Havia risco. Há sempre. Um serviço com força em demasia, uma bola mal devolvida ou uma pancada dada um centésimo de segundo antes. No ténis, muitas coisas podem correr mal. O truque é não errar. Ou tentar fazê-lo o menos possível, para “não dar chance ao erro”, como dizem os brasileiros. Novak Djokovic, sérvio, erra muito pouco. É costume. E por isso chegou a Londres, ao ATP World Tour Finals, à prova que coloca os oito melhores tenistas do ano nos courts, sem ninguém à frente no ranking. Era o melhor. Mas, lá está, ainda havia um risco.

Um dos grandes. E isso via-se pelo nome: chamava-se Roger Federer. Aos 33 anos, o suíço, o senhor 17 títulos Grand Slam, ainda tinha hipótese de fechar a época à frente de toda a gente. Se o conseguisse igualaria o recorde de André Agassi, o careca norte-americano, que foi o mais velho tenista de sempre a acabar uma temporada na liderança do ranking da Association of Tennis Professionals (ATP). Era possível. Mas difícil, também.

Tudo dependia de Djokovic. E o sérvio não deixou. Novak já o sabia: teria que vencer três encontros em Londres, no pavilhão gigante da O2 Arena, à vista de milhares de pessoas nas bancadas e sobre um court pintado de azul. Bastava isso. Conseguiu-o esta sexta-feira, quando venceu por duplo 6-2 o checo Tomas Berdych e avançou para as meias-finais da prova.

Foi um alívio. E isso viu-se. Assim que Djokovic, de 27 anos, conquistou o último ponto da partida, esticou ambos os braços, apontou a cara para o céu, gritou e, depois, ergueu o dedo indicador. Número um. Após cumprimentar o derrotado Berdych, o sérvio correu até à primeira fila das bancadas e abraçou os membros da sua equipa, que ali estavam a assistir. “Ser número um do Mundo é provavelmente o mais difícil desafio para um tenista, por isso é incrivelmente gratificante conseguir este feito”, admitiu o sérvio, após o encontro. Pudera: pela terceira vez (já o fora em 2011 e 2012), Novak Djokovic acaba uma temporada como o tenista com mais pontos amealhados.

O sérvio, aliás, tornou-se apenas no quarto tenista a, no mesmo ano, ter perdido, reconquistado e acabado na liderança do ranking — antes, apenas Ivan Ledl, Roger Federer e Rafael Nadal o conseguiram. O espanhol, aliás, não está em Londres devido a uma apendicite, que o obrigou a submeter-se a uma intervenção cirúrgica.

E mais: Djokovic é o sétimo tenista na história conseguir terminar o ano como número um do ranking ATP. “Foi provavelmente o meu melhor ano de sempre. Tanto a nível profissional, como na minha vida privada”, confessou Djokovic, ao lembrar que foi em 2014 que se casou e foi pai. “É incrível, uma sensação linda e estou cheio de alegria”, acrescentou. Ou seja, Novak já sorri e tem motivos para isso. Mas ainda há mais ténis por jogar.

O sérvio, com esta vitória, garantiu um duelo nas meias-finais contra Nei Nishikori, japonês que participa pela primeira vez no ATP World Tour Finals. No outro encontro, por enquanto, Roger Federer ainda está à espera de adversário — que poderá ser o compatriota Stanislas Wawrinka ou o croata Marin Cilic, que se defrontam ainda esta sexta-feira.