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Morreu o antigo gestor do Banco Espírito Santo, José Maria Ricciardi. Tinha 71 anos e também pertenceu ao Conselho Fiscal do Sporting. José Maria Ricciardi levou uma vida profissional no setor da banca, em especial no Grupo Espírito Santo, onde exerceu as funções na Comissão Executiva e foi vice-presidente do Conselho de Administração do BES Investimentos. Depois da queda do banco, foi figura central na denúncia de más práticas do primo e líder do BES, Ricardo Salgado. Ao Observador, admitiu que o primo o tinha tentado pressionar em troca de silêncio. Em direto neste jornal das 10h00 está agora conosco Miguel Horta e Costa, antigo administrador do BES. Bom dia, Miguel Horta e Costa, obrigada por estar conosco. Era próximo de José Maria Ricciardi. Que memórias guarda do amigo?
Bom dia a todos. José Maria Ricciardi era um amigo de infância. Mais novo que eu, era acima de tudo amigo dos meus irmãos, mas viveu muito em minha casa quando éramos novos. Acompanhei a sua vida universitária, designadamente quando estudou em Inglaterra. Mais tarde, vim encontrá-lo quando, terminando o meu último mandato de presidente executivo da Portugal Telecom, ele imediatamente me convidou para vice-presidente executivo do BES Investimento. E estive 12 anos com ele. No fundo, partilhei com ele o desafio de internacionalização do banco de investimento. Foi um desafio formidável que eu vivi intimamente com o José Maria. O José Maria para mim era um homem de causas, era um homem que se entregava com um enorme amor e paixão àquilo em que acreditava.
Era um gestor exigente?
Era. Era um gestor exigente, com muita ambição. Era um lutador. Aliás, nesta última fase da sua vida, triste, a lutar contra o câncer, aí também se manifestou dessa sua faceta de ser um lutador. É um dia triste hoje a partida dele para o Pai.
Miguel Horta e Costa, tinha uma personalidade muito diferente da do primo Ricardo Salgado. Já o vimos aqui esta manhã dizer que era uma pessoa muito bem-disposta, muito extrovertida. Não classificaria assim?
Não, era uma pessoa muito bem-disposta. Era uma pessoa que, como digo, se entregava com paixão àquilo em que acreditava, fosse profissionalmente, fosse o seu Sporting, a quem ele entregou uma grande parte da sua vida emocional. Portanto, era realmente um homem que vivia tudo com uma enorme emocionalidade. E talvez tenha sido também essa emocionalidade que não contribuiu para ele sobreviver a este desafio que teve com o câncer.
Miguel Horta e Costa, muito obrigada por ter estado conosco em direto neste jornal, ter recordado aqui o amigo de infância, José Maria Ricciardi, que morreu hoje. A Rádio Observador falou também com Jorge Tomé, amigo de José Maria Ricciardi e antigo gestor do Banif. Jorge Tomé recorda Ricciardi como uma pessoa frontal e bastante generosa.
O José Maria Ricciardi era uma pessoa, de fato, muito generosa. Eu costumo dizer isto a toda gente e amigo de seu amigo. De fato, ele era uma pessoa, na sua forma de ser, muito frontal. Há quem goste e há quem não goste. Eu, particularmente, gosto das pessoas frontais e que sejam diretas. Acho que isso só reforça as boas relações.
Jorge Tomé foi gestor do Banif, amigo pessoal também de José Maria Ricciardi. No desporto, levou uma vida dedicada ao Sporting, já ouvimos. Era sobrinho-neto do sócio-fundador do clube, José Alvalade. Esteve como membro do Conselho Fiscal em seis direções diferentes, de 1995 a 2013. Em 2018, candidatou-se à presidência do clube. Perdeu as eleições para o atual presidente, Frederico Varandas. Dias Ferreira, histórico dirigente, também ele candidato à presidência do Sporting, recorda o amigo com quem teve muitas discussões sobre o clube do coração.
