O debate era sobre a pobreza, mas resvalou para as diferenças entre PS e a maioria sobre a reforma do IRS. Na Assembleia da República, o PS interpelou o Governo sobre o aumento da pobreza, mas foi a justificação ideológica, depois de um congresso em que o discurso foi mais à esquerda, que marcou o início do debate na Assembleia da República:

“O nosso desafio não nos desloca do nosso espaço, não nos esquerdiza nem radicaliza”, disse o deputado Vieira da Silva, coordenador do PS para área das Finanças.

O PS questionou o ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, Pedro Mota Soares, sobre a pobreza infantil, sobre a queda dos números da qualificação de adultos, sobre a pré-escolarização e, ainda, sobre a reforma do IRS que, para os socialistas, ao manterem o quociente familiar, é uma “política de família que justifica o tratamento fiscal desigual que favorece os mais ricos”, disse o deputado na intervenção inicial.

Perante as perguntas, o deputado sentiu a necessidade de justificar com o posicionamento do partido, dizendo que não o “esquerdiza” nem “radicaliza”. “Estamos onde sempre estivemos: no espaço de liberdade e da justiça, no espaço da radicalidade da defesa da dignidade humana e da desigualdade”. E foi este questionamento que levou de novo o IRS ao palco do plenário: a reforma do IRS que o PS não vai acompanhar. No plenário, depois da pergunta de Vieira da Silva, o CDS aproveitou a deixa para apontar o dedo aos socialistas

Nuno Magalhães, líder parlamentar do CDS questionou o PS: “Uma família em que o marido receba mil euros por mês e a mulher mil euros, que tenham três filhos e que podem beneficiar de desconto no IRS, é uma família rica?”

Na resposta, Viera da Silva começou por dizer que o centrista fez um “exercício de demagogia” e devolveu a pergunta: “É verdade ou não que uma família com maiores rendimentos com o quociente tem ou não maiores vantagens na receita fiscal?”.

Em causa está o braço de ferro entre os socialistas e a maioria sobre a reforma do IRS. A maioria não abdicou do quociente familiar, que faz uma ponderação por cada filho no IRS e o PS acena com a falta de progressividade do imposto. Aliás, o PS acredita mesmo que o novo imposto fere o princípio constitucional em que está escrito que este imposto “visa a diminuição das desigualdades e será único e progressivo, tendo em conta as necessidades e os rendimentos do agregado familiar”.

Já sobre o assunto em debate, o ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, Mota Soares, defendeu que este foi o Governo que mais combateu a pobreza dizendo que “nunca antes se haviam estimado dois mil milhões de euros diretamente ao combate à pobreza, à exclusão social e ao desemprego”. Na intervenção que fez, Mota Soares disse ainda que fez um reforço nas cantinas escolares e na ação social escolar e referiu que estão neste momento 3500 imóveis no mercado social de arrendamento, que permite o arrendamento 30% mais barato.