São 60 anos de jogos, eliminatórias e competições europeias. A UEFA cumpriu seis décadas de vida a 15 de junho  e, para assinalar a ocasião, resolveu varrer os golos que já caíram nos relvados das suas provas e escolheu os dez melhores. Neste caso os gostos até se podem discutir, mas duas coisas são certas: são todos golaços e o português é a língua mais falada.

Porque os pés direitos de Rui Costa e Cristiano Ronaldo, em tempos, bateram com tal força na bola que a enviaram com estrondo para dentro de uma baliza. O primeiro fê-lo em 2004, durante o Europeu que Portugal acolheu e perdeu na final. E o segundo conseguiu-o também no seu país, nos quartos-de-final da Liga dos Campeões que, em 2009, cruzou o Manchester United com o Porto.

É uma dezena de pontapés: sete com o pé direito e três com o canhoto. Não há nenhum golo de cabeça e o mais antigo remonta à final do Europeu de 1988, quando Marco Van Basten resolveu rematar de um sítio onde a maior parte das cabeças optaria por dominar a bola e colocá-la na relva. Eis os dez melhores golos que se marcaram nos últimos 60 anos, na e para a UEFA. Pode votar aqui no seu preferido.

1. Marco Van Basten, Holanda, final do Europeu de 1988

O cruzamento vinha longo e do outro lado do campo. Era uma típica bola para o avançado, já perto da fronteira da grande área com a linha de fundo, a dominar, segurar e passar a um companheiro que se aproximasse de frente para a baliza. Mas Marco Van Basten estava longe de ser um típico goleador e lembrou-se de a rematar logo, de primeira e em suspensão no ar. Foi o melhor golo da carreira do holandês e o segundo na final conquistada pela Laranja Mecânica.

2. Mauro Bressan, Fiorentina, fase de grupos da Liga dos Campeões de 1999/00

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Um jogo de loucos teria de ter pelo meio um golo também de loucos. Mauro Bressan encarregou-se de o inventar quando o Barcelona, ainda de Luís Figo, foi a Florença empatar 3-3 e ver um italiano a sacar um pontapé de bicicleta bem longe da grande área. O guarda-redes nem sequer estava adiantado e a bola entrou perto do ângulo superior esquerdo da baliza.

3. Zinedine Zidane, Real Madrid, final da Liga dos Campeões de 2002

Um movimento perfeito. É uma das descrições possíveis para o pontapé que Zidane deu com o pé esquerdo na bola que Roberto lhe cruzou, em balão, na final da Champions de 2002. Foi a nova que o Real Madrid conquistou e a vitória começou a aparecer quando o careca francês se lembrou de mostrar que era um génio.

4. Rui Costa, Portugal, quartos de final do Europeu de 2004

A vida já estivera mais difícil, mas os ingleses continuavam a lutar. O resultado estava num 1-1 e, no início da era de Deco na seleção e do fim da de Rui Costa, o número 10 português, já na segunda parte, saiu do banco para dar vida à seleção nacional: o médio, então ainda do AC Milan, apanhou a bola, passou por Phil Neville e, à entrada da área, disparou um míssil que faria o 2-1 para Portugal. O Estádio da Luz explodiu e o país foi atrás.

5. Peter Crouch, Liverpool, fase de grupos da Liga dos Campeões de 2006/07

Quando um avançado é bastanta alto, magrinho e lento, as más-línguas são rápidas a chamar-lhe tosco. Algo que Peter Crouch, de longe, não foi, quando em Anfield Road, pelo Liverpool, inventou um pontapé de bicicleta para rematar numa bola cruzada desde a direita.

6. Cristiano Ronaldo, Manchester United, quartos de final da Liga dos Campeões de 2008/09

Por esta altura já era o melhor jogador do mundo para a FIFA e estava a caminho da segunda final consecutiva da Liga dos Campeões, com o Manchester United. Pelo meio, Cristiano Ronaldo passou pelo Porto, nos “quartos”, e logo aos cinco minutos de jogo recebeu uma bola e resolveu rematá-la quando estava a 40 metros da baliza. A decisão deu um golaço.

7. Dejan Stankovic, Inter de Milão, quartos de final da Liga dos Campeões de 2010/11

Hoje Manuel Neuer é um precursor de uma nova forma de um guarda-redes se comportar em campo e até está entre os três finalistas da corrida à Bola de Ouro. Quando ainda estava no Schalke 04 o alemão já se aventurava para fora da área, a cortar bolas ou a passá-las aos companheiros. Em Milão correu mal, porque de cabeça cortou uma bola que foi parar a Dejan Stankovic, que quase na linha de meio campo a chutou de primeira e enviou-a para a baliza deserta dos germânicos.

8. Radamel Falcao, Atlético de Madrid, final da Liga Europa de 2011/12

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Diego Simeone chegara ao Atlético de Madrid a meio daquela época e tornou a equipa vencedora. Ele e Falcao, que chegou à final da Liga Europa e, logo no arranque, levou uma bola até à área, enganou um defesa do Athletic Bilbao e, com o pé esquerdo, enviou a bola para o ângulo superior esquerdo da baliza.

9. Samuel Umtiti, Olympique Lyonnais, fase de grupos da Liga Europa de 2012/13

A jogada não parecia perdida, mas pelo menos interrompida, quando a defesa do Tottenham conseguiu cortar um cruzamento vindo da direita. O problema é que a bola foi parar ao outro lado do campo, onde Umtiti, ao invés de a cruzar outra vez, a rematou de primeira após ela tocar na relva. O resultado foi um míssil que toda a gente viu passar e acabar dentro da baliza dos ingleses.

10. Zlatan Ibrahimovic, Paris Saint-Germain, fase de grupos da Liga dos Campeões de 2013/14

Uma conversa sobre golaços é para se ter com este senhor. Este foi marcado pelo avançado sueco na época passada, quando uma bola foi ter com ele a uns 25 metros da baliza e Zlatan optou por lhe bater, com força, em direção à baliza. A velocidade do pontapé nem deu tempo para o guarda-redes do Anderlecht reagir.