A justiça suspeita que a sociedade Espírito Santo (ES) Enterprise possa ter sido um saco azul do Grupo Espírito Santo (GES) para pagamentos não documentados, por onde terão transitado fundos vindos de Angola. O Ministério Público já está a investigar os fluxos financeiros associados à sociedade, que podem estar relacionados com operações envolvendo a Escom – a empresa do GES que foi usada para negócios que não estão na praça pública -, conta o Público.
As verbas podem chegar aos 28 milhões de euros e as autoridades estão a tentar apurar a origem das mesmas. Segundo o jornal estes montantes estarão relacionados com contas internacionais de Ricardo Salgado. O Público contactou, sem sucesso, Ricardo Salgado, cujos representantes têm referido que todos os dados sobre o seu património já foram entregues às autoridades.
Já em novembro o Público falava num possível saco azul, escrevendo que durante vários anos, o GES terá usado um veículo com o nome de Espírito Santo Enterprise para proceder a pagamentos que terão totalizado centenas de milhões de euros.
Em 2012, o ex-presidente do BES teve de justificar uma verba de 14 milhões de euros, como sendo uma prenda do construtor José Guilherme, seu amigo e cliente do BES e do BES Angola (BESA), tal como revelaram as jornalistas Maria João Babo e Maria João Gago no livro “O Último Banqueiro”, lançado este ano. Essa verba levou o banqueiro a recorrer ao Regime Excecional de Regularização Tributária, corrigindo três vezes a sua declaração fiscal.
Neste caso, os investigadores suspeitam que possa ter havido um acordo fictício destinado a justificar a verba perante o Fisco, algo que fontes próximas do ex-presidente do BES têm negado.