José Maria Ricciardi era um dos grandes amigos que eu tinha e que eu conheci no Sporting Clube de Portugal e que eu apreciava muito o seu sportinguismo. Efetivamente, ele era muito emocional a discutir qualquer coisa e, por isso, muitas vezes, as nossas discussões eram de dois emocionais a discutir o Sporting, dois sportinguismo a discutir emocionalmente o Sporting. E às vezes a gente ultrapassava aquilo que era legítimo ou aquilo que seria lícito entre dois amigos. Tivemos algumas discussões, mas o que permaneceu sempre foi uma boa relação, uma boa amizade
Diz Ferreira a recordar José Maria Ricciardi. Os dois foram candidatos à presidência do Sporting nas eleições do clube em 2018, ano em que Frederico Varandas foi eleito presidente do clube. Está marcada a primeira reunião do Conselho de Estado convocado por António José Seguro. Dia 17 de abril, no Palácio de Belém. A informação foi avançada esta manhã numa curta nota da presidência. A reunião está marcada para as 15h, tem como tema segurança e defesa. Já tinha sido prometido, em campanha, que esse seria o tema da primeira reunião. Na altura, António José Seguro defendia que Portugal e a Europa precisam de reforçar a autonomia estratégica, por isso queria ouvir chefes militares e os partidos para manter um consenso nacional. A data do Conselho de Estado é confirmada hoje nessa nota no site da presidência. O Conselho de Estado vai acontecer já depois da primeira presidência aberta de Seguro, que está marcada para os dias 6 a 10 de abril. Os agricultores e as empresas de distribuição consideram insuficientes as medidas do governo para fazer face à subida dos preços devido ao conflito no Médio Oriente. E principalmente o desconto do ISP. O secretário-geral da CAP, Luís Mira, diz que a medida é minimalista e já vem tarde.
Foi uma medida muito minimalista, porque o gasóleo aumentou 42 cêntimos e a diminuição do imposto foram três cêntimos. Isso não é nada. A agricultura portuguesa necessita de 1.250.000 litros por dia. Isto tem um custo, com os 40 cêntimos em cada semana, de 2,5 milhões de euros a mais. Portanto, não pode ser a produção a suportar isto. E o Estado não está a fazer aqui o seu papel como devia ter feito já. E as medidas já vêm tarde, porque os espanhóis já sexta-feira publicaram em decreto real.
Luís Mira, o secretário-geral da CAP, no Explicador desta manhã, em que foi convidado também o diretor-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição. Gonçalo Lobo Xavier considera que são necessárias mais medidas para não se perder a competitividade com Espanha.
Parece-nos muito mais avisado na APER que é muito mais eficiente tomar outras medidas do ponto de vista fiscal, nomeadamente, como já referimos, na questão dos combustíveis e, concretamente, no apoio verdadeiro, real, que se materialize à produção nacional. Nós não somos autossuficientes em todos os produtos agrícolas, mas a verdade é que esta perda de competitividade com Espanha, tenho que concordar. Nós não podemos continuar a ter outros mecanismos mais fracos face ao nosso principal concorrente.
Gonçalo Lobo Xavier e também Luís Mira foram os convidados do Explicador desta manhã sobre a escalada de preços devido ao conflito no Médio Oriente. Agricultores e distribuidores asseguram que, à data de hoje, não há risco de escassez de qualquer produto. São agora 10:10, Carla. Antes do Contracorrente, que outras notícias marcam esta quarta-feira? Pedro Sánchez continua a ser ouvido no Congresso sobre a posição crítica que o governo espanhol tomou face à guerra no Médio Oriente. O chefe de governo volta a classificar o conflito dos Estados Unidos e de Israel com o Irão como ilegal e um desastre absoluto. Diz também que Donald Trump avançou para o Médio Oriente sem um objetivo concreto e que teve a oportunidade de fechar um acordo com o regime iraniano, mas não o quis fazer. Foram detidos dois homens suspeitos de terem incendiado quatro ambulâncias que pertenciam a uma ONG judaica em Londres. O anúncio foi feito hoje pela polícia britânica. Neste momento, as autoridades continuam a realizar buscas, mas descrevem a detenção como um avanço importante na investigação. A polícia procurava três suspeitos. A Agência Internacional de Energia está pronta a libertar mais reservas de petróleo, se e quando for necessário, para combater a crise energética. Garantia deixada pelo diretor da agência ao lado da primeira-ministra do Japão, que pediu que se preparasse uma operação deste tipo. Importa recordar que já no início do mês, os países membros da Agência Internacional de Energia anunciaram a libertação de 400 milhões de barris de petróleo das reservas. Ursula von der Leyen defendeu hoje o acordo comercial entre a Austrália e a União Europeia. Acredita que o acordo é uma resposta estratégica num mundo mais conflituoso, onde o comércio está a ser utilizado como arma. Este acordo comercial foca-se em matérias-primas críticas para a Europa, como o lítio, para reduzir a dependência externa do continente europeu.