhe que vai falar com o presidente da CGD, José de Matos, e revela que vai tentar pôr o ministro da Justiça do Luxemburgo, o luso-descendente e seu amigo Feliz Braz, em contacto com o GES. Salgado mostra-se aliviado e agradece a Moedas: “Ele abrir a porta para nós o contactarmos é excelente. Obrigado, Carlos, um abraço”. Depois, transmite os resultados do telefonema ao Conselho Superior: “O Carlos Moedas conhece o ministro luxemburguês de quem é amicíssimo. Vai tentar contactá-lo para ver se nós o podemos contactar. Enfim, é uma coisa simpática. Ao José de Matos vai também tentar contactá-lo, mas não sabe se o apanha hoje”.

Como é público, o Governo acabou por vetar o apoio público às empresas do grupo. O GES acabou por cair pouco depois – e a resolução do BES veio a seguir.

 

 

 

 

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