O presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Grupo PT, Jorge Félix, “está mais favorável” à Oferta Pública de Aquisição da Terra Peregrin, de Isabel dos Santos, sobre a PT SGPS do que à venda da PT Portugal à Altice.

“Se compararmos os dois e tendo em conta o que é em princípio o projeto da Terra Peregrin, consideramos que este último é mais aceitável, mais forte, encorpado e balanceado para o futuro, enquanto o primeiro tem essencialmente interesses financeiros e de lucro”, disse à agência Lusa Jorge Félix, depois de uma reunião entre elementos do sindicato e o administrador da Terra Peregrin, Mário Silva, e a equipa da Oferta Pública de Aquisição (OPA), quese realizou nesta terça-feira de manhã.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Grupo PT (STPT) explicou que, “do ponto de vista global”, o projeto de Isabel dos Santos “está mais próximo daquilo que se pretende”, uma vez que “mantém o projeto inicial da criação de um grande operador lusófono de telecomunicações, que engloba Portugal, África e Brasil”, assim como “a integridade da PT Portugal e o seu centro de decisão e autonomia em Portugal”. “Este era o projeto defendido por Zeinal Bava [antigo presidente executivo da PT Portugal e também da operadora brasileira Oi] e que tinha de algum modo a nossa compreensão”, disse.

Jorge Félix falava assim em contraposição ao projeto de compra da PT Portugal pela multinacional francesa Altice à Oi que deixa de fora os ativos em África e o crédito de 897 milhões de euros sobre a Rioforte, do Grupo Espírito Santo, e foi aprovado pela administração da operadora brasileira na sexta-feira.

Sobre a salvaguarda dos postos de trabalho, Jorge Félix afirmou que os responsáveis da Terra Peregrin “comprometeram-se a defender sempre o diálogo e a cultura de respeito pelos trabalhadores”. “Se a PT Portugal tiver capacidade de crescimento a nível nacional, mas também se se puder desenvolver a nível internacional, muito menos necessidade haverá de reduzir postos de trabalho”, disse.

Lembrando que a decisão cabe agora aos acionistas da PT SGPS, Jorge Félix espera que os investidores ligados ao Estado português, como o Novo Banco e o Instituto de Gestão de Fundos de Capitalização da Segurança Social [acionistas na PT com 12,6% e 2,28%, respetivamente, segundo o ‘site’ da empresa] tenham o bom senso de aceitar a proposta” de Isabel dos Santos.

A Comissão de Trabalhadores da PT terá hoje sido recebida a nível informal pela Terra Peregrin, mas contactada pela Lusa antes do encontro escusou-se a prestar declarações. A 9 de novembro, a Terra Peregrin anunciou a sua intenção de comprar a PT SGPS, oferecendo mais de 1,21 mil milhões de euros pela totalidade das ações da empresa portuguesa, ao preço de 1,35 euros por ação. A oferta é destinada a 100% do capital da PT SGPS.

O conselho de administração da PT SGPS pronuncia-se hoje, segundo exige a lei, após o fecho do mercado sobre o projeto de prospeto de OPA lançada pela Terra Peregrin. Apesar disso, terá de ser convocada uma assembleia-geral de acionistas, o que só poderá acontecer quando a CMVM emitir um parecer favorável ao lançamento da OPA.

A oferta carece também de um parecer da Autoridade da Concorrência (AdC), já que Isabel dos Santos tem uma participação na operadora NOS. Por outro lado, a administração da Oi, empresa que detém 100% da PT Portugal desde o aumento de capital de maio, aprovou na sexta-feira a venda da PT Portugal ao grupo francês Altice, que tinha anunciado a 30 de novembro o aumento da oferta em 375 milhões de euros, para 7.400 milhões, tendo entrado em negociações exclusivas com a Oi.

Depois da aprovação pela Oi da venda da PT Portugal à Altice, a administração da PT SGPS é obrigada a pedir a convocação de uma assembleia-geral de acionistas, logo que seja oficialmente informada pela operadora brasileira. Contudo, a Terra Peregrin já disse que deixará cair a OPA caso os acionistas da PT SGPS aprovem a venda da PT Portugal à Altice. A PT SGPS detém 25,6% da Oi.