A feira estava marcada para fevereiro, em Paris, mas havia prospeção de mercado para fazer no terreno. O diretor do departamento de carros de coleção, da leiloeira Artcurial Motors, e o especialista em carros seguiram uma informação que os conduziu a uma quinta no Oeste de França. E quando ali chegaram não queriam acreditar. Um verdadeiro “tesouro” traduzido em 60 carros construídos entre os anos 30 e os anos 70. Entre eles, um Ferrari que chegou a pertencer a um ator francês, avaliado em 12 milhões de euros.
Matthieu Lamoure e Pierre Novikoff quando falam daquele dia ainda usam palavras como “mistério” e “magia”. A sensação, dizem, foi como descobrir o túmulo de Tutankamon. Mas este túmulo estava localizado numa quinta, no interior de abrigos construídos à mão e já cobertos de folhas de jornais e de ramos de árvores. Foi assim que os dois descobriram um Maserati Gran A6G de 1956, um Ferrari 250GT SWB California, que foi comprado pelo ator Gérar Blain e depois vendido ao ator francês Alain Delon (onde, em 1964, chegou a ser fotografado ao lado de Jane Fonda durante as filmagens de “Les Félins”.
A coleção, que será vendida no Retromobile Salon, em Paris a 6 de fevereiro de 2015, foi montada por Roger Baillon durante os anos 50. Além da paixão pelos carros e pela sua mecânica, Baillon dirigia uma empresa de transportes e tinha por isso a possibilidade de transportar os carros de coleção.
Movido pelo sonho de montar um museu privado, o empresário comprou uma propriedade e começou a adquirir carros em vários países da Europa. Alguns para recuperar. A ideia era expor carros do pré-guerra e, para isso, até construiu alguns abrigos, onde à medida que os adquiria os colocava lado a lado. Chegou mesmo a comprar um pequeno comboio para os visitantes poderem ver a exposição dos mais de 100 carros. Baillon chegou a exibir, no Paris Motor Show, na década de 50 um roadster que ele próprio construiu. Chamava-se “Oiseau Bleu” (Pássaro Azul).
Mas, em 1970, a prosperidade do seu negócio sofreu uma reviravolta e o empresário viu-se obrigado a vender 50 carros. Na altura, pensou-se que o empresário tinha vendido todos os carros, mas, na verdade, ainda tinham ficado 60 no museu que nunca chegou a ser museu.
Foi entre 1955 e 1965 que ele acumulou a maior parte dos modelos. Entre os que restam há Bugatti, Hispano-Suiza, Talbot-Lago, Panhard-Levassor. Pode ver mais informações no documento anexo a este artigo.