Jogar no Cardiff City Stadium não é jogar num sítio qualquer. Jogar na capital do País de Gales implica ouvir os milhares de adeptos nas bancadas a entoarem o hino nacional a cappella, sem qualquer música, enquanto as palavras Hen Wlad Fy Tadau são ditas em uníssono. A Terra dos meus antepassados, cantam os galeses, num ato de afirmação cultural que lhes deu o nome red wall, a parede vermelha.

Ora, esta quinta-feira, a Noruega enfrentava a parede vermelha. Depois de vencer a Dinamarca e perder com Portugal, a equipa de Stale Solbakken visitava o País de Gales, que perdeu tanto com os dinamarqueses como com os portugueses. Em Cardiff, Oscar Bobb abriu o marcador ainda dentro do quarto de hora inicial, ao aparecer na cara do guarda-redes depois de um grande passe de Odegaard (11′).

Fredrik Aursnes e Schjelderup foram titulares nos noruegueses e Daniel James, produto da formação do Manchester United que atua agora no Leeds, empatou já perto do intervalo com um belo remate em jeito descaído na esquerda (38′). Stale Solbakken tirou Aursnes no início da segunda parte, para lançar Thelo Aasgard, e o dominó norueguês começou a ruir: Torbjorn Heggem foi expulso com cartão vermelho direto devido a uma falta quando Daniel James seguia isolado e deixou a equipa em inferioridade numérica.

Logo a seguir, ainda dentro dos primeiros cinco minutos da segunda parte e na conversão do livre direto originado pela expulsão, Neco Williams carimbou a reviravolta (48′). Já nada mudou até ao fim e o País de Gales venceu mesmo a Noruega em Cardiff, protagonizando a primeira grande surpresa da Liga das Nações e intrometendo-se nas contas do Grupo D, onde também estão Portugal e Dinamarca.