Uma das principais preocupações com o cumprimento do novo programa prende-se com a descontinuidade e a rutura que vai representar na forma de ensinar e aprender Matemática para os alunos que chegarem ao 10.º ano, no próximo ano letivo, explicou à Lusa a presidente da APM, Lurdes Figueiral.

De acordo com a responsável da APM, o programa do ensino secundário que vai entrar em vigor pretende ser uma linha de continuidade em relação ao programa da disciplina para o ensino básico de 2013, com o qual os alunos que chegarem ao ensino secundário, no próximo ano letivo, não tiveram qualquer contacto.

“Isto não faz qualquer sentido, independentemente das nossas discordâncias face ao próprio conteúdo do novo programa”, afirmou Lurdes Figueiral.

A presidente da APM revelou que a petição tem recolhido o apoio também de pais e encarregados de educação, que se manifestam nas redes sociais contra a aplicação do novo programa de Matemática do ensino secundário, sobretudo porque, “sendo a Matemática A uma disciplina fortemente selecionadora dos alunos”, os pais estão preocupados com o impacto da mudança na avaliação e nas notas dos exames nacionais, numa disciplina que muitas vez determina o acesso ou exclusão de muitos cursos, por diferenças decimais.

Lurdes Figueiral reafirmou as críticas à extensão, ao grau de abstração e à abordagem patente no novo programa, que introduz conteúdos lecionados no ensino superior.

“É um programa para matemáticos, criado de um ponto de vista do ensino superior e que representa um retrocesso até aos anos 50, a uma abordagem extremamente formalista e teórica, que se distancia da aplicação da Matemática ao dia-a-dia”, criticou.

Lurdes Figueiral disse que espera ver a petição, que, para já, conta com cerca de 300 assinaturas, discutida na Assembleia da República, mas admite que não espera “resultados favoráveis” dessa discussão, “nesta legislatura e com este Governo”, esperando uma mudança de atitude com um próximo executivo.

No texto da petição pública, a APM refere, em relação ao programa a entrar em vigor em 2015/2016, que “tais conteúdos e abordagens não têm paralelo em currículos de outros países, tidos como de referência, e foram abandonados há décadas pelos maus resultados a que conduziram”.

A APM quer não só a suspensão da aplicação do programa em 2015-2016, como uma avaliação ao trabalho desenvolvido e aos resultados obtidos com o programa ainda em vigor, admitindo que lhe possam ser feitos ajustes.