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Ninguém gosta de ver um sonho mágico ser desmoronado. Naquele momento, acreditar deixa de fazer sentido. É mais ou menos isso que acontece quando descobrimos que, afinal, o Pai Natal não existe. Antes, essa descoberta era feita por uma sucessiva associação de ideias ou por conversas com os nossos amigos que tinham chegado à verdade inconveniente mais cedo. Mas agora pode haver outro culpado: o Google.

A forma como crianças e adultos falam do momento em que descobriram que o Pai Natal não existia é diferente. A tese é de Cynthia Scheibe, professora de psicologia no Centro de Estudos de Ithaca, em Nova Iorque (EUA). Um adulto consegue identificar precisamente esse momento, mas as crianças passam por um processo mais complexo. “O que eles fazem é juntar provas. Agem como cientistas juntando pequenas hipóteses”, explica Cynthia Scheibe ao Vice.

Cheias de dúvidas, as crianças usam as ferramentas que lhes estão mais próximas — e é aqui que entram as novas tecnologias. Segundo um inquérito feito no Reino Unido, 54 por cento das crianças usam primeiro o Google ou outro portal quando têm uma dúvida sobre algum assunto. Apenas 26 por cento afirmaram recorrer em primeiro lugar aos pais quando querem esclarecer alguma coisa. Ao pesquisar no Google “O Pai Natal existe?”, vários resultados remetem para artigos onde se ensina os pais a contar a verdade às crianças ou como lidar com a desilusão dos mais pequenos. Se experimentarmos a versão inglesa “Is Santa Claus real?”, o resultado é semelhante.

A professora de psicologia reconhece que não serão as crianças de cinco anos a pesquisar “Pai Natal”, porque ainda terão um acesso limitado ao computador e à internet. Serão as crianças mais velhas com oito/nove anos, a mesma idade em que deixam de acreditar no Pai Natal, as que usarão o Google como “parte da recolha de dados” para chegarem à conclusão final, escreve a repórter do Vice. Até porque também há sites que tentam comprovar que o Pai Natal existe.

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